Quando chegaram ao hospital, o motorista estacionou o carro, então Barbara enfim saiu dos braços dele, mas escorou no banco de trás, estava fraca demais.
– Bárbara, consegue andar? – ele perguntou preocupado.
– acho que sim.
– se não estiver bem te levo no colo. – disse ela, em anos não havia precisado ter aquele tipo de cuidado com alguém, mas não estava sendo ensaiado, estava sendo natural, preocupação real.
– tudo bem, eu consigo ir andando.
– vamos. – Otávio,saiu do carro, em seguida ajudou ela a sair, eles deram uns passos juntos, então as pernas dela fraquejaram, mas Otávio a segurou a tempo, ela estava pálida, quase sem consciência, então ele a pegou no colo, ela apenas se acomodou nos braços dele e escondeu o rosto contra o peito dele.
– vai ficar tudo bem Bárbara. – Otávio entrou no hospital a levando no colo, logo em seguida uma enfermeira se aproximou, perguntando o que havia acontecido, Otávio explicou a situação bem por cima, então a levaram para o consultório do médico, ao entrarem ele a colocou na maca, mas antes de se afastar, ela segurou a mão dele, com isso ele ficou ao lado dela.
– o que houve? – o médico perguntou enquanto colocava as luvas para examiná-la, foi então que Bárbara desmaiou sem ao menos responder, o médico se aproximou, então começou a examiná-la, ao verificar a pressão, se deu conta de que estava baixa demais.
– o que está acontecendo? – Otávio perguntou preocupado.
– ainda não sei, desde quando ela está assim.
– a mãe dela faleceu há uns dias, desde então ela tem estado muito triste, não tem se alimentado direito. – contou Otávio.
– ok, vou pedir que a levem para um quarto, vamos medicá-la e fazer alguns exames.
– eu posso acompanha-la? – ele perguntou aflito.
– sim.
Já em um quarto, Otávio estava sentado ao lado de Bárbara, ela havia acordado, mas estava quieta demais, fraca demais, foi então que a enfermeira entrou, levando consigo os materiais pra fazer a coleta de sangue e também a medicação que ela precisaria tomar em seguida.
– eu vou precisar tirar sangue? – ela perguntou demonstrando certo medo.
– sim, e também tem medicação. – Bárbara olhou para Otávio um tanto assustada e se encolheu um pouco na cama.
– está tudo bem? – ele perguntou, ela balançou a cabeça em negação.
– não me diga que tem medo de agulha, nessa idade? – a enfermeira perguntou com certo desdém, o que Otávio notou.
– e se tiver? – ele perguntou cruzando os braços, mas logo em seguida ele se aproximou da cama ficando ao lado dela. – não se preocupe Bárbara, vai ficar tudo bem, suponho que fará um bom trabalho, não é? – Otávio perguntou olhando a enfermeira com seriedade, ela percebeu que ele não havia gostado da conduta dela, então balançou a cabeça afirmando, enquanto ele acariciou o rosto de Bárbara, então a enfermeira deu início ao processo, Bárbara manteve os olhos fechados por todo o tempo, quando terminou, a coleta de sangue, colocou o cateter intravenoso e logo começou a passar o soro.
– pronto, se precisarem de algo é só chamar.
– disse a enfermeira, logo em seguida saiu.
– está bem? – ele perguntou.
– não muito. – disse ela, as bochechas estavam agora vermelhas, de vergonha.
– medo de agulha?
– sim, um pouco, quando eu era criança uma enfermeira m*l preparada quebrou uma agulha em mim enquanto aplicava uma injeção, por sorte a ponta ficou pra fora e o médico conseguiu puxar com uma pinça, mas desde então fico receosa.
– é compreensível.
– Otávio, me ajuda a sentar, tô me sentindo enjoada. – era efeito das vitaminas presentes no soro, ele a ajudou a sentar, como estava mole, se agarrou a ele em um abraço que ele retribuiu.
– podemos conversar um pouco?
– claro.
– eu sei que está sendo difícil, pra mim também está, Mariana era a única pessoa que eu tinha, mas você não pode se deixar vencer, pensa em como doeria nela te ver assim, ela não pediu que eu cuidasse de você a toa, ela queria que você tivesse apoio, uma vida digna, boas oportunidades, ela pode até não estar mais aqui, mas pode ter certeza que onde ela estiver, está te vendo, encha ela de orgulho, mostre a garota forte que você. – disse ele em um tom ameno e acolhedor. – você não está sozinha, ok. – ela assentiu com a cabeça e o apertou mais forte.
– obrigada Otávio.
– talvez eu tenha deixado você desocupada demais, talvez se ocupasse mais a mente, não sei, talvez algum curso, um passeio, compras talvez, academia, que tal academia, pode ir comigo.
– sério, academia? Eu iria desmaiar lá. – disse ela o fazendo rir.
– não precisa ser agora, mas você precisa ocupar a mente, só ficar dentro daquele quarto não tá te fazendo bem.
– você tem razão, prometo que vou melhorar.
– faz isso por você Baby. – ele sussurrou, enquanto acariciava o rosto dela.
– me chamou de Baby?
