Capítulo 16 – O Choque

842 Words
Enzo atravessava os corredores do St. Thomas’ Hospital com passos apressados, o coração disparado. O cheiro de desinfetante misturado ao som de passos apressados e vozes abafadas criava uma atmosfera sufocante. Cada segundo parecia uma eternidade. Ele não sabia o que iria encontrar, apenas sentia o peso da culpa esmagando seus ombros. Na recepção, uma enfermeira se aproximou. — O senhor é Enzo Mancini? — Sim. Minha esposa, Leticia… onde ela está? — O Dr. Collins está aguardando o senhor. Vou acompanhá-lo. Conduzido pelos corredores brancos e frios, Enzo finalmente encontrou o médico. O Dr. Richard Collins, de semblante sério, estendeu a mão. — Senhor Mancini, sou o responsável pelo caso de sua esposa. — O que aconteceu com ela? — perguntou Enzo, a voz trêmula. O médico respirou fundo antes de responder. — Sua esposa sofreu um pico de glicemia, provavelmente causado por estresse ou por uma sobrecarga no sistema nervoso. Ela desmaiou, mas foi socorrida a tempo. No mais, está estável. Enzo fechou os olhos por um instante, tentando absorver as palavras. — Então… ela vai ficar bem? — Sim. — disse o médico, com firmeza. — O desmaio e o pico de glicemia não afetaram o bebê. O mundo de Enzo parou. Ele arregalou os olhos, sem compreender. — Bebê? Dr. Collins assentiu. — Sua esposa está grávida, senhor Mancini. Ela não fazia ideia, mas os exames confirmaram. O choque foi devastador. Enzo sentiu o chão desaparecer sob seus pés. A briga, as p************s, a ausência… tudo parecia ainda mais c***l diante daquela revelação. Leticia estava grávida, e ele não sabia. — Ela… grávida… — murmurou, quase sem voz. — Exatamente. — continuou o médico. — O bebê está bem, mas vamos mantê-la internada por alguns dias para monitorar. O corpo dela precisa se recuperar, e também precisamos garantir que o estresse não volte a afetá-la. Enzo levou as mãos ao rosto, tentando conter a avalanche de emoções. Culpa, medo, surpresa, tudo se misturava. Ele se sentia pequeno diante da notícia. — Eu não sabia… — disse, quase para si mesmo. Dr. Collins colocou a mão em seu ombro, em tom profissional, mas humano. — Agora você sabe. É uma nova realidade. O mais importante é que ela está bem, um pouco anêmica, e o bebê está também. Enzo assentiu, ainda em choque. — Posso vê-la? — Claro. Mas ela ainda está sedada, pois estava bastante agitada. O médico o conduziu até o quarto. Ao entrar, Enzo viu Leticia deitada, pálida, conectada aos aparelhos. O contraste entre a mulher vibrante que ele conhecia e aquela figura frágil o devastou. Aproximou-se lentamente, segurou a mão dela e sentiu o peso da responsabilidade cair sobre si. — Você está grávida… — murmurou, olhando para ela, mesmo sabendo que não podia ouvi-lo. O quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. O som constante dos monitores preenchia o ambiente, marcando cada batimento, cada respiração. Leticia abriu os olhos lentamente, confusa, sentindo o peso da fraqueza em seu corpo. A primeira imagem que viu foi Enzo, sentado ao lado da cama, com o semblante fechado e os olhos fixos nela. — Você acordou… — disse ele, a voz baixa, quase contida. Ela piscou algumas vezes, tentando entender onde estava. — O que aconteceu? Enzo respirou fundo, como se buscasse forças para falar. — Você desmaiou no hotel. Te trouxeram para cá. O médico disse que foi um pico de glicemia… causado pelo estresse, e como você estava muito agitada o médico achou mechou sedar voce. Leticia franziu o cenho, ainda confusa. Ele hesitou, mas continuou. — E… você está grávida. As palavras pairaram no ar, pesadas, quase irreais. Leticia arregalou os olhos, surpresa. — Grávida? Eu… eu não sabia. — Descobrimos agora. — respondeu Enzo, seco, sem emoção. O silêncio se instalou entre eles. Não houve lágrimas, nem abraços. Apenas o peso da revelação. Leticia virou o rosto para o lado, tentando processar. Enzo apertou os punhos, o olhar duro, ela não falou nada apenas ficou olhando o vazio do quarto. Após alguns minutos que para ele foi uma eternidade ela o encarou, falando com a voz trêmula. — E o bebê? — O médico disse que está bem. — respondeu, firme. — Mas você vai ficar aqui alguns dias, ele quer fazer alguns exames. Leticia fechou os olhos, sentindo uma mistura de medo e insegurança. O silêncio voltou a dominar o quarto. Ambos estavam ali, lado a lado, mas distantes. O choque da gravidez, somado ao peso da briga, criava uma barreira invisível entre eles. Não havia declarações de amor, apenas a realidade nua e crua: um bebê estava a caminho, e nenhum dos dois sabia como lidar com isso. Enzo permaneceu sentado, olhando para ela, mas sem se aproximar. Leticia, deitada, encarava o teto, tentando entender como sua vida havia mudado em tão poucas horas. Naquele quarto de hospital, o futuro parecia incerto. O bebê era uma nova vida, mas também uma nova responsabilidade. E entre eles, o frio silêncio dizia mais do que qualquer palavra.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD