Slade
Ele acordou no chão de sua nova suíte totalmente nu, no entanto, sozinho. Ele franziu o cenho enquanto se sentava e esfregava sua cabeça latejante. Realmente precisava controlar sua bebida, estava começando a sair do controle.
Slade sabia que tinha sido acordado pela voz de seu pai, o Alfa Roman, em sua cabeça: “Levante, filho, você tem Faculdade Alfa hoje. É melhor estar pronto.”
Ele gemeu ao se levantar. “Estou.” Ele disse a seu pai. “Eu me arrumei ontem.” Seus olhos se moveram ao redor da sala de estar de sua nova suíte, a mesa de café estava virada e havia um abajur no chão. Ele sacudiu a cabeça apenas para sentir mais dor, a ressaca maldita ia matá-lo.
Ele arrumou a mesa de café e o abajur, então franziu o cenho ao pegar suas roupas. Elas estavam rasgadas em alguns lugares, meio pareciam ter sido arrancadas dele. Ele olhou ao redor do resto do quarto, nenhuma loba aqui com ele. Embora ela pudesse simplesmente ter se levantado e ido para casa em algum momento.
Ele respirou fundo, longa e profundamente, para tentar sentir o cheiro do quarto. Sua lembrança da noite passada estava mais do que turva, ele tinha algumas lembranças de ter bebido no clube noturno da matilha. Ele pegou o cheiro de Ori aqui em sua suíte e mais ninguém. Ele fechou os olhos e teve um lampejo de uma loba de quatro patas, e ele a segurando, possuindo-a com força e rapidez. Ele sacudiu a cabeça, não conseguia se lembrar de quem era.
O corpo dele doía em todos os lugares certos, então definitivamente havia uma garota aqui com ele na noite passada. Ele sacudiu isso e foi para o chuveiro, se limpou, se barbeou e penteou o cabelo. No entanto, estava de pé em sua área de estar se secando, olhando para o quarto — o lugar onde ele tinha acordado.
Ele voltou para seu quarto, sabia que não havia loba ali, e aquela cama não tinha sido dormida, então presumivelmente, o chão da sala de estar era onde ele tinha se envolvido com aquela loba; eles nem sequer tinham chegado até sua nova cama.
Slade, vestido com jeans casuais e uma camiseta preta, sentou-se na área de estar para colocar suas meias e sapatos, mas ainda podia sentir o cheiro de Ori nesta suíte com ele. Era estranho para ele.
Ele tinha uma memória turva de Ori meio carregando ele do clube, entrando no elevador e então, rindo muito. Então, ele entendeu porque podia sentir o cheiro dela neste quarto. Não era algo incomum para ela estar em seu quarto, ela era sua Beta. Ela esteve aqui algumas vezes e sua suíte era em frente à dele. Talvez ela tivesse estado aqui esta manhã e afastado aquela loba.
Ele puxou a corda que era dela e viu que Ori não só estava acordada, mas já estava embaixo, na sala de jantar. Provavelmente ela estava pronta para levá-lo para a Faculdade Alfa, era seu trabalho fazer isso. Ele sabia que ela tinha que levá-lo e buscá-lo toda vez que ele fosse e voltasse.
Ainda mais, ele sabia, seria apenas uma vez, ou deveria ser — a menos que algo desse errado — ele estava voltando para casa para que sua irmãzinha pegasse seu lobo, para que a família pudesse correr juntos e conhecê-la. Se unir como família era o que a maioria das famílias fazia.
Ele sorriu com o pensamento de um ano na Faculdade Alfa: liberdade de seu pai e de suas exigências, e contínua pressão sobre ele. Também havia outros Alfas lobos lá, homens e mulheres, que lhe interessavam muito. Embora seu pai esperasse que ele encontrasse sua companheira na Faculdade Alfa e trouxesse para a matilha uma fêmea alfa.
Lobos Alfas da idade dele eram todos um bando de adolescentes com t***o, ele sabia, ia aproveitar ao máximo um ano dentro daquela Faculdade Alfa. Namorar quem quisesse. Era um lugar dos sonhos para um Lobo Alfa não emparelhado. Ele podia bem imaginar que tudo que acontecia era s**o, e muito, com aqueles que estavam dispostos. Como não poderia ser?
Slade estava realmente ansioso para ir. A única desvantagem de estar lá e não aqui, era que ele estaria um ano inteiro atrasado em seus estudos universitários com sua turma. Quando voltasse, todos teriam completado o primeiro ano, e estariam indo para o segundo ano.
Ele pegou sua mala, que continha tudo o que precisaria por um ano inteiro, puxou-a atrás dele enquanto se dirigia pelo corredor para o elevador. Ele viu Hayden encostado no elevador, o garoto sorriu para ele. — Ori não está aqui para fazer seus deveres de Beta, vejo. — Ele fez um som de desaprovação e balançou a cabeça, como se estivesse decepcionado com sua irmã mais velha. — Posso levar isso para você, Alfa. — Ele estendeu a mão para a mala.
— Eu posso levar isso, Hayden. — Ele comentou, sabendo que este garoto apenas seis meses mais novo do que Ori, estava em treinamento de Beta, mas não com ele e sua unidade, com seu próprio pai, Beta Anders.
Ele havia afirmado mais de uma vez que estava se preparando para quando Ori saísse da matilha, enquanto ele estivesse na Faculdade Alfa. Este garoto era o segundo herdeiro da linhagem Beta, e ele ansiava ser o futuro Beta.
Sabia que era o direito de nascimento de Ori como a primogênita, e que Slade, Palmer e Yuri tinham todos crescido com ela, treinado com ela e já tinham se conectado a ela como uma unidade deveria ser. Hayden achava que podia afastá-la.
— Você quer que eu te leve para a Faculdade Alfa? — Ele perguntou. — Eu dormi bem, ao contrário de Ori, que estava bebendo com vocês e os garotos.
— Tenho certeza de que ela está bem. Nunca bebe como nós, sabe beber. — Ele afirmou simplesmente.
— De qualquer forma, vou assumir o posto dela, Slade. — Hayden afirmou.
— Talvez. — Slade respondeu. — Até lá, você é o segundo, então deixe pra lá.
— Ela irá arranjar um companheiro facilmente, você só deveria...
— Chega, Hayden! Ori pode ter um companheiro aqui e, se tiver, você ainda será o segundo. Ela ainda será minha Beta. Vou manter ela como minha Beta, conforme a política da linhagem da matilha.
— Uma Beta fêmea. — Hayden balançou a cabeça.
— Não é diferente de uma Alfa fêmea. Cuidado com suas palavras, eu gosto da minha Beta. — Ele disse para o garoto. — Também duvido que ela vá se desemparelhar dessa matilha. — Ele disse enquanto saía do elevador e levava sua mala para colocá-la perto da porta da frente, antes de seguir para o café da manhã no refeitório.
Sua mãe e seu pai, Elise e Roman, estavam ali com sua irmãzinha, Dariah, e seu irmãozinho, Clay, assim como a Unidade Alfa atual e a sua. Ele foi buscar comida e viu os olhos de Ori caindo sobre seu irmão enquanto caminhavam juntos. Sua expressão não mudou, mas ele sabia o que ela pensava.
Ele deixou aquele garoto nas mesas de buffet e voltou à mesa Alfa. Ori puxou uma cadeira para ele como sempre fazia, e ele se sentou em frente a ela. — Você está atrasado. — Ela disse diretamente para ele.
— Você não me acordou. — Ele comentou enquanto a olhava. Ainda achava mais do que estranho que fosse só o cheiro dela em seu quarto quando acordou, nu, e suas roupas estavam naquele estado. Alguém o tinha despido com pressa.
Ele não tinha memórias concretas com a garota, apenas que ela era morena, assim como Ori. Ele não tinha memórias reais de fazer algo que não devesse com sua futura Beta.
Mas ela era mais do que bonita, deslumbrante de se olhar, com seus longos cabelos castanhos-escuros, embora eles estivessem sempre presos em um r**o de cavalo ou trança alta. Seus olhos eram o que atraíam todos os lobos ao redor dela. Eram verde-prateados pálidos, com um brilhante verde-garrafa na borda externa, praticamente brilhavam como neon mesmo na luz natural, e eram cercados por cílios naturais longos e grossos. Ela também tinha lábios bem formados e cheios, uma pele adorável e um corpo atlético por todo o treinamento deles.
Ele também sabia que todos os lobos não emparelhados aqui nessa matilha a olhavam, fosse durante o treino ou após se transformar de volta de seu lobo China; um lobo prateado grande com quatro patas pretas. Dava para perceber que era uma Loba Beta apenas pelo tamanho de China. Os olhos do lobo dela eram azuis, não o verde usual. Ela os herdou da linhagem de sua mãe. O lobo da mãe dela também tinha esses olhos azuis.
