O Inicio Da Transformação De Zara

1124 Words
**Zara** Ver a transformação de Diana tinha sido a coisa mais maravilhosa do mundo. Fiquei preocupada quando os seus gritos começaram, mas Fenrir garantiu-me que era normal, e, minutos depois, ao ouvir a risada de Dante, pude ver que ele estava certo. Ficámos apenas um pouco para ter a certeza de que tudo estava bem e, em seguida, voltámos para a casa da alcateia para lhes dar privacidade. Eu queria aquilo, aquela i********e que a minha melhor amiga tinha com o seu companheiro, e me encontrei a ansiar pelo momento em que eu finalmente me transformaria. Naquela manhã, acordei sentindo o meu corpo estranho, estava um pouco aérea com as coisas. Ao colocar os pés no chão, caí quando uma dor alucinante atravessou o meu corpo. — Zara! — gritou Fenrir, levantando-se depressa e vindo na minha direção. Em seguida, senti um dos meus ossos a se partir com um som alto de estalo. — Fenrir! — disse, chorando, sem forças para me levantar. — Se acalma vou te ajudar — disse ele, e, ao me pegar nos braços, gritei de dor. — Desculpa, querida. "O que está acontecendo, Nala?" — perguntei, enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. "É a transformação, Zara. Não dá para adiar mais" — respondeu ela com pesar. Eu podia ouvir a tristeza na sua voz; não havia nada que pudéssemos fazer além de suportar a dor. — Já chamei a doutora, amor. Aguenta só mais um pouco, que ela já vem — disse ele, tentando acalmar-me, e, quando as suas mãos tocaram o meu rosto, arfei de dor. Todo o meu corpo estava sensível, e o simples toque dele na minha pele me causava dor. — Desculpa, querida. Fenrir estava aflito, e eu via as suas mãos estenderem-se para me tocar, mas depois recuarem. Eu me segurava para não gritar, tal era a dor que eu sentia. "Por que está doendo tanto?" — perguntei a Nala, em desespero. "Não somos como os outros, Zara. O seu processo de transformação é mais lento e demorado, e o fato de não estar totalmente recuperada apenas faz com que demore ainda mais" — ótimo, era tudo o que eu precisava saber. Alguns minutos depois, vi a doutora Celina entrar apressada no quarto, carregando uma maleta. — O que houve, alfa? — perguntou ela, já vindo na minha direção, mas, ao tentar me tocar, Fenrir a segurou. — Não a toque. Ela está sentindo dor com o menor toque na pele — explicou ele, e vi os olhos de Celina estreitarem-se ao olhar para mim. — Tem certeza? — perguntou ela. — Sim, acordei com ela gritando. Ao que parece, quebrou um osso ao cair — disse Fenrir. Ele ainda não tinha percebido que o osso não se partiu com a queda, mas sim porque a transformação tinha começado. — Então preciso verificar antes que ele se calcifique no lugar errado — disse ela, preocupada. Celina virou-se e veio novamente na minha direção, e os meus olhos arregalaram-se ao pensar na dor. — Não... me toque! — disse entre dentes, fazendo-a parar. — Preciso examiná-la, Luna — disse ela antes de tentar tocar-me de novo. — Não! — arfando, gritei, quando outra onda de dor atravessou o meu corpo, e ouvi o som de outro osso se partir, e gritei de dor. — Zara! — disse Fenrir, desesperado, aproximando-se de mim. Ele passava a mão pelos cabelos, frustrado por não poder me tocar. — Pela deusa! A transformação dela está começando — disse Celina, com os olhos arregalados. — Como é possível? Ela ainda não se recuperou totalmente — disse ele, preocupado. — Também não sei, alfa. Nunca tratei um lobo com uma transformação tardia, então não sei ao certo — disse ela, frustrada. "Pede a Koda para dar um pouco da sua energia, Zara. Vai aliviar um pouco a dor" — disse Nala. "Isso vai fazer a transformação parar?" — perguntei. "Não, uma vez que começa, não há como parar" — não tinha escolha. Tinha que suportar a dor da transformação; só esperava poder descansar um pouco depois de Koda me dar a sua energia. — Koda — disse entre dentes, chamando a atenção deles. — O que tem o Koda, querida? — perguntou Fenrir, parando à minha frente, podia ver a cor dos seus olhos oscilar ao mencionar seu lobo. — Ele pode... aliviar... a minha dor — disse, arfando. — Claro, podemos continuar a fazer o que estávamos fazendo antes, alfa — disse Celina, mais animada. — Precisa da energia dele, Luna? — Sim — respondi. — Tudo bem, vou ter que te tocar, querida — disse ele, com pesar. — Apenas... faça — disse entre dentes. A dor que sentia era tanta que qualquer tentativa de falar tornava-se difícil. Fenrir sentou-se ao meu lado na cama e, com cuidado, colocou a mão no meu peito. Gemei de dor. Era como se várias agulhas perfurassem o meu corpo. Vi-o concentrar-se, e comecei a sentir a energia de Koda penetrar a minha pele, trazendo-me alívio na mesma hora. Alguns segundos depois, suspirei, aliviada por a dor ter cedido um pouco. Ainda a sentia, mas não tão intensamente como antes. — Se sente melhor, querida? — perguntou ele, retirando a mão do meu peito. — Aliviada, na verdade — disse, e vi-o acalmar-se um pouco. — Nunca vi isto em toda a minha vida — disse Celina, aproximando-se. — Posso tocá-la, Luna? — Acho que sim, doutora — respondi, um pouco cansada. Parecia que a minha energia estava sendo drenada, o que, naquele momento, era verdade. Senti Celina tocar o meu corpo, à procura dos ossos partidos. O seu toque me incomodava, mas era suportável naquele momento. — Ao que parece, ela realmente está se transformando. Os ossos estão partidos, e não acho que vão voltar ao lugar por enquanto — disse ela, com um olhar triste. — O que isso quer dizer exatamente? — perguntou Fenrir. — Os ossos só voltam ao lugar depois da transformação completa, alfa. Então, teremos de esperar. Ao ritmo em que ela está, pode demorar dias — as palavras dela me fizeram gemer. Não sabia se aguentaria aquilo por dias. — Está me dizendo que ela vai sofrer durante todo esse tempo? — disse Fenrir, chateado, e a sua aura se espalhou pelo quarto, fazendo Celina recuar. — É a única explicação que tenho, alfa — disse ela, expondo o pescoço em submissão. — Acalme-se, Fenrir. Nala já disse que é inevitável — disse, chamando a sua atenção. — Vai sofrer mais que qualquer outra pessoa, querida — ele me olhava com olhos tristes. — Eu sei, mas há um motivo para isso — vi a sua expressão mudar ao olhar para mim. — Qual?
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