Promessa de Esperança

1315 Words
**Fenrir** A viagem de volta para a alcateia foi silenciosa, mas dentro de mim, o caos reinava. Enquanto dirigia pela estrada sinuosa em direção à nossa casa, não conseguia afastar a imagem de Zara se distanciando de mim no shopping. A dor nos seus olhos, o jeito como ela se fechou, como se eu fosse o inimigo... aquilo rasgava algo profundo em mim. Eu nunca quis ser a causa de mais sofrimento para ela, e o simples fato de não poder arrancá-la daquele turbilhão de dor me deixava impotente. Ela estava sentada ao meu lado no carro, mas era como se houvesse um abismo entre nós. A sua expressão estava fechada, o olhar perdido. Aquelas palavras de Mara — sobre ela não ser filha de James, sobre a traição da mãe — eram como veneno que, eu sabia, estavam corroendo o seu espírito. Eu só queria segurar a sua mão, puxá-la para perto e dizer que tudo ficaria bem. Mas não sabia se ela acreditaria em mim. Não depois de tudo o que ouviu. Do outro lado, Diana estava visivelmente abalada, mas Dante, como sempre, mantinha uma mão reconfortante no seu ombro. Ele parecia mais controlado, mesmo com o ódio que sentia por tudo o que Diana havia passado. Eu invejava, de certa forma, a facilidade com que ele conseguia se conectar com a sua companheira. Eu estava perdendo Zara, e a única coisa que conseguia fazer era assistir. Koda, meu lobo, estava inquieto dentro de mim. Ele sentia o que eu sentia — o desespero por Zara, o medo de não conseguir alcançar o coração dela. Eu sabia que, apesar de tudo, precisaria ser paciente. Mas era difícil quando a pessoa que você ama está se afastando de você. "Deixe Ethan no shopping " - Koda murmurou na minha mente. — "Ele pode cuidar do que precisa ser feito. A nossa prioridade é Zara agora." Assenti silenciosamente. Ethan, que estava sentado no banco de trás, notou o meu olhar pelo retrovisor e acenou levemente, entendendo sem que eu precisasse dizer uma palavra. — Ethan, você vai ficar no shopping e terminar as compras para Zara e Diana — disse, a voz mais seca do que eu pretendia. — Compre o que elas precisarem e leve até a alcateia quando terminar. Ethan, sempre eficiente, apenas assentiu, já se preparando para sair quando estacionamos em frente à loja. Daquela vez não havia piadas ou objeções, ele podia sentir a tenção dentro do carro. — Certo, Fenrir. Não se preocupe, eu cuido de tudo aqui — ele respondeu, saindo rapidamente do carro. Agora com apenas nós quatro no veículo, o silêncio se intensificou ainda mais. Zara não olhou para mim em nenhum momento, o que apenas ampliava o nó no meu peito. O que posso fazer? Como posso ajudá-la, se ela nem sequer me deixa chegar perto? Koda, sentindo a minha frustração, tentou me acalmar. "Seja paciente. Ela precisa de tempo, mas também de você. Não a abandone, mesmo que ela tente se afastar." Eu sabia que ele estava certo. A conexão entre nós era algo mais profundo do que apenas físico. Zara dependia da minha energia vital para se recuperar completamente, e eu tinha que estar presente, quer ela percebesse ou não. Quando chegamos à alcateia, Zara foi a primeira a sair do carro. Sem dizer uma palavra, ela subiu apressada as escadas que levavam à casa principal e desapareceu no andar de cima. Eu segui-a com os olhos, esperando, desejando que ela olhasse para trás, mas ela simplesmente se foi, deixando-me sozinho com os meus pensamentos e a minha preocupação. — Ela só precisa de um tempo — disse Diana, a sua voz suave ao meu lado, enquanto Dante fechava a porta do carro. Olhei para ela, confuso, como se não soubesse como responder. — O que quer dizer? — perguntei, tentando manter a calma. Diana suspirou, olhando para o caminho que Zara tinha tomado. — Zara passou por coisas que eu nem consigo descrever. E não é só o que Mara disse hoje. James... ele a torturava, Fenrir. Não só fisicamente, mas mentalmente também. Ele fazia com que ela se sentisse suja, indigna de qualquer coisa boa. E agora, com essa revelação sobre a sua mãe, é como se tudo o que ela acreditava sobre si mesma estivesse desmoronando. Ela precisa de tempo para processar isso. As palavras de Diana me atingiram com força. Eu sabia que Zara havia sofrido nas mãos de James, mas ouvir os detalhes de alguém tão próximo a ela me fez perceber a profundidade das feridas que ela carregava. Não era apenas o físico. James a destruíra por dentro, e ela estava lutando contra anos de dor e humilhação. — Eu não quero perdê-la — admiti, a minha voz falhando levemente. O que eu poderia fazer para ajudá-la? — Você não vai perder Zara, Fenrir. Ela só precisa de tempo. Mas, por favor, tenha paciência. Ela sempre foi forte, mesmo quando achava que não era. Mas, agora, ela precisa encontrar a sua própria força de novo, e isso leva tempo. Eu assenti, tentando absorver as palavras de Diana. Tempo. Paciência. Eu poderia dar isso a ela. Eu daria tudo por Zara. Enquanto Diana e Dante se afastavam para dar-lhes privacidade, entrei na casa. O silêncio ali dentro era opressor, como se todos soubessem que algo estava errado. Subi as escadas lentamente, até parar em frente à porta do quarto de Zara. O trinco estava fechado, e o som suave de soluços abafados me atingiu como uma lâmina. — Zara — chamei baixinho, encostando a cabeça na porta. — Me deixe entrar. Por favor. Nenhuma resposta. — Eu só quero ajudar — insisti, a voz quebrada pelo medo de que ela me afastasse para sempre. "Dê tempo a ela," - Koda repetiu, na minha mente. - "Mas não a deixe. Mesmo que ela não queira você por perto agora, ela precisa de você." Respirei fundo, fechando os olhos. Ele estava certo. Mesmo que ela tentasse se afastar, eu não podia deixar que a distância entre nós aumentasse. Havia algo mais profundo ali — nossa conexão, o vínculo que nos unia. Eu sabia que ela sentia, mesmo que estivesse lutando contra isso. Koda falou novamente, mas desta vez a sua voz era mais tranquila, quase como um conselho paternal. "Ela depende da sua energia vital, Fenrir. Não apenas por causa da transformação, mas porque você é o pilar dela agora. James a destruiu, e você precisa ser o oposto. Para que ela se cure, você precisa estar presente. Pesquise. Descubra como ajudá-la a superar isso. E, acima de tudo, nunca desista." "Sempre sensato Koda" - respondo com um sorriso triste. As palavras de Koda penetraram profundamente em mim. Eu não a deixaria. Eu faria qualquer coisa para curar as suas feridas, para trazê-la de volta para mim. Mesmo que ela se trancasse no quarto, mesmo que se recusasse a me ver, eu estaria aqui. E eu não iria desistir. — Eu te amo, Zara — murmurei, sabendo que talvez ela não me ouvisse. — Eu vou te dar o tempo que precisa. Mas não vou a lugar nenhum. Com o coração pesado, mas determinado, voltei para o andar de baixo. Eu precisava descobrir mais sobre o que estava acontecendo com Zara, sobre como a sua transformação e a nossa ligação estavam afetando a sua saúde e o seu estado emocional. Não era só o que Mara tinha dito. Era algo mais profundo, algo que eu precisava entender para poder ajudá-la. — Eu vou lutar por você, Zara — prometi a mim mesmo, sentindo a força de Koda me apoiar. Eu cruzaria qualquer barreira que ela erguesse. Não importa o quanto ela tentasse se distanciar, eu a traria de volta. Ela era minha companheira. A minha alma gêmea. E eu faria o que fosse preciso para protegê-la — até mesmo dela mesma.
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