Alguns dias se passaram, Otávio se fez mais presente, por vezes ainda era frio e distante, mas ela o entendia, e não cobrava, sabia que ele estava se esforçando pra construir uma relação com ela, mas mesmo assim, seguia triste, a perda de sua mãe estava sendo dolorosa demais, sentia falta dos abraços, dos carinhos, de quando ela a chama de “minha doce Baby” e Otávio, como estava tentando se aproximar, estava notando a melancolia dela, a tristeza estampada em seu rosto a todo instante.
Era tarde quando Otávio voltou para casa, pela manhã não havia visto Bárbara, estava preocupado com ela, então decidiu perguntar por ela a Roger.
– Roger, onde está Bárbara?
– no quarto Otávio, na verdade não saiu de lá o dia todo, nem mesmo comeu, ela parece sempre tão triste, é de partir o coração, e me preocupa também, ela não tem se alimentado direito.
– Também reparei nisso, ela está até mais magra, eu vou falar com ela, entendo que está sendo difícil, mas ela precisa ao menos se alimentar.
Otávio seguiu em direção ao quarto de Bárbara, então bateu na porta mas não obteve resposta, do outro lado, ela chorava silenciosamente agarrada ao travesseiro, se perguntando porque a vida tinha sido tão c***l, primeiro lhe dando uma mãe que a abandonou ao nascer e depois, levando a mãe amorosa que a criou.
– Bárbara, está aí? Podemos conversar? – ele perguntou em um tom ameno, então ela suspirou e respondeu.
– pode entrar. – ele assim fez, entrou e a viu ali, tão desolada, tão abalada, ele caminhou em passos lentos até a cama e sentou-se na beirada.
– Bárbara, está tudo bem? – ela apenas balançou a cabeça em negação e sentou-se na cama.
– tentei ser forte, mas não tá funcionando. – ela disse chorosa, ele se aproximou um pouco mais e lhe acariciou o rosto.
– eu estou aqui ok, aos poucos isso vai melhorar. – disse ele, então ela se aproximou um pouco mais, e se colocou nos braços dele em um abraço, ele logo retribuiu e a viu suspirar, como se sentisse um enorme alívio com aquele ato de acolhimento, ele percebendo que ali, ela estava se acalmando, passou a lhe acarinhar os cabelos.
– minha mãe fazia isso. – ela sussurrou, e ele logo a respondeu.
– eu não sou ela, mas farei o possível para que fique bem Bárbara.
– obrigada. – ela sussurrou e o silêncio se estabeleceu, aos poucos o choro dela foi cessando, mas o abraço permaneceu por longos minutos, até que ela se soltou dos braços dele, mas não se afastou, ela apenas deitou-se apoiando a cabeça no colo dele.
– está bem? – ele perguntou ao ver que estava pálida, até meio mole.
– não muito, me sinto zonza, não tenho dormido bem, estou tão exausta.
– e também não tem se alimentado direito, vou pedir que tragam algo pra você.
– agora não, só fiquei aqui um pouco mais. – disse ela, ele suspirou, então ficou, apenas em silêncio, lhe afagando os longos e macios cabelos loiros. Deitada ali no colo de Otávio, vencida pelo cansaço e pela fraqueza, Bárbara acabou adormecendo, ele a vendo tão calma e quieta, a deixou ali, e aquilo não era nenhum sacrifício doloroso, na verdade era como uma redescoberta, de si mesmo, de quem verdadeiramente era.
Bárbara ficou por cerca de uma hora deitada no colo dele, dormindo como a dias não dormir, ele permaneceu imóvel, a acalmando com sua presença silenciosa, foi então que viu Roger passar pela porta que estava aberta.
– trouxe um lanche pra ela. – disse ele em um tom baixo ao ver que ela dormia.
– ela está mesmo precisando. – disse Otávio, então Roger colocou a bandeja sobre a cama e saiu, logo Otávio tratou de acorda-la. – Bárbara, Roger trouxe um lanche pra você.
– eu dormi? – ela perguntou enquanto passava a mão pelos olhos.
– sim.
– quanto? – ela perguntou enquanto saia do colo dele.
– uma hora talvez.
– desculpe, você deve ter o que fazer.
– Roger te trouxe um lanche, come um pouco, você está pálida, fraca.
– estou sem fome.
– precisa comer. – disse ele pegando a bandeja e colocando no colo dela, ela suspirou em rendição e começou a comer, devagar, mas seu estômago não aceitou bem e logo ficou enjoada e zonza também.
– não tô me sentindo bem. – disse ela, Bárbara suava frio, suas mãos tremiam, então Otávio retirou a bandeja do colo dela em seguida a ajudou a deitar.
– vou pedir que preparem o carro, vou te levar no médico. – disse ele de forma firme.
– não precisa, eu vou ficar bem.
– eu não perguntei se você queria ir Bárbara, faz dias que você não come direito, não dorme direito, não vou deixar você ficar assim. – ela suspirou em rendição, em seguida disse.
– tudo bem. – após comer um pouco, Bárbara foi para o banheiro, vomitar, seu estômago não recebeu bem a comida, o que deixou Otávio ainda mais preocupado, então se apressou para levá-la ao médico.
Já no carro, Bárbara estava zonza, seu corpo quase sem forças, instintivamente ela escorou em Otávio que estava no banco traseiro junto a ela, e aos poucos foi escorregando para os braços dele que a amparou, a segurando com cuidado quase em um abraço, o corpo dela tremia, assim como suas mãos, que sem intenção, deslizou pelo peito dele, se acomodando na barriga, sentindo os gomos, mas não estava nenhum pouco interessada nisso, ele tampouco.
– como está se sentindo?
– nada bem, meu estômago dói.
– já estamos chegando ok.