Era impossível colocar em palavras a beleza acerca do castelo de Wessex no dia do aniversário do rei. As cores, branco e azul, decoravam toda a extensão da ponte que levava a aldeia até os arredores do castelo, muitos tecidos e flores eram trazidos para o salão de festa, que continha muito cobre em seus utensílios, taças de prata pura e até mesmo mesas decoradas com jarros de barro contendo hidromel, vinho e cerveja.
Uma pequena orquestra ficava no palco num lugar estratégico do salão, que fazia a música ecoar alta por todos os lugares. Tudo ainda estava no começo e apenas empregados circulavam pelo salão de festas do castelo dando os últimos retoques, já que tudo precisava estar perfeito.
Na torre mais alta, o rei encontrava-se em seu quarto, olhando pela pequena janela, olhava seu povo animado. Pela altura, não podia ter certeza do que estava acontecendo, mas percebeu que as pessoas pareciam muito felizes e usando suas melhores roupas. Muitas delas haviam confeccionado presentes para o rei e carregavam orgulhosas pela ponte suas caixas e até mesmo animais, orgulhosas de poderem presentear seu rei com algo.
— Majestade. — A porta de seu quarto estava aberta e uma das empregadas chamou sua atenção pedindo licença para entrar.
— Sim, Elaine? — A moça tinha praticamente a idade de sua irmã e a conhecia desde criança. Era uma das servas de Gemma.
— Princesa Gemma está aqui. — Ela anunciou e Harry finalmente pode ver o sorriso maroto de sua irmã, impecavelmente vestida para a festa. Ela havia chegado há menos de um dia e sua energia já transbordava novamente pelo castelo. Harry amava sua irmã profundamente e sabia que ela era o motivo daquele castelo ter cores e vida.
Ela o abraçou forte e ele a levantou do chão por alguns segundos — era muito mais alto do que ela. Styles sorria como há muito não fazia, gostava de ter a irmã por perto, especialmente num dia como aquele.
— Tenho um presente. — Ela anunciou tirando da pequena e delicada bolsa de cetim que carregava, uma caixa de madeira polida. — Sei que você já tem de tudo e provavelmente vai ganhar tantas coisas que não fiquei pensando em quantas moedas de ouro eu deveria gastar, mas tenho isso. — Ela tirou de dentro da caixa um bracelete prata, que havia pertencido à seu pai e dado à Gemma como parte dela na herança. Não era caro, não valia provavelmente nada, mas era de seu pai, usado por ele durante a guerra pela conquista de Wessex. — E acho que deveria ser seu.
— Eu não sei o que dizer. — Há anos Harry não via aquilo, estava muito bem cuidado e, imediatamente, ele colocou no braço esquerdo sentindo que, naquele dia tão importante, ia ter uma parte de seu pai com ele. — Obrigada por fazer isso. — Ele voltou a abraçar a irmã emocionado.
— Te vejo mais tarde? — Ela disse sorridente, ainda tendo as mãos seguradas pelo irmão. — Vou deixar você se arrumar.
— Já vou descer. — Ele disse assim que ela se encaminhou para a porta com Elaine. — Eu te amo, Gemma.
— Também te amo, irmãozinho. — Ela gritou do corredor já em meio a risos com Elaine, feliz por finalmente ter uma festa naquele castelo. Uma das pretensões da moça, sonhadora como era, era encontrar sua alma gêmea e viver alguma espécie de conto de fadas.
Harry não queria que o casamento de sua irmã fosse algo arranjado, ele acreditava na liberdade de escolha dela e tinha um estilo de pensamento um pouco mais livre. Obviamente cuidava dela e precisava zelar por sua consciência, uma vez que ela era jovem e não tinha maturidade o suficiente para saber exatamente o que era bom para si ou não. Fora o fato de que Harry sabia muito bem que sua irmã era cobiçada por centenas de jovens dos Sete Reinos, por ser a única herdeira de Harry até o momento.