Algum lobo sortudo por aí seria emparelhado com aquela garota, e teria o privilégio de ver aqueles olhos incríveis dela abertos todas as manhãs, e olhar para eles, ver aqueles lábios curvarem-se em um sorriso sonolento, mas feliz, e se apaixonar por ela toda maldita manhã de novo.
Slade suspirou interiormente enquanto afastava seus pensamentos de olhar para sua Beta, como se fosse realmente uma garota, e uma deslumbrante. Ela não era uma garota para ele, Ori era sua Beta, não algo para brincar, não algo para deitar.
Embora a ideia dela ser emparelhada e saindo desta matilha, isso o incomodava mais do que um pouco. Ele não queria que isso acontecesse e sabia disso. Ele desviou o olhar para o café da manhã e longe da garota. Não, ela tinha 18 anos agora, uma mulher, não mais uma garota. Pela lei dos lobos, ela era adulta, uma loba de idade de acasalamento.
Ela era uma boa Beta forte, treinada com ele e sua unidade, tão dura quanto todos eles. Colocou todo o esforço e ele sabia que ela queria a posição de sua Beta também.
— Você deve ser responsável por si mesmo agora. Você tem que ser, pelos próximos anos. Eu não estarei lá para te acordar quando você dormir demais. — Ela interrompeu seus pensamentos.
Ele sorriu para ela. — Certamente não fez isso hoje de manhã. Você me deixou no chão da minha suíte, não foi?
Ela deu de ombros. — Seu peso foi demais para eu arrastá-lo até a sua cama.
Ele ouviu tanto seu pai quanto sua mãe limpando a garganta, e revirou os olhos. Eles não gostavam do jeito que ele e ela falavam um com o outro às vezes. Mas seu relacionamento com Ori não era diferente do que ele tinha com Palmer e Yuri. — Ela me botou para dormir. — Ele virou e olhou para eles enquanto mordia seu croissant torrado.
— Ele estava bêbado. — Ela retrucou prontamente. — Malditamente pesado.
Ele resmungou ao olhar para ela: — Ah, você não conseguiu lidar com isso, huh?
Ele viu aqueles olhos brilhantes dela revirarem para trás em sua cabeça enquanto ela murmurava: — Bom, se você não bebesse tanto, poderia ter andado sozinho. Você provavelmente nem lembra de eu ter arrastado seu traseiro para o seu quarto.
Ele balançou a cabeça e ignorou. — Não, não lembro mesmo.
Ele recebeu um t**a na parte de trás da cabeça pelo pai. — Filho, o que eu disse?
— Estou sóbrio agora, e ainda tenho uma viagem de seis horas para superar a ressaca também.
Slade ouviu seu pai resmungar com irritação: — Ao menos sua Beta é confiável, te mantém na linha.
— Hm. — Ele assentiu enquanto olhava para Ori, ainda o confundia mais do que um pouco seu estado ao acordar e apenas o cheiro dela no quarto. No entanto, olhando para ela agora, nada parecia fora do normal para ele; ela era a mesma de sempre, mesma atitude de sempre.
Se eles tivessem tido relações sexuais, com certeza ela teria achado essa manhã constrangedora, e ela não parecia nem um pouco diferente para ele. Ele a perguntaria, se não houvesse ninguém por perto.
Mas ele também sabia que teria seis horas de viagem para questioná-la sobre a noite passada, e por que ele acordou com dor nos lugares certos, com roupas meio rasgadas em um quarto tumultuado e apenas o cheiro dela lá dentro.
Agora ele estava se perguntando se teria sucumbido em seu estado bêbado aos pensamentos que surgiram em sua cabeça sobre sua Beta conforme ele e ela se aproximaram de seus 18 anos.
Ele se viu olhando para ela de uma maneira mais do que para sua Beta às vezes, aqueles olhos dela estavam matando-o. Toda vez que ela ria dele ou de algo engraçado que ele dizia, e os viu realmente brilharem. Ele se sentiu atraído por ela, sua própria Beta.
Ele afastou sua mente dela, descobriria em pouco mais de um mês se eles eram ou não companheiros de qualquer maneira. Ele não estaria aqui para essa lua cheia que estava chegando, mas estaria em casa para a próxima. Não era uma espera tão longa.
Slade afastou esses pensamentos e se lembrou que não deveria estar pensando assim sobre ela, que ele não queria uma companheira agora. Aos 18 anos, ele ia entrar na faculdade Alfa e iria aproveitar todas aquelas fêmeas alfas em busca de alguma ação. E ele estaria mais do que disposto a lhes dar.