Verdades Reveladas

1259 Words
**Zara** O brilho das luzes do shopping me incomodava um pouco, contrastando demais com a calma que eu tanto ansiava. Estar em um lugar movimentado, cercada por tantas pessoas, me deixava desconfortável. Fenrir, no entanto, parecia tranquilo ao meu lado, como se a sua simples presença pudesse afastar qualquer m*l-estar que eu sentisse. Ele insistira para que eu viesse fazer compras, me convencendo de que precisava de roupas novas e de alguns itens pessoais — coisas que nunca tive o luxo de comprar para mim. — Você precisa de roupas novas e tudo o que mais quiser, Zara. Agora você pode escolher o que gosta, sem medo — ele dissera mais cedo, o tom reconfortante. Mas havia mais na sua expressão. Sabia que ele queria fazer tudo para apagar o que aconteceu comigo na alcateia de Alfa James, como se roupas novas pudessem ser um recomeço. — Estou bem, Fenrir — menti, com um sorriso fraco. Ao nosso lado, Diana caminhava em silêncio, acompanhada de Dante, que se mantinha ao lado dela com a sua mão pressa as dela. Aquilo me confundia, eu não entendia por que eles estavam de mãos dadas, e quando olho para ela vejo a suas bochechas corarem, precisava perguntar a ela mais tarde sobre isso. Eles não diziam muito, mas eu podia ver Diana furtivamente lançando olhares para Dante, como se temesse que ele fosse se afastar dela. O shopping estava cheio de gente e, ao entrarmos numa loja de roupas femininas, as opções me deixaram sobrecarregada. Eu não sabia o que escolher. Tudo parecia tão diferente, tão distante da realidade que conhecia. Fenrir, percebendo o meu desconforto, manteve-se próximo, tentando me ajudar a escolher algo que me fizesse sentir à vontade. — Zara, que tal experimentar esse vestido? — perguntou ele, segurando um vestido simples, mas bonito. O gesto me fez sorrir. — Talvez... — comecei a responder, quando, de repente, um cheiro familiar me atingiu. Um cheiro que trouxe de volta memórias amargas e dolorosas. Um cheiro que eu jamais esqueceria. Virei a cabeça e lá estava ela: Mara. O meu coração deu um salto no meu peito. A antiga cozinheira da alcateia de Alfa James, a mulher que, além de cumprir o seu trabalho na cozinha, parecia se deleitar em nos agredir, tanto verbal quanto fisicamente. Diana também a viu, e senti o corpo dela enrijecer ao meu lado. Os olhos de Mara pousaram sobre nós e um sorriso c***l curvou os seus lábios. — Ora, ora, vejam só quem está aqui — disse ela, a voz venenosa. — As duas pobres órfãs da alcateia de James. Quem diria que ainda estariam vivas e respirando... Eu senti Fenrir imediatamente ficar tenso ao meu lado. Ele não conhecia Mara, mas com apenas uma olhada, percebeu a hostilidade no ar. Diana, por outro lado, ficou completamente paralisada. O medo que eu vi nos seus olhos era o mesmo que eu sentia cada vez que Mara se aproximava de nós na cozinha, quando morávamos na alcateia de James. — Mara — murmurei, sem conseguir disfarçar o tremor na minha voz. Eu queria ser mais forte, mostrar a ela que já não tinha poder sobre mim, mas o trauma ainda estava ali, profundo. — Você acha que pode nos intimidar? — Dante deu um passo à frente, os olhos brilhando com uma fúria controlada. Ele se colocou entre Mara e Diana, como se quisesse bloqueá-la de qualquer ataque verbal ou físico. Mara lançou um olhar rápido para Dante, mas não se intimidou. Nem sequer prestou atenção nele ou em Fenrir, que já estava ao meu lado, com o maxilar travado. Era claro que a presença de Fenrir não a amedrontava, e isso me fazia pensar no quanto ela estava envolvida com Alfa James e o que mais ela sabia. — Intimidar vocês? — Mara riu, uma risada amarga e cheia de desprezo. — Como se fosse preciso. Vocês duas nunca foram nada além de lixo. E agora estão aqui, fingindo que pertencem a algum lugar. Diana deu um passo para trás, visivelmente afetada. Era doloroso ver como Mara ainda tinha poder sobre ela, mesmo depois de estarmos longe da alcateia de James. Ela e eu compartilhávamos esse trauma, uma marca profunda que ainda não tínhamos superado. Eu sentia a minha garganta se fechar de angústia e raiva. Fenrir se aproximou de mim, a mão gentil pousando no meu ombro, como se quisesse me lembrar que eu não estava mais sozinha. Ele olhou para Mara com uma fúria contida. — Eu não sei quem você pensa que é, mas não vai mais machucar Zara ou Diana — disse ele, com um tom mortalmente sério. — Se você souber o que é melhor para você, vai sair daqui agora. Mara olhou para Fenrir com desprezo. — Ah, claro. O grande alfa Fenrir, o salvador. — Ela balançou a cabeça, rindo de novo. — Salvou a garota errada. Se soubesse a verdade sobre ela, jamais teria se importado. As palavras dela me atingiram como um golpe. O meu coração parou por um momento, e senti Fenrir ficar tenso ao meu lado. — O que você quer dizer com isso? — perguntei, tentando manter a minha voz firme, embora eu soubesse que algo estava prestes a ser revelado. Mara olhou para mim com um sorriso c***l, e eu soube que ela estava prestes a me ferir de uma maneira que não poderia ser curada. — James fez o que fez com você porque você nunca foi filha dele, Zara — disse ela, com uma satisfação doentia. — Você acha que ele te mantinha viva por pena? Não. Ele te odiava porque sabia que você não era dele. Você é o lembrete vivo de que a sua mãe traiu o grande Alfa James. As palavras dela ecoaram na minha mente, como se o mundo estivesse desmoronando à minha volta. Não era filha dele? Como isso podia ser verdade? Tudo o que eu sabia, tudo o que eu sofrera, de repente, parecia um erro. Fenrir apertou o meu ombro, tentando me ancorar, mas eu não conseguia pensar direito. — O que você está dizendo, Mara? — perguntei, a voz quase um sussurro. Mara sorriu, um sorriso de vitória, e antes que qualquer um de nós pudesse impedi-la, deu meia-volta e saiu, desaparecendo entre as pessoas do shopping, deixando para trás apenas o caos das suas palavras. Fiquei ali, paralisada, sentindo o meu mundo desmoronar. Eu não era filha de James. O homem que me torturou, que me manteve cativa por tantos anos, não era meu pai. E se ele sabia disso, o que isso significava para mim? Quem era meu verdadeiro pai? E, mais importante, o que isso mudava em tudo que vivi? — Zara... — Fenrir começou, sua voz preocupada, mas eu m*l conseguia ouvir. Minha mente estava em tumulto, girando com perguntas sem resposta. Diana estava igualmente abalada ao meu lado, mas Dante a segurava firmemente, como se ela fosse desmoronar a qualquer momento. Eu senti o calor da mão de Fenrir no meu ombro, tentando me ancorar, mas a tempestade dentro de mim era mais forte. — Eu... eu preciso de um momento — murmurei, minha voz vacilante. Ele assentiu, sem me soltar. Sabia que eu estava prestes a desabar, mas ele não me pressionou. Apenas me guiou gentilmente para fora da loja, para um lugar mais tranquilo. Enquanto caminhávamos, as palavras de Mara continuavam ecoando na minha mente. Eu não era filha de James. Mas quem eu era, então? E por que isso parecia mudar tudo?
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