The Kings
A Inglaterra do século XIV contava com sete reinos principais: o Reino de Kent, da Ânglia Oriental, de Essex, de Mércia, da Nortúmbria, de Sussex e de Wessex. Quatro deles contavam com sua própria família gerente, obviamente composta por monarcas de nome forte e significativo ainda quando o mundo achava que a Europa era o centro planeta. Cada Reino, apesar de independente, tinha contratos e acordos para que vendessem e comprassem suas fabricações e mercadorias entre si.
O Reino de Kent contava com as ordens dos monarcas da família Payne — mais precisamente sua Alteza Real, o Príncipe de Kent, Liam Payne. Ele ainda era chamado de príncipe, mas em poucas semanas sua posse como rei iria acontecer, seu pai tinha acabado de falecer e ele era o filho homem que iria assumir o trono. O reino era rico em alimentos, tinha uma agricultura forte e era responsável pelo abastecimento os reinos os quais fazia fronteira.
O Reino de Mércia contava com vossa Majestade real, o rei Niall Horan, que era famoso por ser um homem benevolente e de caráter pacifista, apesar de ter o exército mais poderoso dos Sete Reinos. Costumavam dizer que era um rei famoso por sua inteligência e boas estratégias em guerras. Era um exímio jogador de xadrez e apreciador de esgrima e outras esportes que envolviam espadas. Comentários diziam que estava tentando abolir de seu reino as lutas de gladiadores, pois considerava tudo aquilo de muito m*l gosto.
O Reino de Essex era administrado por um algo-saxão bastardo, filho da rainha com um forasteiro, mas acabou se tornando monarca por ser aceito e acolhido pelo rei, seu padrasto que, ao falecer, disse que confiaria o reino em suas mãos. Sua Majestade Real, o Rei Zayn Malik, rei de Essex, era famoso pelas festas e os bailes de gala que costumava dar. Era um rei que gostava de ostentar, tinha sempre as melhores vestimentas e sempre fazia questão de ser bom para seus súditos, que tinham uma verdadeira idolatria por ele. Em Essex, Zayn era quase visto como um verdadeiro deus, onde haviam estátuas de ouro e templos com seu nome nas mais diversas partes remotas do reino. Era um rei popular e que tinha fama de impedir conflitos e firmar acordo nos lençóis de seus próprio quarto, onde fazia homens e mulheres suspirarem, era de onde a fama de ser excelente amante tinha surgido.
Os Reinos de Ânglia Oriental, da Nortúmbria, de Sussex eram governados por Câmaras de Lordes, não tinham monarcas, eram longe demais para serem importantes e faziam poucos negócios com os outros quatro, suas fronteiras não eram exatamente muito conhecidas pelos outros monarcas que apenas sabiam histórias obscuras daqueles locais, nada parecia muito concreto e geralmente tudo era um grande mistério.
O Reino de Wessex, beneficiado pela saída para o mar, contava com essa bênção e essa maldição ao mesmo tempo. Era considerado fácil demais de ser atacado por causa do mar, por isso a família há anos havia investido em construção marítima, navios cargueiros e era o reino que fazia o transporte de mercadorias por mar e por terra. O soberano do reino era conhecido por sua beleza e simpatia, atendia pelo nome de Harry Styles e, por mais que fosse rei desde os 15 anos, ainda não havia se adaptado ao título e às regalias. Agora, prestes a completar 21 anos, era obrigado a casar-se como mandava a tradição de família — que dizia que todos os homens deveriam casar aos 21. Não tinha mais seus pais por perto, mas os Conselheiros do Reino eram como se fosse sua família, eram os responsáveis pelas boas decisões tomadas por Harry desde muito jovem.
Era um grande espadachim, sua fama de guerreiro corria os Sete Reinos e era respeitado como Comandante de Guerra, pois não era o tipo de rei que mandava seus soldados para morrer em seu nome: ele sempre os acompanhava na batalha e lutou lado a lado na última guerra contra o rei dinamarquês Sueno I.
Era verão e ele não gostava de ficar trancado dentro do castelo. Apesar de rei e estar constantemente cercado por sua Guarda Real, considerava-se um homem sozinho, de poucos amigos e poucas pessoas em quem confiar. Talvez sua irmã mais nova, Gemma, fosse sua única real companhia, mas a moça estava passando férias na Normandia, ao sul dos Sete Reinos, e voltaria apenas para a festa de aniversário de seu irmão, que seria em dois dias.
Observava o mar com ares sonhadores. Tinhas as duas mãos nas costas, a postura perfeita de um homem rico e bem educado — Styles era famoso por sua beleza, considerado pelas solteiras dos Sete Reinos como o homem mais bonito dentre todos os monarcas dos reinos. Pensava que deveria tomar uma esposa, apesar de sua fama por preferir companhias masculinas correr na boca do povo, mas não costumava mesmo ser segredo para ninguém.
— Majestade. — Um de seus guardas se aproximou com cuidado. Styles apenas olhou com atenção, virando-se na direção do soldado.
— Pois não, Sir Agravaine? — Harry tinha um tom de voz doce e ao mesmo tempo autoritário. Era algo que chamava a atenção nas pessoas, como se ele realmente tivesse nascido para governar.
— Há uma senhora insistente, uma plebéia, que quer lhe falar. — O Guarda disse escolhendo as palavras. Não gostava de perturbar o rei com aquele tipo de coisa, afinal, sempre tinha alguém querendo falar com ele. Mas a mulher realmente seguiu a cavalaria durante o dia inteiro, dizendo constantemente que não iria embora sem falar com Styles.
Harry olhou de longe e, entre seus soldados, viu uma senhora jovem, provavelmente deveria ser mais jovem do que aparentava, mas era pobre, m*l cuidada e não usava roupas nobres. Seu saião lembrava a cor do café e ela tinha alguns panos desbotados num tom de vermelho, que amarrava para fazer parecer uma blusa. O véu em sua cabeça indicava que era viúva.
— Peça que se aproxime. — Styles girou o corpo ficando de frente para sua guarda e para a mulher, que teve sua passagem liberada pelos guardas.
Ela quis comentar, mas não disse, o quanto achou aquele homem deslumbrante. Seus cabelos cheios e cacheados davam um ar exótico ao seu rosto, que era lívido e o fazia parecer mais jovem do que de fato era. Era um homem alto que usava botas de combate quase todos os dias e sua vestimenta apresentava alguns poucos fios de ouro no colete preto. Usava calças de couro cru e tinha olhos verdes bondosos.
— Em que posso ajudar, senhora? — Ele perguntou devido ao silêncio dela, que parecia apenas contemplá-lo petrificada. Ela ajoelhou-se em respeito antes de começar a falar e desviou os olhos dele, como se não fosse digna de olhar nos olhos daquele homem.
— Sua Majestade, não venho tomar muito de seu tempo. — Ela disse educada e Harry lhe estendeu a mão.
— Por favor, levante-se. — Ele disse calmo, com um sorriso quase imperceptível. — Não há necessidade para formalidades. — Ela titubeou antes de tocar as mãos dele, nua e sem luvas, como se achasse que suas próprias mãos m*l cuidadas fossem machucá-lo. Mas, com cuidado, ela aceitou a ajuda do rei e voltou a ficar em pé. — Como se chama?
— Johanna. — Ela respondeu ainda um pouco insegura, mas percebendo que as histórias que contavam sobre a bondade do rei eram verdadeiras.
— Diga o que deseja, Johanna. — Ele voltou a falar, tentando fazer aquela mulher sentir-se menos intimidada.
— O reino todo está comentando sobre sua festa de aniversário, majestade. — Ela começou abrindo um sorriso tímido. — E que estás abrindo o salão de baile para todos na hora do almoço e das danças.
— Mas é claro que sim, meu povo é importante e gostaria de tê-los me prestigiando. — Ele explicou calmo. — Imagino que a senhora vá comparecer.
— Sim, majestade. — Ela respondeu desviando o olhar, mas sorrindo mais aberto. — Eu gostaria apenas de lhe fazer um pedido.
— O que quiser. — Styles sorriu imaginando que aquilo deveria se tratar de algo tão simples pra ele, mas que deveria significar muito para ela.
