O Abraço da Confiança

1521 Words
**Zara** O silêncio no quarto era quase ensurdecedor. A lua cheia iluminava a janela com uma luz pálida e fria, mas não trazia nenhum conforto. O meu corpo ainda estava fraco dos dias anteriores, mas agora o que me deixava inquieta era algo completamente diferente. Sabia que havia algo errado. Sentia isso no ar desde que Fenrir saiu às pressas após a chegada de Dante no parque. Tentei me acalmar, repetindo para mim mesma que Fenrir era forte, que ele sabia o que estava fazendo, mas não conseguia evitar o aperto que sentia no peito. Algo estava prestes a acontecer, e eu podia sentir. — Ele vai ficar bem — disse Diana, minha amiga, que estava sentada na beira da cama, tentando me tranquilizar. Sua voz era suave, mas a expressão em seu rosto deixava claro que ela também estava preocupada. — Fenrir sabe como lidar com isso. Ele é o alfa, Zara. Já deve ter enfrentado coisas piores. Assenti, mas a inquietação dentro de mim não desaparecia. Fenrir havia me protegido desde o primeiro momento em que nos encontramos. Ele foi minha âncora no caos da minha vida, e agora que eu começava a me sentir segura ao lado dele, o medo de perdê-lo me assolava como uma tempestade iminente. Não queria admitir, mas algo dentro de mim começava a mudar. A cada momento passado ao lado dele, minha confiança em Fenrir crescia, e com isso, meus sentimentos por ele também. Eu nunca imaginei que fosse sentir isso novamente. Depois de tantos anos sob o domínio c***l do alfa James, a simples ideia de me entregar emocionalmente a alguém parecia impossível. Mas Fenrir... ele era diferente. Ele não me forçava a nada, me dava espaço e tempo, e acima de tudo, cuidava de mim de um jeito que eu nunca imaginei que alguém pudesse fazer. — Eu sei que ele é forte — murmurei, quebrando o silêncio. — Mas não consigo evitar. Depois de tudo o que aconteceu, sinto que algo está prestes a nos atingir. E se ele estiver em perigo e eu não puder fazer nada para ajudar? Diana suspirou, balançando a cabeça. — Eu entendo. Mas, Zara, você precisa confiar nele. Fenrir faria qualquer coisa para proteger você, e ele sabe o que está fazendo. Ele lidou com os Belmonte antes. — Os Belmonte? — perguntei, com um nó de preocupação crescendo no meu peito. Alguns dias atrás tinha ouvido uma conversa entre as ómegas que limpavam a casa da alcateia, eo que ouvi sobre os Belmonte me deixava preocupada. Diana percebeu o deslize, hesitou por um segundo e depois suspirou. — Dante mencionou algo sobre lobos dos Belmonte na fronteira. Eles sempre foram uma dor de cabeça para Fenrir, mas ele nunca deixa que isso se torne um problema para a alcateia. Ele vai lidar com eles, como sempre fez. A menção dos Belmonte me deixou gelada. Já tinha ouvido falar sobre como tinham uma rixa antiga com a alcateia de Fenrir. Mas o que me deixava em pânico era a ideia de que eles pudessem usar essa rivalidade para atingir Fenrir — ou pior, para me atingir. Sabia o quanto a nossa ligação como companheiros tornava tudo mais complexo. Os inimigos dele agora seriam também os meus. — Eu só... odeio ficar sem saber o que está acontecendo — confessei, esfregando as minhas mãos nervosamente. m*l tinha me recuperado das coisas que tinha acontecido na alcateia de alfa James e já tínhamos mais problemas pela frente. Diana sorriu suavemente, inclinando-se para me abraçar. — Sei que não é fácil, mas logo ele estará aqui e vai te contar o que puder. Fenrir te protege como ninguém, Zara. Ele não deixaria nada acontecer com você. Eu queria acreditar nisso, precisava acreditar nisso, mas uma parte de mim ainda estava com medo. A febre dos dias anteriores, a incerteza da transformação que estava por vir... Tudo parecia uma corda prestes a romper. No entanto, ao pensar em Fenrir, me vi lembrando de todas as vezes que ele esteve ao meu lado, de como ele me salvou daquele inferno no qual eu vivia e de como, desde então, nunca deixou que eu me sentisse sozinha. O som da porta se abrindo interrompeu os meus pensamentos, e ao olhar para a entrada, lá estava ele. Fenrir. Os seus olhos verdes me encontraram imediatamente, e eu pude ver o cansaço e a preocupação no seu rosto. Havia algo que ele estava carregando, e isso só intensificou o meu medo. Diana, percebendo a tensão, levantou-se rapidamente. — Acho que já vou indo... Vou deixar vocês dois sozinhos — disse ela, com um pequeno