Ele voltou a olhar a janela e concentrou-se na música e na animação vinda da aldeia. Conseguia ouvir perfeitamente a cantoria se focasse no meio da multidão que, a cada momento, parecia ser maior à caminho do castelo. Ao longe na estrada, pôde ver bandeiras preto e douradas, simbolizando muito bem a chamativa e exagerada corte pomposa e completa do reino de Essex.
— Zayn sempre muito discreto. — Harry murmurou para si mesmo numa ironia divertida, sabendo que o amigo gostava de chamar a atenção o máximo que podia.
Ele voltou-se para sua cama e viu sua capa vermelha para sessões solenes, feita de veludo e contornada por pedras preciosas no colarinho. Ele, que preferia botas de combate a sapatos de dança, abriu uma exceção naquele dia e tinha sapatos de couro confortáveis com um pequeno salto ornamentado. As calças eram negras e feitas de cetim, coladas em suas pernas e a camisa branca era parcialmente coberta por um colete azul, com os brasões da família Styles e com o símbolo, feito com fios de ouro, de seu reino: um leão rugindo.
Ao lado da capa estendida na cama, sua coroa de ouro estava polida, era pesada demais para ser usada todos os dias e, mesmo que não fosse, Harry não sentia-se bem com ela. Fora o fato de ser um artefato muito valioso para se andar por aí. Havia um rubi grande no meio, mas era basicamente feita de diamantes e safiras, que representavam assim as cores de Wessex.
— Com licença, Majestade. — Harry olhou para a porta mas já havia reconhecido a voz de seu servo e líder do Conselho, Ed Sheeran.
— Entre, Ed. — Harry respondeu e o homem ruivo adentrou o cômodo fechando a porta atrás de si. — O rei de Essex está chegando.
— Sim, Majestade, já está perto dos portões. Só estava faltando ele chegar. — Ed respondeu andando até a cama de Styles e pegando a capa vermelha. — Com licença.
Ele segurava com cuidado o tecido e circulou até as costas de Harry, ajeitando-a perfeitamente sobre seus ombros e pescoço. A capa não era presa ao pescoço do rei, mas sim por botões e pregas em seus ombros, era mais pesada do que Harry lembrava-se. Era perfeito para sua altura, ficando a apenas um centímetro de distância do chão.
Ed pegou a coroa e entregou a Harry, que suspirou e encarou aquilo como o peso da responsabilidade que o objeto trazia toda vez que ele precisava usar. Já estava acostumado de certa forma, mas aquela coroa não era apenas um lembrete de prestígio sobre quem ele era, mas sobre o que esperavam dele também. Ser líder era muito mais do que dar ordens e aquela coroa o lembrava daquilo como ninguém.
Cuidadosamente, ele pôs sobre a cabeça ajeitando de leve os cabelos compridos por baixo. Coube perfeitamente.
— Seu cetro está perto do trono. — Ed explicou antes de se afastar ligeiramente do monarca. — Todos já estão à sua espera, Majestade. Há muitos súditos trazendo presentes, se quiser podemos colocá-los em algum outro salão.
— Não. — Harry imediatamente rumou até a porta. — Vou recebê-los pessoalmente. — Styles deixou o quarto e Sheeran fechou a porta. Logo atrás dos dois, quatro cavaleiros da Guarda Real passaram a acompanhá-lo automaticamente.
— Majestade, existem muitas pessoas, não acredito que vás conseguir dar atenção à todas. — Ed alertou.
— Não me importo, eles são meu povo… — Styles descia as escadas com cuidado, sua capa vermelha formava ondas no vento atrás dele. — Estão aqui para me ver.
— Como quiser, Majestade. — O Conselheiro sabia que nada faria Harry mudar de ideia quanto àquilo, era um homem extremamente dedicado às pessoas.
Styles atravessou os vários cômodos do castelo até chegar à entrada principal. Ajeitou-se em frente às grandes portas de madeira e esperou que os soldados as abrissem para ele. O salão de festas estava lotado e o rei esperou alguns segundos antes de entrar, deixou que Sheeran entrasse primeiro e avisasse ao anunciante do castelo que o rei estava para entrar. As portas foram abertas pelos soldados num barulho estrondoso, o silêncio pela curiosidade do que estava acontecendo tinha acabado de se formar.
