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01| Maldito seja o carma
Minha vida é totalmente planejada.
Tenho tudo planejado até a minha ida para a faculdade de Literatura. Não tenho tempo para imprevisto, pode me chamar de previsível, mas prefiro ter tudo planejado para não ter nenhuma surpresa enquanto traço meu caminho longe de Cornellius. A escola que eu faz perder a cabeça todo dia que entro aqui. Aguentar um bando de garotas mimadas vestindo uniformes azuis de animadoras, agarradas com os sem cérebro dos jogadores de futebol americano, com um ego enorme.
Até que nem todas são ruínas. Tem o meu parceiro de laboratório, Marco, que veio do México. Letícia, minha amiga que empresta livros e Arthur meu melhor amigo e única pessoa que me entende, nesse lugar.
— Você vai ajudar a professora Maria de novo? – Arthur pergunta enquanto cutuco com garfo as minhas frutas.
— Infelizmente. – Reviro os olhos. Amo teatro, amo arte, mas tem que ouvir que não entendem nada de teatro e só querem pontos para faculdade, me desamina.
— Por que você ainda continua com isso? – Ele questiona. Tive a oportunidade de dizer que não faria mais parte do teatro, mas os pontos que eu posso ganhar sendo assistente, ajuda e muito.
— Faculdade. – Repondo, pego um pedaço de melancia e coloco na boca. – Você vai me esperar na final da aula?
— Claro docinho, não deixa você ir sozinho para casa. – Ele estica o braço e aperta minha bochecha. Faço uma careta. – Alerta de. – Avisa.
Olho para trás e vejo os.
O tempo de futebol, junto com os líderes de torcida entrando no refeitório como se mandassem aqui. O que pode ou não ser verdade. Eles são conhecidos por fazer um alvoroço quando chegam em algum lugar. Mas é claro que qualquer plebeu – que são as pessoas não praticantes de algum esporte ou dança – tem sua rei e sua rainha. Que são Samuel e Maggie Cavanaugh, os gêmeos que são amados por todos.
Menos por mim é claro, e por Arthur. Não suporto os dois.
— Eu vou chamar Letícia para sair. – Ele fala, me viro e encontro meu amigo sorrindo.
— Até que enfim. – Letícia é minha amiga de livros, isso porque ela me empresta os livros que precisou e sempre o encontro na biblioteca. Arthur gosta dela há um bom tempo, mas a coragem faltava no meu amigo.
— Achei que já era hora. – Ele dá de ombros.
— Você gosta dela há muito tempo. – Acuso ele apontando o meu garfo em seu rosto.
— Você acha que ela gosta de mim? – Ele pergunta inseguro. Talvez até com medo.
— Provavelmente. – Mas no fundo sei que ela gosta, ela só pediu segredo e mantive minha promessa.
— Ajudou muito. – Ele revira olhos.
Termino de comer minha salada de frutas.
— Eu tenho que ir. – Falo guardando minhas coisas.
— Tudo bem. – Arthur Fala. – Te vejo depois. – Assinto.
Levanto e pego minha bolsa. Não respirar costumo o ar no mesmo ambiente que todos eles.
Saio do refeitório e vou para a biblioteca, me sentir em casa. Entro na biblioteca e sou a minha vez por um cheiro maravilhoso de livros. Ando por entre as mesas com alunos lendo.
Gina, gina. – Escuto alguém me chamar. Procuro entre várias cabeças que levantam, para xingar a pessoa que eu gritou. Letícia está balançando seu braço freneticamente, ela sorri animada.
Ando até ela. Sento do seu lado e sou recepcionada por uma loira sorridente. Letícia tem lindos cabelos loiros e olhos azuis claros. Imaginei que ela estaria aqui.
— Falou com o Arthur hoje? – Ela pergunta tentando subir indiferente.
Sim, sim.
— Falou ele alguma coisa sobre mim? – Sorrio diante de sua pergunta.
— Talvez. – Dou de ombros. Abro o livro e começo a ler, mas Letícia está me olhando como cachorrinho desamparado. – Ele vai chamar para sair. – A loira na minha frente abre um sorriso enorme. Está deixando ela feliz que o assunto morre, mas posso escutar todas as dúvidas que ela tem queimando em sua cabeça. Ela está tão distraída em seus pensamentos, que faz um bom tempo que ela não vira a página do livro que está lendo.
Fico na biblioteca até dar a hora de eu ir para a aula de física, me despeço de Letícia depois do sinal tocar. Estou andando contando os passos que estou dando, com meu olhar fixo nos meus tênis, para não ter de olhar as pessoas. Estou tão concentrada em passar despercebida. Que trombo em algo, ou melhor em alguém. Meus livros param no chão, assim como o plano de não ser notada. Levanto minha cabeça para ver em quem eu trombei. Samuel Cavanaugh.
Maldito seja o Karma.
— Desculpa. – Sua voz é doce, diferente da personalidade que ele demonstra.
Como explicar o capitão de futebol.
Samuel e Maggie são donos de uma beleza incontestável. Temo que ser lindo é obrigatório para fazer parte da família Cavanaugh. Já que os dois são lindos. Samuel é quarterback do futebol americano, ele é considerado o melhor jogador que temos. Dono de uma altura que faz com que minha cabeça tombe para trás para olhá-lo. Samuel tem ombros largos, músculos que sobre saem debaixo do casaco do time, cabelos castanhos escuros e ondulados, que caem sobre suas sobrancelhas negras e grossas, seu queixo tem uma cicatriz que ganhou em uma briga ano passado, seus olhos são pequenos e da coloração que parece mel. Samuel é desejado por todas. Até por mim secretamente.
Mas o ódio que sinto por ele ultrapassa os limites.
Me agacho para pegar meus livros do chão, ele faz o mesmo. Me levanto com minhas mãos segurando os livros forte, Samuel estende um livro e fico olhando para seu rosto. Ele está com o livro estendido esperando que o pegue, e eu estou encarando descaradamente. Seu sorriso aumenta com nossos olhos fixos um no outro.
— Tanto faz. – Dou de ombros e saio.
Entro na sala de aula e sento na minha cadeira de sempre, Samuel entra logo depois com Donna. A garota considerada gostosa por todos. Dona de um corpo de dar inveja até em Maggie que a suporta por serem animadoras, com seus olhos amendoados graciosos e capaz de fazerem qualquer se derreter por ela, Donna tem Samuel em suas garras há muito tempo. Ela quer relacionamento sério, ele quer ter todas em suas mãos. Os dois vivem uma amizade colorida, em que Samuel se diverte mais do Donna, se puder chamar isso de diversão. Me parece que Donna não desistirá de ter Samuel completamente, já que onde quer que você olha, ela está pendurada no pescoço dele. E algo me diz que Samuel não quer a mesma coisa.
Tento ao máximo não olhar em sua direção e ter a certeza de que ele está me olhando. Respirei fundo tantas vezes, que se fosse possível pegar todo o oxigênio da sala. Quando o sinal finalmente toca, suspiro de alivio. Agora tenho aula de teatro, aonde não verei ele.
Entro no auditório encontrando professora Maria brigando com Zach, o garoto que mexe com a iluminação, quando ela quer ser brava ela consegue. E acredite quando eu digo que a senhora de cabelos escuros e pele clara está brava você não quer perto ficar. Ele me olha pedindo ajuda, sorrio e vou até eles.
Gina! – Professora Maria exclama para mim ver. – Pode ir Zachary. – Ela dispensa o garoto que sibila um obrigado. – A gente vai ensaiar para a peça de dezembro, poucas semanas e a maioria não decorosa como falas, você pode ficar e anotar tudo para mim? – Assinto. – Gina Obrigado. – Ela toca no meu braço sorrindo brevemente e sai.
Sento na cadeira, onde tem uma mesa improvisada. Coloco meu bloquinho na mesa e espero começar. As luzes se apagam, enquanto uma central se mantém na professora.
- Bem-vindos, ao ensaio de Romeu e Julieta. Desliguem os celulares, e não falem, agem como se fosse o verdadeiro dia da peça. Obrigado, Obrigado. – Ela sai e a luz apagada.
Abro o livro colocando na parte que eles iram ensaiar. A garota que vai representar Julieta aparece em um vestido lilás longo remendado, creio que não será esse vestido que ela vai usar. A "Julieta" começa como suas falas e presto atenção mais atenção no livro que nela. A garota é realmente boa, porque não esqueceu nenhuma fala, até o "Romeu" entrar. O garoto tem a voz doce como imaginei que um Romeu teria, mas erra cada parte de sua fala. Ergo meu olhar. E nunca pensei que Samuel poderia fazer teatro. Nem sabia que ele sabia ler algum texto que não seja regras do futebol. Preferiria ele lendo regras do futebol que isso que ele está tentando fazer.
— Certo – Professora Maria aparece quando Samuel está engasgado com uma palavra difícil, seguro a risada que está na minha garganta. – Samuel você precisa ensaiar mais, temos dois meses até a peça, então por favor, ensaie garoto. – Ele assente sem graça. Poderia ver uma girafa voando, menos um Samuel sem graça. – Tá certo, dispensados. – Ela nos dispensa com a mão e começa a fazer a Julieta.
Pego como minhas coisas e estou pronto para ir embora. Antes que eu possa passar pelo porta, a professora me chama:
Gina, espere. – Me viro. – Suba aqui.
Assinto e subo a pequena escada que fica no lado do palco.
Samuel! – Ela chama o garoto que também estava saindo pela porta. – Vem aqui. – Fico confuso do que se trata. Observo Samuel andar pelo palco tímido. Nunca vi ele assim. – Já que você – A senhora aponta para o rosto do garoto. – Está péssimo. Percebi que está precisando de ajuda, achei interessante colocar Gina para te ajudar com as falas.
— O quê? – Perguntamos em uníssono.
— Gina, você conhece essa história mais do nada, será uma grande ajuda para Samuel. – Ela fala olhando para mim com os olhos brilhando, ela se vira para olhar para Samuel. Eu seguro para revirar os olhos. – Samuel, eu realmente, realmente preciso de que você seja um Romeu perfeito. – Ela aperta os braços do garoto. – Organize horários. – A professora fala e nos deixa ali sozinhos.
Me viro para ir embora, mas sou impedida por uma mão segurando meu cotovelo.
— A gente tem que ver os dias. – Ele fala-me fazendo virar para encará-lo. Eu solto de sua mão e cruzo os braços.
— Na minha casa, todo dia às 18h, não se atrase. – Aponto para seu rosto, que segura um sorrisinho. – Estou falando sério, se atrase uma vez sequer e não ter minha ajuda.
— Tão brava. – Fala ironicamente. – Eu posso te fazer relaxar. – Ele se aproxima. Tombo minha cabeça para trás, ele sorri malicioso. – Só dizer Gina, que eu faço você relaxar. – Ele toca minha bochecha. E antes que ele poderia me inclinar, dou um paraquedas em sua entrada. –. – Ele pragaja.
-, nunca mais toque em mim! – Grito, corro para a do teatro. Encosto na parede do teatro e tento acalmar meu coração que bate descontroladamente, chega a eu escutar.
Antes que ele possa sair e eu encontrar afetada encostada na parede, vou até o estacionamento. Onde meu amigo está me esperando. Arthur está encostado em seu mustang preto, com as mãos dentro do bolso da jaqueta. Atravesso o estacionamento pragajando baixinho, enfio as mãos trêmulas no meu casaco.
— O que aconteceu? – Ele pergunta quando paro na sua frente.
— Samuel aconteceu.
— O quê? – Insiste.
— Vou ter que ajudar o imprestável a decorar como falas para a peça. – Falo tudo de uma vez.
— Boa sorte, falei para você sair do teatro esse ano. – Eu me lembra.
— Eu sei, é só que eu gosto. – Admito.
— Então aguente. – Ele responde e dá a volta no carro.
Entro no carro e começo a pensar no que houve. A professora falando para eu ajudar Samuel, ele se inclinando para mim beijar. , m***a!
— m***a! – Grito.
— O que foi? – Arthur pergunta olhando para a estrada.
— Ele tentou-me beijar. – Sussurro.
— O quê?
— Samuel tentou me beijar.
Estou cogitando a possibilidade de ele querer mesmo me beijar, a cena do teatro fica passando na minha cabeça várias, e várias vezes. E não vai ajudar se ele vier aqui. Meus pais vão reconhece-lo e vamos muitas perguntas. Levanto da minha cama com a intenção de inventar qualquer desculpa para ele não vir aqui. Pego meu celular dentro da minha bolsa. Não queira saber porque eu tenho o número dele, atos, resultam em resultados.
Eu: Não vai dar para você vir aqui.
Samuel: Primeiro: você ainda tem o meu número? Segundo: Estou me dando o bolo?
Eu: Primeiro: apostar com meu amigo não é uma boa ideia; segundo: acontece um imprevisto.
Samuel: Tem certeza de que não é só o medo mais alto?
Eu: Medo fazer isso? De você? Eu tenho medo de aranhas e não de você.
Eu: Posso te garantir que aconteceu mesmo um imprevisto, desculpe.
Samuel: Você tem medo de eu tentar beijar de novo. Prometo que não vai acontecer de novo.
Eu: Você nunca mais vai encostar em mim, nem tentar.
Samuel: Tão brava Hastings. Vai lá com seu imprevisto.
Jogo meu celular na cama, até parece que tem medo dele. Samuel Cavanaugh não passa de um garoto com o ego inflado. Pensando que ele tentou mesmo me beijar, me deixa quente, mais do que gostaria. A raiva que eu sinto por ele, está apenas aumentando. É bom ele parar ou irei acertar sua história de novo. ,. Pelo menos me livrei dele hoje, mas não pode ficar impedindo que nossa aula não aconteça, se a professora souber ela cortar o meu pescoço. Amanhã irei falar com ela, para tentar mudar a cabeça dela de eu ajudar Samuel. Contestar com ela será impossível, mas vou tentar.