— Eu gostaria que meu filho cantasse uma música em sua homenagem. — Ela disse orgulhosa e Harry surpreendeu-se ao ouvir aquilo. — Todos dizem que sua voz é angelical e muito bonita. Então sugeri a ele que, como presente, pudesse oferecer-lhe uma música durante a festa.
Harry sorriu ainda mais com aquele pedido. Era algo inusitado e tão puro que sabia que dinheiro nenhum compraria aquilo. Tudo bem que, em sua cabeça, o tal filho de Johanna deveria ser uma criança de dez anos.
— Eu adoraria ouví-lo cantar, Johanna. — O rei respondeu tocando os ombros da mulher. — Vou ficar feliz se vierem à festa.
— Obrigada, majestade. — Ela m*l conseguia se conter ao ouvir aquilo. — Louis irá ficar imensamente honrado.
— Eu mesmo já estou. — Ele disse simpático assim que a mulher curvou-se educadamente para agradecê-lo.
— Que os deuses o protejam, majestade. — Ela disse recebendo um sorriso sincero de Styles como resposta. — Adeus.
— Adeus, Johanna.
Styles observou aquela mulher se afastar com tanta alegria que sentia que aquilo era o motivo pelo qual havia se tornado rei: para dar alegria e servir seu povo. Muitos conselheiros foram contra a festa aberta ao público, mas Styles não via motivos para dar uma festa para meia dúzia de nobres falarem sobre política e contratos. A última coisa que ele precisava era de mais pressão. Seu aniversário deveria ser celebrado como mais um ano de vida e não mais um ano de cobranças sobre esposas e herdeiros. Estava decidido a não deixar tradições antigas atrapalharem o caminho de seu destino.
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— Eu não acredito que a senhora fez isso, mãe! — Louis Tomlinson era um homem calmo, tranquilo, realmente passava longe de qualquer coisa que o metesse em confusão e que exigisse dele um pouco mais de habilidade social.
— Pois saiba que o rei adorou a ideia! — Johanna não se sentia i********e pela desaprovação do filho quanto a aquele pedido. Sabia que ele era tímido, mas se os deuses haviam lhe dado aquele dom, ele deveria compartilhar com as pessoas.
— Eu não estou acreditando que a senhora foi perturbá-lo! — Louis arrumava-se para voltar ao trabalho após o almoço. Era o ferreiro do reino, assim como fora seu padrasto, que tinha falecido há cerca de três anos. Nunca conhecera o pai, sua mãe dizia que ele morreu antes de Louis nascer. — O rei é um homem atarefado, mãe.
— Ele estava na praia, Louis. — Ela contra-argumentou. — Estava sozinho e não estava fazendo nada. Demorei para conseguir falar com ele, seus guardas não deixavam que eu me aproximasse. — Johanna contava a história enquanto terminava de arrumar as louças que havia usado para cozinhar. — Mas fui persistente, esperei por ele no castelo e depois o segui até o Parlamento, depois ele voltou ao castelo, aí saiu para sua caminhada e então parou na praia.
— A senhora seguiu o rei por aí, mãe? — Louis terminou de ajeitar as calças de couro nada ornamentadas que usava para trabalhar. Sua blusa era feita de uma lã pesada, para se proteger das faíscas que soltavam do metal quando ele forjava espadas e tantos outros materiais. Era um homem forte, habilidoso e extremamente inteligente. — Eu não estou acreditando.
— Louis, você precisa ser um homem mais incisivo, assim como eu. — Ela dizia ignorando completamente os comentários incrédulos do filho. — Além do mais, tenho certeza que o rei vai lhe aplaudir. — Ela realmente tinha muito orgulho do filho.
— Eu vou trabalhar. — Louis disse com o olhar cansado, realmente não adiantava discutir com sua mãe e, aparentemente, ela já havia tomado a decisão por ele, ele simplesmente não poderia voltar atrás agora que sabia que o rei definitivamente estava esperando que alguém cantasse pra ele em seu aniversário.
— Cuide-se, meu querido. — Ela disse carinhosa e Louis deixou a casa após fechar a porta atrás de si.
Tomlinson era um tanto popular na aldeia, todos o conheciam por ser o único ferreiro dentre os aldeões. Era famoso pela qualidade das armas e pelos detalhes que tinha paciência de acrescentar. Trabalhava todos os dias durante o mesmo horário. Era um homem sério, e as únicas criaturas capazes de lhe arrancar seu melhor sorriso, eram as crianças.
Ele andou entre as pessoas, cumprimentando alguns amigos no caminho até sua ferraria, alguns meninos rodaram em torno deles perguntando se ele teria velhas ferraduras de cavalos com as quais eles pudessem brincar, Louis disse para passarem em sua loja mais tarde que ele lhes daria algumas. Olhou para o céu claro e, abrindo sua loja, murmurava uma melodia que ele mesmo havia inventado.
— Tomlinson! — A voz conhecida de seu melhor amigo Calvin Rodgers, um abegão simplório e um tanto divertido, correu logo atrás de Louis assim que o ferreiro entrou em sua oficina.
— Já disse que suas rodas não estão prontas. — Louis logo respondeu sabendo o que o homem havia vindo fazer ali. — Eu as mandarei quando estiver, não precisa vir me fiscalizar.
— Não estou aqui pra isso. — O homem sorridente entrou na oficina e vestia algo que chamou a atenção de Louis. Usava calças pretas de caça e um colete muito bem atrelado ao seu corpo, parecia ser num tom de vermelho vívido, tecido feito provavelmente por algum artesão persa.
— Onde quer que tenha conseguido, acho melhor devolver essas roupas. — Louis riu brincando enquanto tirava os olhos do amigo para acender o fogo em um de seus fornos para manusear o metal.
— Essas roupas foram presente. — O amigo respondeu orgulhoso. — Emily costurou para mim. — Ele abriu os braços e girou no próprio eixo a fim de exibir melhor seus trajes para o amigo.
— Ela realmente deve estar esperando um pedido de casamento. Esses tecidos são caros. — Louis comentou colocando as luvas pesadas para proteger suas mãos devidamente.
— Eu quero me casar com ela. — Calvin disse entusiasmado, mas ficando mais sério conforme continuava. — Só que… Quero dar a ela uma vida boa, Louis. Quero que ela viva como uma rainha!
— Entendo. — Louis riu da comparação e do ar sonhador do amigo. — Seu negócio anda bem, não há o que se preocupar. — Calvin era o único abegão da aldeia e sempre estava lotado de encomendas. Sua profissão consistia em fazer charretes para a rede de transportes do reino, era praticamente um contratado do rei. Ele tinha acabado de construir a nova charrete do nobre, que lhe pagou um bom dinheiro por ela.
— Mas ainda preciso estar seguro. — Ele respondeu. — E ela sabe das minhas intenções, e a pedirei em casamento quando puder prover para ter uma família. — Ele explicou ainda distraído com as próprias roupas. Sentia-se confortável e feliz, era uma das poucas coisas realmente valiosas que tinha.
Louis olhou novamente para o amigo por alguns segundos e então voltou a concentrar-se em polir uma espada. Ele tinha as encomendas da Guarda Real para entregar e sabia que o dinheiro seria muito bom para ajudar sua mãe. Até pensou que poderia comprar roupas bonitas como a de Calvin apenas para ir à festa de aniversário do rei. Não queria aparecer com suas vestimentas esfarrapadas, lembrando que seu guarda-roupa era quase exclusivamente feito de roupas para trabalhar.
— Minha mãe prometeu ao rei que eu cantaria na festa de aniversário. — Louis continuava conversando enquanto fazia seu trabalho com todo o típico perfeccionismo.
— Está falando sério? — Calvin aproximou-se interessado na história. — Ouvi dizer que os nobres dos Sete Reinos irão comparecer.
— Já estava mesmo esperando. — Tomlinson deu-se conta por um momento de sua própria insegurança. Ele costumava cantar apenas para sua mãe, para amigos próximos e algumas crianças. De repente, cantar para todos os reis era algo que lhe assombrava.
