O dia seguinte amanheceu pesado. A confusão da noite anterior ainda pairava no ar como uma sombra. Leticia estava na cozinha, mexendo distraidamente em uma xícara de café, tentando ignorar o turbilhão de sentimentos que a consumia. O beijo de Enzo ainda queimava em sua memória, misturado à raiva e à dor. Enzo entrou no cômodo sem anunciar, como sempre fazia. O silêncio entre eles era quase palpável. Ele abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água e se recostou no balcão, observando-a. — Dormiu no quarto de hóspedes? — perguntou, seco. Leticia não levantou os olhos. — Sim. Como você mandou. Ele assentiu, bebendo um gole de água. — Melhor assim. O silêncio voltou, pesado. Leticia finalmente ergueu o olhar, encarando-o com firmeza. — Você acha que pode resolver tudo com ordens, Enzo.

