Companheiros

1081 Words
**Fenrir** Eu não tinha palavras para descrever o quanto me doeu ver o olhar de medo nos olhos de Zara quando ela me viu pela primeira vez. Foi pior que uma faca cravada no meu peito. Eu só queria abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, mas ela não me deixava chegar perto. Quando ela cai no chão, corro para pegá-la, mas Celina me impede. Ao ver o estado em que ela estava, pude perceber que ela temia que fôssemos agredi-la. O meu peito se enche de fúria — se o m*ldito do James não estivesse morto, eu o mataria novamente pelo que ele havia feito a ela. Quando Celina lhe conta que sou seu companheiro, vejo o pânico no seu rosto. Ela me olhava como se eu fosse algo terrível na sua vida. Aquilo doeu, mais do que eu estava disposto a admitir. — Poderia nos dar licença por uns minutos, Celina — peço com a minha voz mais baixa. — Como desejar, alfa — diz ela, dando um sorriso caloroso para Zara. Assim que Celina sai do quarto, caminho com cuidado até Zara e me sento na beirada da cama. Vejo que ela se encolhe no lugar, mas não se afasta. — Não sabe o quanto é bom vê-la acordada. Já estava preocupado com você — digo o mais calmamente possível. Posso ver os olhos dela me examinando com cuidado, e eu não podia culpá-la por isso. Eu era um alfa, o meu físico era bem maior que o dos demais. — Ficou preocupado? — pergunta ela um pouco hesitante. Mas ainda podia ver o medo nos seus olhos. — Claro, você é minha companheira. Daria a minha vida pela sua, se fosse preciso — digo, olhando fixamente nos seus olhos assustados. Podia entender o quanto era difícil para ela me aceitar, ainda mais da forma como nos encontramos. Mas eu esperaria o tempo que fosse necessário e daria todo o meu amor. — Não pode estar falando sério — diz ela de cabeça baixa, torcendo os dedos no colo. — Por que eu não falaria sério sobre isso? — pergunto, ainda sem entender o que ela queria dizer. — Olhe para mim! — diz ela, levantando o rosto, com lágrimas descendo por suas bochechas. O meu coração se aperta e Koda se agita dentro de mim, não queríamos vê-la sofrendo. — Por que alguém como você iria querer uma companheira quebrada como eu? A suas palavras destroçam o meu coração e me fazem pensar no que o alfa James deve ter feito para que ela pensasse assim. "Ela pensa que não vamos querê-la", diz Koda bravo na minha mente. — Eu esperei anos por minha companheira, e por mais que insistissem que eu tomasse alguém escolhido, eu nunca quis. Sei que a única pessoa que pode me fazer feliz é aquela que a deusa escolheu para mim — digo lentamente, escolhendo cada palavra para que ela visse o quanto era querida por mim. — Só você pode me fazer feliz. Vejo os seus olhos desviarem dos meus e mais lágrimas rolarem por seu rosto. Lentamente, subo na cama e vou até ela. Vejo os seus olhos se arregalarem e ela segurar com mais força o lençol da cama. — Não vou te machucar, jamais faria isso — digo, sentando-me ao seu lado. — Posso te abraçar? — Por que quer me abraçar? Eu estou suja — diz ela, passando a mão de forma desesperada por sua pele. Estendo as minhas mãos e vejo que ela se encolhe ao meu lado, com medo de que eu a machucasse. Apenas seguro a sua mão com carinho, entrelaçando os nossos dedos. — Isso é tão bom — digo, ao sentir as faíscas do vínculo dançarem por nossa pele. — E você não é suja, é a criatura mais doce que já cruzou o meu caminho. Vejo ela olhando curiosa para nossas mãos unidas. A mão dela praticamente sumia na minha, mas eu podia ver que ela estava mais calma com o nosso contato. — Me disseram que o seu nome é Zara, está correto? — pergunto para ela, e a vejo confirmar com a cabeça. — Zara é um nome bonito, eu gosto. Vejo a surpresa surgir no seu rosto com as minhas palavras, como se ela nunca tivesse recebido um elogio antes, o que eu não duvidava que fosse o caso. — Eu sou Fenrir, fiquei tão animado ao vê-la bem que me esqueci de me apresentar — digo, um pouco sem graça, passando a mão pelos cabelos. — Fenrir — diz ela, um pouco relutante. Sinto Koda ronronar quando ela repete o meu nome. Ela se assusta, afastando-se de mim. Podia ver o seu peito se agitando enquanto ela tentava respirar. — Desculpe por isso, não quis te assustar. Koda gosta do som da sua voz — explico para ela, mas não tento me aproximar. Lentamente, ela vai se acalmando. — Seu lobo? — pergunta, um pouco confusa. — Sim, ele esperou muito tempo por você, está feliz que finalmente está aqui conosco — digo a ela com sinceridade, sentindo Koda se agitar dentro de mim. — E o seu lobo? — Não sei — diz ela, e vejo uma lágrima escorrer por seu rosto. Mesmo relutante, aproximo-me dela e limpo a sua lágrima. Sinto ela ficar tensa com o meu toque, então abaixo a mão e seguro a sua novamente. O vínculo a ajudaria a ficar mais calma. — O que houve com o seu lobo? — pergunto em voz baixa. — Acho que ela só está fraca por causa do acônito — diz ela, e rosno à menção do veneno que é letal para lobisomens. Ela tenta se afastar, mas seguro a sua mão, impedindo-a. — Desculpe, não estou com raiva de você, jamais ficaria. Estou com raiva das pessoas que fizeram isso com você. O nosso elo com os nossos lobos é sagrado, ninguém deveria ser privado disso. — Vejo ela me observar com cuidado, talvez procurando algum indício de que eu estava falando a verdade. Ela desvia o olhar para a camiseta que estava vestindo, e então olha novamente para mim, como se pedisse uma explicação. — Você estava muito machucada quando chegou, então eu coloquei uma camisa minha para que pudesse descansar melhor. Não se preocupe, eu não olhei — digo a ela, e a vejo corar. Ela era linda quando corava. Eu estava louco para descobrir quais mistérios cercavam a minha linda companheira.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD