Depois de terminar às minha consultas, eu fui para o convento. Eu ainda tinha que ter uma conversa muito séria com à Madre Superiora. Não era possível que ela tinha tomado uma decisão desse sem me comunicar. Sem ao menos deixar eu tomar as rédeas disso. Eu não quero ter contato com aquele homem. Ele é muito arrogante.
Já cheguei no convento indo procurar à Madre Superiora. Ela tinha que me dar uma explicação. Sei que devo obediência e ela por ser à Madre superiora, mas não concordo dela decidi que eu tenha que me juntar aquele arrogante para fazer o que ele quer. Bato na porta do seu escritório. Escuto um entre. Abro à porta e ela está sentada lendo algum papel.
- Boa noite Irmã Ana. Como foi hoje no hospital? Ela indaga amável.
- Foi bem. Porém seu sobrinho foi me procurar lá. Ela franze à testa.
- Porque ele foi te procurar lá? Ele teve aqui e eu disse que você estava trabalhando no hospital.
- Ele me disse que à Sra concordou que eu o ajude à criar à Fundação. Falo irritada por decidirem às coisas sem me consultar.
- Ele me pediu para você o ajudar, não vi nada demais nisso, mas vejo que você não gostou.
- Não mesmo. Seu sobrinho é arrogante. Acha que pode tudo, e fora à falta de senso dele. Ela me olha parecendo não entender o que eu estou falando.
- O que ele fez à você? Suspiro pesado.
- Me trata como se eu fosse uma pessoa normal. Não enxerga as minhas vestimenta. Não me trata como uma Freira que sou.
- Calma. Ele não me trata como Madre, mesmo que tenha anos que virei Freira e depois Madre.
- Mas você é à tia dele e eu não sou nada. Então não quero trabalhar com ele nesse projeto.
- Tudo bem. Eu falarei com ele. Achei que seria mais difícil. Suspirei em alivio. Vou pedir à você para ir à capela rezar. Franzo à testa.
- Porque? Cometi algum pecado?
- Ainda não, mas quero que Deus te dê direcionamento nas suas decisões daqui para frente.
- Não estou entendendo Madre.
- Você vai compreender quando encontrar seus irmãos e tiver que tirar esses hábitos.
- À Sra está dizendo que eu não vou poder ser Freira mais?
- Não sei Irmã? Você sabe o que acontece se você atentar contra os votos e preceitos da nossa Religião?
- Sei. Eu posso ser excomungada. Nunca mais poderei vestir à roupa de Freira, nunca mais poderei fazê o trabalho de Deus como Freira que sou hoje. Mas porque à Sra está me dizendo isso?
- Porque eu quero que você avalie sua vida até agora. Sei o que motivou à sua decisão de ser Freira, e eu fui à primeira à te falar para não tomar essa decisão sem conhecer o mundo, porém você seguiu em frente.
- Mas eu não quero conhecer o mundo. Falo à verdade. Não sinto falta de nada do mundo. Claro que sinto falta dos meus irmãos, porque eles foram tirados de mim de uma forma devastadora, mas fora isso, eu não sinto falta de nada. Concluo para ela.
- Você não sente falta porque não conheceu nada Irmã Ana. Você não se deu tempo de fazê-lo. Poderia ter feito às dezesseis aos dezoito, porém não se permitiu à isso.
- Madre, desculpa, mas eu não estou entendendo essa conversa. Qual é o intuito?
- Talvez eu esteja percebendo algo em você que você mesma não esteja percebendo por não conhecer o mundo, por não conhecer à vida, os sentimentos.
- Do que à Sra está falando?
- Irmã Ana, faça o que eu disse. Vá para à sacristia e reze. Peça direcionamento à Deus para sua vida. Peça entendimento. Não digo mais nada. Não sei o que ela está vendo em mim que quer que eu busque entendimento. Assinto somente o que ela me pediu e vou para à sacristia antes de me recolher no meu quarto.
Me ajoelho e faço o pai nosso. Começo à pedir à Deus entendimento para à minha vida. Peço à ele que me ajude à encontrar meus irmãos e que eu consiga continuar na obra dele tendo meus irmãos do meu lado. Eu não gostaria de deixar de ser Freira. Me sinto bem assim. Não necessito de nada do mundo para me abdicar do que eu escolhi para à minha vida. Eu só quero meus irmãos e mais nada. Eu preciso ficar em paz com eles do meu lado. É só isso que me importa e interessa, o resto da minha vida eu já tinha entregado para Deus.