— Ouvi dizer que o rei Zayn está trazendo quase sua corte inteira para a festa. — Calvin dizia com os olhos brilhando. Todas as vezes que o monarca de Essex fazia suas aparições, eram verdadeiros espetáculos. Ele trazia dançarinas, música, muita comida e distribuía jóias entre os aldeões. Era quase uma celebridade em qualquer lugar que fosse. — Dizem que ele tem uma ligação especial com o deus Dionísio.
— Ele é só um homem, Calvin, pare de acreditar em bobagens. — Louis disse rindo pela seriedade com que Calvin usava a expressão. Muita gente realmente acreditava que Zayn era uma verdadeira entidade para o deus grego Dionísio. — E é claro que ele vai vir, correm as más línguas que ele é um dos grandes amigos de Harry.
— Espero que eu consiga chegar perto dele, quem sabe ele me dê uma jóia. — Calvin era mesmo o tipo de pessoa que fazia planos com o que nem tinha, só pro caso de já saber o que fazer quando tivesse. Louis divertia-se muito com as histórias dele.
— Acha mesmo que todos os nobres virão? — Louis perguntou interessado, mais por sua timidez em se apresentar em frente a todos eles, do que com o mesmo interesse de conseguir algo, como Calvin.
— O rei Niall com certeza virá, ele nunca falta aos aniversários do rei. — Calvin continuava. — Mas na aldeia correm boatos de que o príncipe Liam não havia confirmado sua presença, pois sempre costumava evitar estar nos mesmos lugares que o rei Zayn. — Calvin sussurrou a última parte, como se realmente alguém pudesse ouví-lo. — Mas não gosto de falar sobre essas fofocas, pode ser que Dionísio se enfureça por estarmos falando do rei Zayn! — Seus olhos estavam tão aterrorizados por um momento que Louis realmente riu.
— Rei Zayn não é uma entidade dos deuses! — Tomlinson repetiu pacientemente. — Pare de usar o nomes dos deuses dessa forma, é bem provável que eles se enfureçam mesmo, mas é porque você está associando um deles a um mortal. — Louis não acreditava muito naquilo, mas sabia que seria o suficiente para assustar Calvin, que levava a mitologia grega muito a sério.
— Pare de dizer essas coisas, Tomlinson! — Calvin esbravejou num sussurro, mas tudo que Louis fez foi voltar a rir. — Não me rogue pragas!
— Me deixe trabalhar, Calvin. — Louis disse ainda sorrindo, enrolava uma espada pronta em um pedaço de couro para proteger o objeto e proteger a si mesmo, pois estava extremamente afiada de ambos os lados.
— Pois trabalhe! De preferência nas minhas rodas! — O amigo disse enquanto deixava a oficina de Tomlinson com todo cuidado para não tocar em nada que pudesse estragar sua roupa. Louis riu ao ver a cena, ele realmente parecia se esforçar para andar por aí como se fosse um nobre ou alguém importante.
Era verão mas o sol não estava a pino, era difícil que dias muito ensolarados e quentes se fizessem presentes em qualquer parte dos Sete Reinos. Ainda assim, enfiado naquela oficina durante boa parte de seu dia, cercado de fornalhas e uma máscara de metal para lhe proteger o rosto e olhos, Louis não conseguiria escapar do suor e da poeira do chão batido de sua loja. Tinha o rosto manchado por pó de metal e os cabelos estavam desgrenhados. Suas mãos passavam longe de serem delicadas e as unhas acumulavam uma sujeira escura.
Ainda assim era um homem feliz em seu trabalho e em sua profissão, Andava há meses pensando em chamar um aprendiz pra lhe ajudar com o serviço, que estava ficando a cada dia mais pesado, com o excesso de encomendas e pedidos. Tinha que admitir que o rei lhe tinha dado uma oportunidade grande de fazer um bom dinheiro quando pediu novas espadas para os doze cavaleiros de sua Guarda Real. Finalmente tinha terminado a última delas e estavam todas absolutamente impecáveis. Finalmente, poderia começar a trabalhar nas rodas para as charretes de Calvin.
