A madrugada já se transformava em manhã quando Enzo e Leticia deixaram a boate. O céu começava a clarear sobre Monte Carlo, tingindo o horizonte com tons de rosa e dourado. O ar fresco contrastava com o calor da pista de dança, onde eles haviam se perdido em movimentos cada vez mais próximos, sensuais, embalados pela música e pela química que crescia a cada toque.
Enzo a conduziu até o carro estacionado diante da entrada principal. Não era um carro qualquer: um Lamborghini Gallardo, n***o como a noite, com linhas agressivas e elegantes. O ronco do motor, ao ser ligado, parecia anunciar poder e velocidade. O interior era luxuoso, couro macio, detalhes cromados, e o perfume discreto de Enzo impregnava o espaço, misturando-se ao cheiro de gasolina e mar.
Leticia deslizou para o banco do passageiro, ainda rindo, os olhos verdes brilhando sob a luz suave do amanhecer. O vestido verde, agora um pouco amarrotado pela dança, realçava sua silhueta delicada. Enzo, ao volante, lançou-lhe um olhar sedutor, aquele sorriso que parecia carregar tanto perigo quanto promessa.
— Sai bellissima… — murmurou, sem desviar os olhos dela.
Leticia sentiu o coração acelerar. O álcool suave ainda lhe dava leveza, mas era a presença dele que a fazia sentir-se diferente, viva.
O carro deslizou pelas ruas estreitas de Mônaco, passando por curvas que revelavam o mar cintilante. Enzo dirigia com naturalidade, como se fosse parte da máquina. Mas, mais do que a paisagem, era o silêncio carregado de tensão entre eles que dominava o momento.
Quando estacionou diante do hotel, não desligou o motor imediatamente. Virou-se para ela, aproximando-se devagar. Os olhos cor de mel a prenderam, intensos, impossíveis de evitar.
— Sai pronta per un segreto? — perguntou em italiano, a voz baixa, quase um sussurro.
Leticia não respondeu. O coração batia forte, e antes que pudesse pensar, Enzo inclinou-se. O sorriso sedutor se transformou em gesto: seus lábios tocaram os dela com firmeza, mas também com suavidade.
O beijo foi intenso, cheio de química. Leticia sentiu o calor percorrer seu corpo, cada nervo desperto. Era como se o mundo inteiro tivesse desaparecido, restando apenas eles dois, naquele Lamborghini luxuoso, sob o amanhecer de Mônaco.
Ela não resistiu. Deixou-se levar, retribuindo o beijo, sentindo a força e a delicadeza misturadas em Enzo. O toque dele era seguro, mas ao mesmo tempo parecia pedir permissão, como se soubesse que estava entrando em território delicado.
Quando se afastaram, Leticia respirava ofegante, os olhos ainda presos nos dele.
— Enzo… — murmurou, sem saber o que dizer.
Ele sorriu, passando a mão pelos cabelos escuros.
— Questa è solo l’inizio… (Isso é apenas o começo) — disse, com a voz carregada de promessa.
Leticia sorriu ao sair do carro, ainda sentindo o calor do beijo de Enzo nos lábios.
— Boa noite, Enzo Mancini… o rei de Mônaco.
Ele riu, inclinando-se para o lado.
— Buongiorno, mia piccola stella. — disse, criando um apelido carinhoso para ela: “minha pequena estrela”.
Leticia desceu do carro com uma vontade imensa de ficar, mas sabia que precisava se recompor. Ao chegar ao quarto, estava tão empolgada e viva que tomou um banho demorado, lavando os cabelos e deixando que a água levasse consigo parte da confusão que sentia. Depois, arrumou toda a sua bagagem e desceu para o café da manhã.
Ainda eram sete horas, mas seus tios já estavam lá, sentados à mesa, tomando café. Leticia vestia apenas um jeans surrado, uma camiseta branca e tênis. Os cabelos úmidos pelo banho caíam sobre os ombros. Naquele instante, parecia uma menina, o retrato da pura inocência. Sem perceber, foi fotografada por um paparazzi que rondava discretamente o hotel.
— Soube que curtiu muito a noite, minha menina — disse Claudia, a tia, com carinho.
Leticia sorriu, sentando-se ao lado dela.
— Foi muito legal, tia. Obrigada por me permitir ir.
Claudia acariciou sua mão, com ternura.
— Sempre, amor. Você é uma garota adulta e responsável. Se souber curtir com responsabilidade, não há problema. — Piscou para ela, cúmplice.
Roberto, o tio, ergueu a xícara de café.
— Bom, estou louco por um descanso. Mas precisamos nos preparar para o próximo desafio: o Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal.
Os olhos de Leticia brilharam.
— Posso ir nessa corrida, tio?
Claudia arqueou a sobrancelha, surpresa.
— Por que quer ir? Você nunca gostou muito, amor.
Antes que Leticia respondesse, Giulia interveio, rindo.
— Porque na noite passada ela ficou toda-toda dançando com o Enzo Mancini.
O nome caiu como uma bomba sobre a mesa. Roberto arregalou os olhos.
— Enzo? Meu amor, ele é bem mais velho que você… e não tem boa fama.
Leticia se apressou em defender.
— Ele foi um cavalheiro, tio. Eu juro. Foi… foi um fofo.
Fabricio, sério, cruzou os braços.
— Mas não é uma boa companhia para você, Leti.
Ela respirou fundo, encarando-o com firmeza.
— Já sou adulta, não sou? Preciso poder ter minhas experiências e amadurecer.
Havia ressentimento em sua voz, mas ninguém percebeu o verdadeiro significado daquelas palavras. Fabricio desviou o olhar, desconfortável.
Claudia tentou aliviar o clima.
— Bom, não vejo problemas em as meninas irem para Montreal. — Sorriu, rindo suavemente. — Vai ser divertido, e vocês estarão conosco.
Giulia suspirou, mas acabou concordando.
— Talvez seja bom mesmo. Leti precisa se divertir.
Leticia sorriu, sentindo o apoio da tia e o alívio da permissão. O coração ainda estava confuso, dividido entre a dor por Fabricio e a intensidade de Enzo. Mas, naquele café da manhã, cercada pela família, sentiu-se acolhida.
O ambiente era leve, cheio de carinho. Claudia servia mais café, Roberto falava sobre os preparativos da equipe, Giulia ria ao comentar sobre os vestidos que queria levar para Montreal, e Fabricio, mesmo sério, não conseguia esconder o cuidado que tinha por Leticia.
Era uma família unida, amorosa, que mesmo diante das tensões e segredos, mantinha o calor da convivência. E Leticia, no fundo, sabia que aquela viagem para Montreal seria mais do que apenas uma corrida. Seria o próximo capítulo de uma história que estava apenas começando.