Prólogo
Andrea
Sempre fui uma mulher independente, dona de mim e das minhas vontades. Jamais permiti que ninguém fizesse comigo, algo sem o meu consentimento. Mas isso está prestes a acabar, porque irei me casar.
Fui criada no meio da máfia e sei exatamente como funcionam as coisas nesse mundo. As mulheres nunca têm voz, estão todas destinadas a casarem e cumprirem o seu papel de esposa. Uma merda, eu sei. Porém, infelizmente, sempre tive ciência que chegaria a minha vez.
Minha mãe até tentou impedir esse acontecimento — como se fosse fácil amolecer o coração do meu pai. Agora estou em frente ao espelho, vestida de noiva e preparada para ir ao meu inferno. Se é que posso chamar assim, já que o inferno parece ser um lugar melhor do que passar o resto da vida ao lado de um homem que vi poucas vezes e não amo.
Enquanto estou encarando meu reflexo no espelho, meu semblante é de tristeza. Não era desse jeito que eu imaginava minha vida.
Ouço um som de notificação em meu celular.
“Estou te esperando no local marcado.”
Sento na cama e respiro fundo ao ver a mensagem dele.
Comprimo os lábios, pensando se devo realmente fazer isso, mas sou desperta do meu transe com batidas na porta.
— Posso entrar, meu anjo? — mamãe coloca a cabeça na porta.
Forço um sorriso.
— Pode sim, mãe.
— Deixa eu te ver — ela faz menção para que eu levante. Bloqueio rapidamente o celular e deixo na cama — Como você está linda, Andi. — ela sorri com ternura.
— Obrigada, mamãe. — abaixo a cabeça, pois, mesmo tentando, não consigo fingir que estou feliz.
— Me escute, Andrea — ela ergue meu rosto, segurando meu queixo — Sei que não está feliz e não precisa mentir para mim. Mas, infelizmente, não há nada que possamos fazer, a não ser lidar com o que está por vir.
— Eu só queria que ao menos uma vez na vida, o papai me escutasse. Eu não amo esse homem, como pode alguém casar sem amor? Me diz... — sinto um nó se formar em minha garganta.
— Eu sei, meu anjo. Sabe o quanto queria que tudo fosse diferente, mas não é. Você é uma Bernardi e sabe bem o peso que esse sobrenome carrega.
— Se eu pudesse, mudaria de nome, juro que mudaria — suspiro pesadamente — Isso é um fardo.
Vou até à sacada do meu quarto e observo ao meu redor. Só queria poder mudar tudo.
— Nem posso imaginar o que está passando, minha filha. Mas você precisa obedecer ao seu pai, que já deve estar furioso comigo por eu não tê-la levado ainda. Vamos, querida. — ela puxa de leve o meu braço.
— Tudo bem. Espera, só preciso de um minuto e já desço.
— Não demora. — ela responde, concordando com um menear de cabeça.
Espero mamãe sair e vou até à cama pegar o celular.
Sinto muito por querer fazer isso e entristecê-los, mas ninguém pensou em mim, em como estou me sentindo, quando decidiram me entregar de bandeja a esse homem.
— É agora ou nunca, Andrea. — seguro a barra do meu vestido e fecho os olhos, tomando coragem para o que estou prestes a fazer.
Não estou muito segura disso, mas é a minha única chance.