Vou para meu quarto e tomo um banho. Não quero jantar. Estou sem um pingo de fome. Estou pensativa nas palavras da Madre. O que será que ela viu em mim que eu não estou vendo? Me olho no espelho. Eu não consigo saber o que ela ver em mim que eu não percebi. Eu mudei minha vida para servir à Deus. Não que tinha que mudar muita coisa. Mas meus pensamentos não são os mesmos à anos e isso ela não pode dizer nada. E eu não vivo para mim mais, vivo para Deus e toda sua obra. Seja ela qual for, eu estou certa do que estou vivendo e crendo.
No outro dia levantei cedo para mais um dia no hospital. Não sei quantos pacientes eu teria hoje, mas eu estava tranquila. Queria mesmo era afundar à minha cabeça nas consultas e dando o meu melhor para trazer um sorriso nos lábios e esperança para crianças com um lar desestruturado.
Desce e dei de cara com à Madre Superiora subindo às escadas.
- Bom dia Irmã.
- Bom dia Madre Superiora.
- Você já está indo para o hospital?
- Sim. Precisa de alguma coisa? Indaguei olhando para ela.
- Não. Só queria te avisar que já conversei com meu sobrinho. Ele disse que vai procura outra pessoa. Assinto mais tranquila com isso.
- Que bom que ele entendeu. Falo sorrindo e ela fica me olhando. Algum problema Madre?
- Não. Espero que você esteja convicta de não ajudá-lo na criação da Fundação.
- Eu não entendo nada disso, e nem quero me envolver em algo tão grande. Fora que à Sra já me disse que terei que assumir à direção de um orfanato, então o que não terei é tempo.
- Certo.
- Agora deixa eu ir. Não quero chegar atrasada. Ela assentiu.
- Há irmã, esqueci de te falar. Se uma Freira foge dos votos ou até mesmo dos preceitos da nossa doutrina, ela poderá pedir a redução ao estado leigo que deverá ser aprovada pela Congregação para a vida religiosa e consagrada, um dos dicastérios da cúria romana. A excomunhão só acontece quando alguém atenta contra a doutrina católica de forma irretratável, ou quando deseja sair da comunhão da Igreja por vontade própria. Frazo à testa.
- Porque isso? Porque à Sra está me dizendo isso? Questionei sem entender.
- Porque quero que você saiba o que pode acontecer se você não estiver mais dentro da normas da nossa doutrina.
- Madre, eu fiz os votos e não pretendo fugir deles.
- Você não conhece os seus sentimentos, e estou vendo que vai aprender à conhecê-los agora.
- Que sentimentos? Os únicos sentimentos que conheço são da perda, e da bondade e amor ao próximo. Quais mais eu deva conhecer? Indaguei à ela que me olha de uma forma diferente.
- Talvez o de amar à si mesma. Franzo à testa sem entender mais ainda.
- A Sra acha que não me amo? Não gosto de mim?
- Pode gostar sim, mas precisa descobrir que isso aqui nunca foi para você e não lamento porque você vai descobrir de uma forma única.
- Do que à Sra está falando? Porque isso agora? Pedi mais confusa ainda.
- Vá para o hospital. Acredito que você tenha muito o que fazer lá e também pense bem no que te disse. Eu quero que você descubra sozinha o que estou falando.
- Como?
- Viva um dia de cada vez que você irá descobrir. Ela fala simplesmente isso e continua subindo às escadas. Eu não entendo nada do que ela disse. Não faz sentido. Se ela acha que eu estou fazendo algo de errado poderia me dizer, porque eu não vejo onde errei, E se ela está com medo que eu deixe toda à doutrina quando encontrar meus irmãos? Pode ser isso. Não vejo outra coisa para ela está se preocupando tanto. Suspiro forte. Mais tarde falarei com ela. Precisamos conversar mais e eu preciso entender o porque desses pensamentos dela.
No hospital até à hora do almoço foi intenso. Eram crianças que só precisavam de um abraço desde crianças que estavam vivendo com medo em suas próprias casas. Tive que acionar o conselho tutelar do hospital para intervir em três casos. Como pode ter pais tão relapsos? Como podem maltratar o próprio filho? Sangue do sangue deles? Eu não entendia porque tinham pessoas que colocavam crianças no mundo para sofrerem. Elas eram o bem mais precioso que um pai e uma mãe poderiam ter, e mesmo assim tem pessoas que insistem em maltratar e subjugar esses seres indefesos. Ouço uma batida na minha porta e me levanto para atender. Hoje não terei folga. Abro e balanço à cabeça em negação. Não pode ser.
- Achei que à Madre Superiora havia deixado claro às coisas para você. Digo cruzando os braços diante dele.
- Não tanto. Ele fala tirando seus óculos escuros e entrando na sala. Noto que ele está com algumas sacolas em uma das suas mãos.