Harry ouviu seu anunciante dizer que ele estava prestes a entrar e então ouviu gritos de alegria e palmas no momento em que ele apareceu no salão, por trás de seu trono. Todos deram espaço para que seus cavaleiros passassem ficando um em cada ponta do trono como constantemente faziam para o proteger. Harry não sentou-se, esperou a multidão se acalmar e, sorrindo, impostou a voz para falar a seus súditos.
— Povo de Wessex. — Sua voz tinha mesmo esse poder de fazer com que todos se calassem para ouvir. — Sinto-me honrado de ser líder de pessoas tão bondosas, sei que muitos trouxeram presentes mesmo sabendo que não existe necessidade para isso. A glória a mim dada pelos deuses foi a de poder agraciar a todos com essa festa, onde hoje posso contar com a honra da presença dos senhores. — Ele disse e podia ver os olhos emocionados de muitos ali que provavelmente o estavam vendo de perto pela primeira vez. Algumas mulheres sorriam e trocavam olhares com ele, como se sonhassem em, algum dia, poder estar ao lado daquele homem tão bonito e poderoso.
Ao seu lado, um dos conselheiros lhe trouxe numa bandeja uma taça de prata contendo vinho, para que ele fizesse seu brinde característico de todos os anos.
— Um brinde, em nome de Apolo. — Ele ergueu a taça dando graças ao deus venerado por seu povo, o deus-sol. As palmas e os gritos de “vida longa ao rei” começaram a ser saudados assim que Harry tomou o primeiro gole da bebida.
Os bordões seguiram-se e muitos “viva o rei!” podiam ser ouvidos por muitos minutos mesmo ao longo das músicas que começavam a tocar. Harry finalmente sentou em seu trono e apenas observou a festa por alguns minutos, atendendo primeiro aos nobres que vieram lhe prestigiar e depois ao povo.
Não era muito difícil de perceber a capa dourada do rei Zayn Malik atravessando o salão acompanhado de dois de seus guardas. O rei de Essex tinha um dos sorrisos mais brilhantes daquele dia e havia ornamentos em ouro por toda sua roupa. Ele usava sua coroa de ouro branco com brilhantes e citrinos — pedras preciosas cítricas formadas pelas cores amarela, laranja e vermelha. Lembrava o céu em fogo em pleno pôr do sol.
Assim que viu Zayn se aproximando, Harry levantou-se do trono estendendo a mão para o monarca. Os cumprimentos eram côvados, aqueles em que tocavam-se nos antebraços e não propriamente nas mãos. Em respeito, Malik curvou a cabeça.
— Feliz aniversário, Styles. — Zayn disse em meio a um de seus melhores e mais sinceros sorrisos.
— Obrigado. — Harry retribuiu o sorriso. — Se continuar aparecendo com sua corte inteira nas minhas festas, vai acabar me roubando alguns súditos. — Styles brincou fazendo o amigo rir. Alguns aldeões de Wessex pareciam admirar as dançarinas trazidas por Zayn e não estavam muito interessados sequer em comer as diversas comidas postas numa mesa gigantesca em um dos cantos do salão.
— Ao menos sabemos que se entrarmos em guerra, já sei como seduzir seu exército. — Malik brincou arrancando uma gargalhada de Styles. — Espero que goste do presente.
O rei de Essex deu espaço para um de seus soldados passarem com um enorme baú de madeira, trabalhado em detalhes de cobre. Styles já estava mesmo esperando algo extravagante quando abriu o tal baú e viu que dentro haviam cristais polidos e uma escultura média em citrino do deus Apolo. Aquilo tudo provavelmente valia uma fortuna.
— Agradeço, Zayn. — Harry ficou impressionado e realmente gostou muito de tudo, apesar de internamente ver que não havia utilidade para aquele tipo de coisa. Mas vindo de Zayn, era provavelmente o presente mais caro que receberia.
— O Reino de Essex fica grato com o convite e com nossa centenária aliança amistosa. — Zayn dizia com excessiva formalidade. — É um prazer estar aqui, Harry. — Ele voltou a estender a mão na direção de Harry e ambos trocaram novamente cumprimentos.
Zayn se retirou e Harry sabia que ele provavelmente seria o último dos nobres a ir embora. Festeiro como era, ficaria até amanhecer mesmo sabendo que sua viagem de volta ao seu reino era longa. Styles pediu a um de seus conselheiros que guardasse o presente de Zayn no cofre real, tirando apenas a escultura, queria-a em seus aposentos.
De longe, Liam Payne aproximava-se de Harry sem muita cerimônia. Ambos eram amigos de infância e seus pais eram grandes aliados. Os dois se abraçaram quando Payne chegou acompanhado de seus soldados. Sua capa era vermelha como a de Harry e as pedras de sua coroa simbolizam as cores de seu reino, assim como os demais reis: eram púrpura e cravejados de pedra ametista.
— Liam! — Harry disse segurando o homem no abraço por mais tempo. — Sinto muito muito pelo seu pai.
— Obrigado, Harry. — Payne dizia ainda sendo segurado pelos ombros por Styles. — Não têm sido dias de glória.
— O que eu puder fazer, por favor, não deixe de me avisar. — Styles disse ficando sério, demonstrando o apoio incondicional que estava mesmo disposto a dar ao velho amigo.
— Logo serão, logo serão. — Liam disse esperançoso. — Minha coroação é em duas semanas, espero que possa estar lá.
— Estarei, é lógico que estarei. — Styles não mediria mesmo esforços para estar perto de seu amigo caso fosse necessária sua permanência por muito mais tempo do que ele havia planejado. — Vai convidar os Sete Reinos? — Harry na verdade perguntou pela curiosidade de saber se Liam convidaria Zayn. Seu sorriso de canto entregou imediatamente sua intenção e Liam fechou a cara.
— Temos negócios com todos, meus conselheiros acham melhor não deixar ninguém de fora. — Payne respondeu apático, olhou de canto para Zayn que estava sentado em sua das mesas rodeado por duas mulheres que lhe davam comida na boca. — Apesar de eu não querer ter que lidar com todo mundo.
— Achei que tinha deixado no passado seus problemas com Zayn. — Harry não segurou o riso. — Seu pai sempre foi preconceituoso mesmo e não achava que ele tinha direito ao trono, por ser bastardo, mas espero que você seja um líder diferente, Liam. — Harry escolheu as palavras com cuidado para não tocar em feridas. — Seu pai foi um grande rei, mas precisa aproximar os reinos, vocês não podem ficar isolados.
— Somos todos aliados, Harry. — Liam suspirou cansado, não gostava de política e, agora como futuro rei, sabia que teria que lidar com muito daquilo. — Mas a promiscuidade de certos monarcas me incomoda sim. — Ele franziu o cenho apesar de Harry rir ao ouvir Liam indiretamente chamar Zayn de promíscuo.
— Isso não afeta a maneira de governar dele. — Styles disse despreocupado. — Não vê? O povo dele o ama e Essex é o reino mais rico atualmente.
— Styles, estou aqui para o seu aniversário. — Liam disse porque não tinha uma boa resposta para aquilo e Harry riu, porque sabia perfeitamente que Liam era expert em mudar de assunto quando estava perdendo uma discussão. — Então não vamos falar sobre isso agora.
Payne fez sinal a um de seus soldados que trouxe uma caixa de madeira aberta com seis garrafas dentro.
— Vinho e hidromel feito no nosso reino, com as melhores uvas e geléia real. — Liam anunciou orgulhoso de seu reino que dava mais frutos do que qualquer outro. — Foram feitos exclusivamente para presenteá-lo e não são comercializáveis. — O soldado entregou a caixa a um dos conselheiros de Harry para que o rei olhasse melhor.
— Liam, pelo amor de Apolo, não acredito que você fez isso. — Harry estava maravilhado com aquilo. As garrafas eram artesanalmente trabalhadas em cordas e couro. Ele era um grande apreciador de vinhos e todos sabiam que sua bebida preferida era hidromel. m*l podia esperar para experimentar a versão feita com geléia real das abelhas-rainha.
— Acho que vai gostar, eu fiz a degustação pessoalmente e tenho até uma garrafa guardada pra mim. — Payne concluiu brincando. — Feliz aniversário, Harry, que Ártemis lhe proteja sempre. — Liam citou a deusa venerada em seu reino abraçando Harry novamente.
Payne afastou-se e propositalmente foi aproveitar a festa com seus servos pessoais que havia trazido e dava atenção à várias mulheres dos reinos, inclusive Gemma, que o convidara para dançar muitas vezes. Tudo isso do lado oposto de onde Zayn estava. Styles passeou pelo salão recebendo reverências e cumprimentos de muitos de seus súditos e perguntou-se se a mulher que lhe falara há dois dias estaria lá com seu filho. Correu os olhos pelo salão para ver se a reconhecia, mas os únicos olhos que encontrou foram os do rei Niall Horan, com seu sorriso aberto, como de costume.
— Feliz aniversário, Styles. — Niall disse dando o clássico cumprimento côvado em Harry, mais forte do que todos os outros. — O Reino de Mércia fica feliz em poder lhe prestigiar. — Niall continuou antes de receber o sorriso de Harry como resposta. Horan era o único que vestia sua indumentária militar acompanhada de uma capa verde.
— Obrigado por estarem aqui. — Harry disse referindo-se a Niall e seu povo que havia vindo em quantidade significativa junto com ele.
— Sabes que nosso reino é conhecido pela quantidade de ferro e aço abundante. — Horan dizia enquanto seu soldado aproximava-se com uma caixa longa de madeira. — Esta espada foi forjava por nosso melhor ferreiro, foi feita com o melhor material colhido no reino e contém as inscrições do deus Apolo por sua extensão. — Niall narrava o presente que tinha trazido e os olhos de Styles brilharam. Era, sem sombra de dúvidas, uma das espadas mais bonitas que ele já havia recebido. Ele observou os detalhes ditos por Niall e soube que era uma espada de combate acima de tudo, não apenas como enfeite.
— Talvez você não acredite, mas essa é a espada mais bonita que já tive. — Harry foi sincero e Horan sorriu satisfeito. — Agradeço, Horan.
— Novamente, feliz aniversário, Harry. — Niall curvou a cabeça de leve em respeito e viu que Harry imediatamente embainhou a espada, prendendo-a na cintura como se a exibisse orgulhoso.
Assim que o rei loiro se retirou, exibindo orgulhoso sua coroa de ouro enfeitada com jades que simbolizavam o verde como cor de seu reino, Styles teve seus pensamentos interrompidos por um de seus conselheiros.
— Majestade, o almoço será servido assim que sua majestade desejar. — O homem disse educado e Harry nem percebeu que realmente estava ficando com fome.
— Eu avisarei. — Ele disse sem dar muita atenção ao homem que se retirou.
Tudo estava em seu mais perfeito lugar e Styles sentiu uma mão feminina lhe puxar pelo braço e, quando se deu conta, já estava sendo arrastado para dançar com Gemma.
~x.x~
De longe, Louis Tomlinson estava quase desistindo de estar ali. Assistiu a cada movimento de Styles desde que ele entrou. Johanna conversava com outras mulheres e entretia-se com as dançarinas do rei Zayn e de bobos-da-corte trazidos por ele. Louis ficava nervoso a cada presente que via Harry receber — ficou particularmente embasbacado pela espada dada pelo rei Niall Horan e teve muita curiosidade em vê-la de perto, sabia da fama do aço de Mércia ser o melhor da região.
Ele tentou se aproximar algumas vezes, mas não tinha certeza sobre o que dizer, além disso, Harry nunca estava sozinho, muitas pessoas o cercaram, o reverenciaram e bebiam o que provavelmente não beberiam no resto do ano. Tomlinson estava impressionado com a beleza daquele homem e, por mais que ele não o tivesse notado, era o mais perto que ele já tinha chegado de Harry. Como aquele homem era bonito!, pensou Louis suspirando.
Assim que a música cessou, ele acompanhou Harry voltar ao seu trono e começar a receber presentes de seus súditos. Johanna automaticamente puxou Louis para o final da fila, já não restavam mais muitas pessoas.
— Mãe, eu acho que não quero fazer isso. — Louis sentia que iria vomitar a qualquer momento de nervosismo.
— Pare de bobagem, o rei vai adorar sua música. — Johanna incentivava o filho. — Vai dar tudo certo.
As pessoas traziam os mais variados presentes, desde a melhor lã de ovelha que tinham conseguido até algumas crianças traziam bonecos de madeira dizendo ser sua própria versão do rei. Um grupo de atores da corte encenou uma breve peça sobre Harry e o deus Apolo, uma comédia que arrancou gargalhadas de Styles. Louis m*l conseguia concentrar-se na peça em si uma vez que o sorriso de Styles roubava qualquer outra cena.
Por muito tempo achou que as pessoas exageravam ao comparar a beleza de Styles com a beleza do deus Apolo. Mas vendo-o ali, feliz, entretido e aplaudindo os atores, Louis teve que admitir que não existia nos Sete Reinos homem mais magnífico do que aquele.
A vez do ferreiro finalmente havia chegado e ele estava no centro do salão, sendo observado por todos. Ele estava ligeiramente corado, claramente nervoso, suas mãos suavam e seu coração parecia querer sair do peito. Sentiu-se um tanto intimidado, pois usava roupas muito simples, porém eram as melhores que tinha. No trono, Styles estava confortavelmente sentado, cercado por seus soldados e, em lugares de honra no altar ao seu lado, Zayn Malik, Liam Payne e Niall Horan assistiam aos eventos e igualmente divertiam-se com as apresentações.
Não era apenas Harry, todos os monarcas do reino estavam ali, esperando para ver o que Tomlinson estava fazendo lá.
— Quem é você, jovem? — Ed Sheeran perguntou ao ver o homem petrificado e calado um tanto longe do meio onde deveria estar.
— Sou Louis Tomlinson, senhor. — Ele respondeu nervoso. Tinha as duas mãos nas costas e pigarreou antes de continuar. — Sou o ferreiro da aldeia.
— Você tem algo para o rei? — Ed perguntou já que o homem estava paralisado olhando para Harry e de mãos vazias.
Styles sorriu de canto e então, logo atrás do ferreiro, reconheceu Johanna, que estava tão feliz e orgulhosa do filho que m*l conseguia esconder. Ele então, surpreso, deu-se conta que aquele era o homem que diziam ter uma voz angelical, o qual havia sido prometido que ouviria cantar.
— Louis. — Harry disse diante do silêncio que permanecia. Tomlinson saiu daquele transe momentâneo no mesmo segundo que ouviu seu nome sair dos lábios do rei. — Aproxime-se.
Harry pediu e, inseguro, Louis deu alguns passos em direção ao trono e o silêncio era absoluto. Ele agora podia ver Styles ainda mais de perto e, pela primeira vez, viu que ele tinha covinhas no sorriso e os olhos verdes mais encantadores que ele já havia encontrado.
— E então…? — Ed insistiu devido ao silêncio do outro, claramente Harry percebeu que ele estava desconfortável.
— Me foi dito que você canta, Louis. — Styles começou ajeitando-se no trono, tentando fazer-se parecer menos intimidador, pois claramente ele percebeu que Tomlinson estava nervoso por causa dele. Olhou para Ed querendo deixar claro que ele mesmo tinha a situação sob controle.
— Sim, Majestade. — Louis respondeu num sussurro, ajoelhando-se em frente à Harry. Era comum que todos ajoelhassem quando estivessem muito perto dele.
— Levante-se, você é um convidado aqui. — Harry disse com um sorriso e viu que seus olhos assustados eram azuis. — Pode cantar pra mim?
E como Louis iria recusar um pedido daquele? Ele desviou o olhar dos olhos de Styles pois percebeu que não conseguiria fazer nada se tivesse que olhar pra ele. Tomlinson nunca antes havia ficado tão nervoso e perturbado com tudo aquilo. Olhou de longe para sua mãe e aquilo lhe deu segurança por alguns instantes, ao menos um rosto conhecido entre tantos.
— Sim, Majestade, eu posso. — Louis respirou fundo quando confirmou. Styles voltou a sorrir e, então, fez um sinal com a mão para que ele prosseguisse.
Acompanhado pela harpa da orquestra que tocava no aniversário do rei, Louis começou a cantar uma música celta muito conhecida naquela época. Era doce, animada e contava a história de fábulas antigas celtas, em forma de poesia e trova. Conforme todos iam pegando o ritmo ditado por Louis, outros membros da orquestra introduziam as flautas e os banjos. A voz de Louis era algo que deixou o rei boquiaberto. Ele tinha uma leveza e, de fato entendia porque dizia ser angelical. Era quase inacreditável que um homem forte como ele, sendo ferreiro e, automaticamente, sendo julgado como um homem rude, fosse capaz de cativar pelo canto, com uma afinação perfeita e que, além de tudo isso, ainda era um verdadeiro presente para os ouvidos de Harry.
Por algum motivo que Styles não soube explicar com precisão, aquele homem imediatamente ganhou sua afeição. Ele era bonito e, das raras vezes que sorriu na música, fez questão de olhar para Harry, que retribuiu todas as vezes. O rei havia ouvido muitos cantores, muitas moças lhe cortejavam na adolescência com canções, mas em nenhuma das vezes, ele havia se surpreendido tanto.
Assim que a música cessou, ele aplaudiu junto com os demais reis. Johanna chorava emocionada quando foi ao encontro do filho, m*l podia acreditar que ele havia finalmente cantado para o rei em pleno dia de seu aniversário.
Louis deu uma última olhada para Harry, que retribuiu, e voltou a perder-se na multidão que voltava a dançar, beber e comer as receitas preferidas de Harry servidas naquele banquete interminável.
Naquele momento, ele se afastaria dos súditos, almoçaria apenas com os outros reis e alguns representantes dos parlamentos de outras terras. Era um almoço de negócios, política e economia. Não que fosse prazeroso para Harry ter que tratar desses assuntos em pleno aniversário, mas a ocasião seria sempre aproveitada, especialmente pelo fato de que ele estava completando 21 anos, e algumas pressões estavam presentes mesmo que indiretamente.
— Ed. — Harry chamou pelo seu conselheiro, que de imediato lhe deu atenção. — Vamos servir o almoço.
— Como quiser, majestade. — Ed concordou já fazendo sinais para outros empregados avisando do que se tratava. — Vai permanecer o mesmo mapa da mesa, majestade? — Ed perguntou referindo-se ao fato de cada lugar na mesa ter seu significado nobre. Styles, por ser o anfitrião, ficaria na ponta. Gemma sentava-se sempre à direita do rei, que era o lugar de honra e, ao lado da moça, Liam Payne sempre se fazia presente. Zayn costumava sentar à esquerda do rei e, logo ao seu lado, Niall Horan já estava acostumado a tomar seu assento.
— Não. — Styles pensou por um segundo e voltou a procurar Louis com os olhos. — Quero aquele homem, o ferreiro que cantou, ao meu lado direito e coloque sua mãe, Johanna à minha esquerda, perto de Gemma. — Styles disse e Ed teve um certo problema em encarar aquilo com normalidade, mas não iria questionar. — Malik, Payne e Horan podem sentar onde quiserem. — Ele concluiu despreocupado e Ed, confuso, foi dar jeito de fazer seu trabalho.
Muitas eram as conversas ao lado do rei, mas a única coisa que fazia seu sorriso permanecer no rosto, era aquela curiosidade de saber quem era aquele homem dançando com sua mãe e como diabos poderia existir um homem bonito daquele jeito em seu reino e ele nunca ter ficado sabendo.