O dia se passou normalmente em sua ferraria. Crianças apareceram durante toda a tarde para brincarem com ferraduras e tantos outros tipos de brinquedos que Louis construía para eles. Calvin fazia cavalinhos de madeira — por ser um excelente carpinteiro — e Louis ornamentava os objetos com pequenas celas e até rodinhas para que os meninos puxassem os brinquedos com um pedaço de barbante. Era a única coisa em sua vida que sabia que dinheiro nenhum compraria: o sorriso daquelas crianças que pareciam mais felizes com pequenos cavalos de madeira do que com qualquer moeda de ouro em mãos.
— Ferreiro! — Louis ouviu uma voz grave chamar-lhe da porta de sua oficina. Cessou o barulho do martelo que usava para moldar uma bigorna e tirou a máscara que cobria seu rosto.
Ele não respondeu, apenas tirou as luvas e foi para a porta de sua oficina, deixou a máscara presa na cabeça, apenas levantando-a do rosto. Reconheceu a capa vermelha do soldado que lhe chamou, ornamento típico usado pela Guarda Real. O homem usava uma armadura de prata que lhe cobria o torso.
— Sir Gawain, da Guarda Real. — Ele se apresentou e Louis baixou os olhos em respeito.
— Em que posso servi-lo, senhor? — Tomlinson respondeu sério, voltando a encarar o homem bem maior que ele a sua frente.
— O rei ordenou que buscássemos as espadas que, pelo prazo combinado, deveriam ser entregues hoje. — O homem disse e então Louis viu que ele estava acompanhado de outros cinco cavaleiros.
— Sim, senhor. Estão prontas. — Louis esclareceu fazendo um sinal com a mão de que os homens deveriam seguí-lo. As doze espadas estavam perfeitamente enfileiradas e cobertas por pedaços de couro, protegidas e reluzentes no cabo e no guarda-mão, que eram feitos de prata. A lâmina era de aço e Louis se deu ao trabalho de polir uma a uma, dando um ar espelhado ao material.
Os cinco homens olhavam com cuidado o trabalho de Tomlinson e não esconderam o quanto estavam impressionados. Sir Leonel cochichou algo sobre o rei precisar ver aquilo no momento em que viu seu nome gravado no punho da espada, tornando-a única e pessoal. Um agrado do ferreiro para os homens que protegiam o bom nobre responsável por manter Wessex seguro.
— Colocastes nossos nomes? — Sir Galahad perguntou assim que Sir Leonel apontou seu nome na espada.
— Achei que poderia ser algo significativo, senhor, para diferenciá-los em batalha. — Louis explicou. — Mas se não gostarem, posso refazer.
Os homens se entreolharam e Louis percebeu que os fez sentir importantes por causa de um pequeno detalhe, ganhou a admiração daqueles homens muito facilmente e ficou orgulhoso de si mesmo.
— Está muito bom do jeito que está. — Sir Gawain disse ao tocar sua espada, testar seu balanço e tentar alguns golpes não perigosos no ambiente em que estava. — Bom trabalho, ferreiro.
— Obrigado. — Louis agradeceu modesto e permitiu que os homens levassem as espadas até as bolsas colocadas em dois cavalos para o transporte até o castelo.
Sir Gawain era o chefe da Guarda e puxou cinquenta moedas de ouro presas na sua cintura. Era o exato preço combinado pela confecção das espadas e Louis, muito cuidadosamente, as guardou dentro de sua própria veste.
Assim que subiram em seus cavalos, os soldados deram um último agradecimento com o olhar para o ferreiro e saíram da frente da loja, rumando de volta para o castelo. Louis estava particularmente muito feliz com seu próprio trabalho. Não era de se gabar por seus serviços, mas olhou contente para as moedas de ouro que tanto lhe valiam, não apenas pelo poder de compra, mas eram também uma compensação pelo seu árduo mês de trabalho confeccionando aquelas espadas como se fossem obras de arte.
Voltou a trabalhar nas rodas de Calvin pensando se o aniversário do rei seria sua única oportunidade de realmente poder conhecê-lo pessoalmente e vê-lo de perto. Sempre ouvira falar da beleza dada por Apolo que servia aquele homem, mas nunca tinha conseguido chegar perto dele a fim de poder realmente admirá-lo. talvez deveria comprar um presente para sua mãe como recompensa por ter sido persistente a ponto de realmente dar a ele a chance de honrar o rei com sua voz.