- O que o Sr venho fazer aqui? Pedi e ele colocou as sacolas na mesa.
- Vim almoçar com você. Eu disse que hoje iriamos almoçar juntos.
- Eu não quero almoçar. Muito obrigada! Agora se o Sr puder se retirar, eu tenho mais pacientes.
- Você não tem hora de almoço?
- Não farei. Não estou com fome.
- O que foi hein? Porque toda essa hostilidade comigo? Isso se deve ao que fiz no evento? Eu já disse que foi uma falha minha e estou aqui para me redimir. Quero mesmo ajudar nas obras de caridade.
- Pode assinar seu cheque, ir em qualquer orfanato ou convento e dar aos responsáveis, ou se quiser fazer outra obra, visite lares adotivos e apadrinhe uma criança.
- Eu quero mais que isso Anastásia. E quero que você me ajude.
- Pois eu não farei. Achei que à Madre tinha te dito que não estava disponível.
- Não. Ela me disse que você não quer fazer parte do projeto da Fundação e não que você não estivesse disponível.
- Pois eu não estou disponível.
- Porque?
- Eu não tenho que dar satisfação ao Sr. Falo em desafio.
- Ainda. Porém continuo querendo sua ajuda. E não vou sair da sua vida até ter o quero. Abro à porta. Ele muito prepotente e arrogante.
- Vá embora. Não temos mais nada para conversar. Eu já disse que não vou te ajudar em nada. Ele se senta com uma calma, parecendo não ouvir o que disse.
- Eu não estou acostumado em ser expulsos dos lugares, ainda mais quando eu detenho cinquenta por cento do hospital que estou neste momento. Sente-se e vamos comer e conversar com calma. Fecho à porta com raiva. Me sento à contra gosto. Assim está melhor. Reviro meus olhos. Eu não sabia o que você gostava de comer, mas trouxe uma variedade de legumes e carne.
- Pode comer o Sr. Eu não estou com fome.
- Além de votos de pobreza, castidade, vocês fazem votos de fome?
- Haha... Isso é ridículo. Porque o Sr não pode simplesmente fazer sua doação, procurar alguém mais qualificado para te ajudar nessa Fundação?
- Porque você tem todas as qualidade para me ajudar na criação dela. Não julgue sua inteligência. Você se formou com mérito em uma faculdade de medicina renomada em Londres. Fez jus à sua bolsa dada pela igreja católica. Não se intimidou pelos granfinos que estudavam com você. Fez uma ótima residencia para concluir seu curso.
- Estou vendo que andou pesquisando da minha vida.
- Sempre faço quando as pessoas me interessam.
- Espero que tenha aí na sua pesquisa que eu sou Freira desde dos dezoito.
- Não. Você é Freira desde à seis meses atrás. Porque você decidiu ser uma aos dezoito, mas teve que estudar para isso. Ele me olha intensamente e isso me incomoda muito. Eu só não sei o que te levou à fazer essa escolha. E você poderia me contar.
- Não é da sua conta.
- Teremos tempo para você se abrir comigo. Por enquanto vamos conversar sobre à Fundação.
- O Sr não vai desistir né?
- Você descobriu isso agora? Suspiro.
- O que o Sr quer?
- Primeiro que pare com essas formalidades todas comigo. Meu nome é Christian para você. Segundo que precisamos achar um lugar para montar essa Fundação e também um lugar para eu transferir minha empresa da Rússia para cá.
- E isso eu terei que fazer. Afirmo cruzando os braços.
- Você pode contratar uma empresa de imóveis. Eles podem mostrar para nós lugares no centro de Londres para montar essa Fundação e minha empresa.
- Não vai dar certo. Digo me levantando. Eu não estarei mais em Londres à partir de amanhã. Ele franze à testa. Fui designada para assumir um orfanato em Bristol. Ele bufa e se levanta.
- Não é como se eu não pudesse mandar te buscar lá. Não vejo problema nisso.
- Mas eu vejo, porque tenho que me dedicar ao Orfanato, não posso sair para ficar procurando imóveis para o Sr.
- Você pode tirar dois dias na semana para mim como faz para o hospital. E por falar nisso, acredito que você vai continuar aqui, não? Eu não tinha parado para pensar nisso. Com ficarei em Bristol sendo que tenho que vir para cá atender às crianças? Como farei isso com meus pacientes assíduos na semana? Eu preciso pensar nisso. Não posso deixar essas crianças aqui. Elas precisam de mim. Não que às do Orfanato não precise, mas eu não tenho como ser duas para poder está em dois lugares ao mesmo tempo.