sorriso de despedida, antes de sair e fechar a porta atrás de si. Por um momento, ficamos em silêncio. Fenrir avançou lentamente pelo quarto, seus ombros largos parecendo mais tensos do que o normal. Meu coração batia forte no peito enquanto o observava, tentando decifrar o que ele estava pensando. — O que aconteceu? — perguntei finalmente, minha voz soando mais ansiosa do que eu pretendia. Ele parou ao lado da cama e me olhou com uma mistura de ternura e seriedade. Sabia que ele não queria me sobrecarregar, mas a preocupação em seu olhar deixava claro que algo grande estava acontecendo. — Zara, houve uma movimentação na fronteira... — começou ele, escolhendo as palavras com cuidado. — Lobos dos Belmonte apareceram. Eles não cruzaram o território, mas fizeram ameaças. Minha respiração falhou por um segundo. As palavras de Fenrir confirmaram meus piores medos. A rivalidade com os Belmonte nunca havia sido algo fácil de lidar, mas agora, ao saber que eles estavam se aproximando da nossa alcateia, senti o pânico crescer dentro de mim. — Ameaças? Contra você? — perguntei, tentando manter a calma. Fenrir hesitou, e esse breve momento de silêncio me disse tudo. Ele não precisava responder para que eu soubesse. Eles haviam ameaçado a ele, mas também... a mim. — Eles mencionaram você — ele admitiu, finalmente. Sua voz era suave, mas carregada de preocupação. — Estão tentando nos provocar, Zara. Sabem que somos companheiros, e vão usar isso para tentar me desestabilizar. Mas você está segura aqui. Não vou deixar que nada aconteça a você, eu prometo. Essas palavras, a promessa de proteção, deveriam ter me tranquilizado, mas em vez disso, senti um nó se formar na garganta. Fenrir estava carregando o peso de tudo, e agora estava claro que eu não era apenas uma espectadora nessa história. Eu era parte do conflito, e isso me apavorava. Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, me movi. Meus braços se levantaram por vontade própria, e de repente, eu estava abraçando Fenrir. Meu rosto se afundou contra seu peito forte, sentindo o calor de seu corpo e o bater firme de seu coração. Ele parecia surpreso por um segundo, mas logo seus braços envolveram meu corpo com cuidado, apertando-me contra ele. — Eu... Eu estou com medo — admiti, minha voz abafada contra seu peito. Ele me segurou com mais força, sua mão acariciando levemente minhas costas, numa tentativa de me acalmar. — Eu sei, amor — murmurou ele. — Mas estou aqui. Eu sempre vou estar aqui. E vou proteger você, aconteça o que acontecer. Fechei os olhos, tentando acalmar a tempestade de emoções que me assolava. Ali, nos braços dele, tudo parecia diferente. O medo ainda estava presente, mas, ao mesmo tempo, havia algo mais. A sensação de segurança, de que ele realmente estava comigo, de que eu podia confiar nele. Nunca imaginei que sentiria isso novamente. — Não quero que você se machuque por minha causa — sussurrei, sentindo as lágrimas se formarem nos meus olhos. — Não posso perder você, Fenrir. Ele se afastou levemente para poder olhar nos meus olhos. Suas mãos seguraram meu rosto com ternura, e o que vi em seus olhos foi puro amor e devoção. — Você nunca vai me perder, Zara — disse ele, sua voz firme e cheia de sinceridade. — Nós estamos nisso juntos. E eu vou lutar com tudo o que tenho para manter você segura. Não se preocupe comigo, eu posso lidar com isso. O que importa é você. Senti uma onda de emoção passar por mim. Os sentimentos por Fenrir, que antes eram uma mistura confusa de medo e gratidão, agora começavam a se transformar em algo mais profundo. Eu confiava nele. Ele era a primeira pessoa em anos com quem eu sentia que podia contar de verdade. Sem dizer mais nada, me deitei novamente na cama, mas desta vez, me aproximei de Fenrir. Ele me puxou para perto, e eu me aconcheguei em seus braços, sentindo o calor e a segurança que ele sempre me proporcionava. Enquanto o sono começava a me dominar, minha mente ainda estava inquieta. Precisava entender mais sobre os Belmonte, sobre o que eles queriam e como podíamos impedir uma guerra. Não podia ficar de braços cruzados enquanto Fenrir lidava com tudo sozinho. Haveria uma forma de ajudar, e eu encontraria. Mas, por enquanto, a única coisa que importava era que estávamos juntos, e enquanto estivesse nos braços de Fenrir, sabia que estaria segura.
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