– seu apelido, não é? – ele disse enquanto reparava o quão azuis eram os olhos dela, ainda acariciando sua bochecha rosada, aquele ato não tinha segundas intenções, apenas cuidar a garota que sua irmã havia amado como uma filha, mas ia além do que imaginava, sua mente vacilava entre a ideia de cuidar e o fato de o quanto a vida havia sido c***l com aquela doce garota que parecia vestida de doçura e inocência, mas então o celular dela tocou, indicando uma notificação, e enfim se soltaram.
– o enjôo passou, me ajuda a deitar?
– claro. – ele a ajudou, em seguida ela pegou seu celular e viu ser uma mensagem de seu namorado que dizia “saudade de você, em três dias estou indo te ver” ela sorriu, ele reparou obviamente. – o que te fez se animar? – ele perguntou.
– meu namorado vem me ver em três dias. – ele sorriu, então disse.
– um bom motivo pra você decidir se recuperar rápido, não é?
– sim.
– a quanto tempo estão juntos?
– três anos. – disse ela.
– e quantos anos ele tem?
– vinte e um.
– se quiser ele pode ficar em casa.
– sério?
– sim. – disse ele, aquilo parecia um incentivo pra ela buscar se recuperar, focar em si, na sua vida.
– obrigada, eu vou falar com ele.
– vai contar a ele que está no hospital? – Otávio perguntou.
– melhor não, não quero preocupá-lo.
Quando os resultados dos exames saíram, o médico passou pra ver como ela estava, Bárbara dormia tranquilamente, efeito da medicação, então ele chamou Otávio no corredor para que pudessem conversar.
– e então, o que deu nos exames?
– nada sério, apenas uma pequena deficiência de vitamina b12 e c. – Bárbara era uma garota saudável, mas com o problema de sua mãe, ela descuidou de si mesma. – mas não é nada sério, não se preocupe, ela ficará bem, irei receitar umas vitaminas para que ela tome em casa, poderia me falar um pouco mais do que aconteceu com ela.
– claro, Bárbara morava com a mãe, minha irmã, eram só as duas, quando minha irmã descobriu um câncer, Bárbara abdicou de tudo para poder cuidar dela, mas então minha irmã faleceu e isso mexeu demais com Bárbara, faz duas semanas, desde então Bárbara não come e não dorme direito.
– entendo, realmente não é nada alarmante, apenas fraqueza e cansaço mental, além das vitaminas irei receitar um fitoterápico pra que ela tenha boas noites de sono.
– perfeito, ela já pode ir pra casa? – Otávio perguntou.
– sim, mas se caso ela não reagir, será importante que a levem a um psicólogo.
Após a conversa com o médico, Otávio retornou ao quarto e acordou Bárbara, como ela já havia recebido alta, só precisaram esperar a enfermeira tirar o acesso intravenoso, logo em seguida foram embora, pelo caminho, dentro de um Uber, Bárbara se encostou nele, era o tipo que gostava de contato, proximidade, ele nada disse, apenas a deixou repousar a cabeça em seu ombro.
– como se sente? – ele perguntou.
– cansada, com sono.
– chegando em casa vai comer algo e descansar. – ela apenas assentiu e fechou os olhos.
Quando chegaram a casa, Bárbara dormia tranquilamente com a cabeça apoiada no ombro dele, ele a chamou mas ela não despertou, então ele chamou mais alto.
– Bárbara, chegamos.
– chegamos? – ela perguntou sonolenta se encostando desta vez no banco.
– sim, vem. – disse ele enquanto saia do carro, mas ela permaneceu no mesmo lugar, cochilando, o que o fez sorrir e balançar a cabeça em negação, enquanto isso o Uber olhava, apenas os esperando sair pra poder ir, então Otávio abriu a porta do lado dela, soltou o cinto de segurança, então a pegou no colo.
– eu ia sair. – ela disse.
– sério? Porque estava mesmo era cochilando. – ela riu e apenas escondeu o rosto no peito dele, se deixando levar.
Já em seu quarto, Bárbara estava deitada, olhando para o porta retratos em cima da mesinha de cabeceira, nele tinha uma foto sua e de sua mãe, ela suspirou então disse.
– Otávio tem razão, a vida precisa seguir, você gostaria que fosse assim, mãe, prometo que vou te encher de orgulho tá. – então Otávio passou pela porta levando uma bandeja.
– aquele corante em caixinha que tem na geladeira é seu? – ele perguntou em um tom divertido.
– corante em caixinha? – ela perguntou confusa.
– sim, esse aqui. – disse ele mostrando um suco de caixinha sabor morango, o que a fez rir.
– bobo, ele é gostoso, pedi pra Leila comprar pra mim, ela estava preocupada por não estar comendo direito.
– quando vi na geladeira imaginei que seria seu, então trouxe, trouxe também uma fatia de bolo pra você, vai dormir melhor depois de comer algo. – ela suspirou o olhando com admiração, então começou a dizer algo, mas parou.
– não entendo…
– o que?
– esquece. – disse ela desviando o olhar.
– fala. – disse ele colocando a bandeja sobre o colo dela.
– você é bom cuidar, pena estar tão sozinho. – ele suspirou, entendia o motivo dela ter travado no que ia dizer, sabia que ela não queria remexer em coisas que o afetavam.