Insistindo apesar da dificuldade

1297 Words
**Fenrir** Doía-me saber que ela me afastava; não queria ficar longe dela. Resolvi então passar a noite na porta do quarto. Eu não descuidaria da minha companheira, mesmo que ela não me quisesse por perto; eu estaria lá. Não era fácil ver o quanto ela estava magoada e ferida, e não seria justo da minha parte esperar que ela agisse diferente depois de tudo o que tinha passado antes. A única certeza na minha mente era que jamais a deixaria. Zara era a luz da minha vida, e eu sempre faria o impossível para vê-la bem e feliz. Concentro-me nos sons que vinham do quarto e ouço o seu soluço baixo. Koda rosnava no meu peito, querendo arrombar a porta e ver como ela estava, mas o homem que havia em mim entendia a necessidade dela de ficar só, mesmo que isso me deixasse aflito. A cada novo detalhe que eu descobria, as minhas desconfianças sobre o alfa James apenas cresciam. Ele podia ter morrido, mas havia deixado para trás um rastro de dor e morte. Nunca pensamos que a sujeira de alguém vai respingar em nós, até que isso aconteça, e James tinha manchado todos ao seu redor. Não percebi quando adormeci encostado na porta do quarto. A minha mente estava tão agitada que nem notei quando sucumbi, mas lembro-me bem de quando acordei. Senti algo tocar o meu peito. Quando abri os olhos devagar, avistei Zara deitada ao meu lado; ela havia jogado uma manta sobre nós e dormia encostada em mim. Suspiro, apertando-a mais contra mim. Ela nem ao menos percebia o que fazia, mas eu sabia. Zara estava descobrindo os seus sentimentos por mim; eu podia sentir isso, mas o fato de ter sofrido tanto a cegava para essas coisas. Mas eu a faria ver a razão, a faria entender que ela me amava, só não admitia. Quando percebi que ela estava num sono profundo, levantei-me com ela nos braços, coloquei-a na cama e deitei-me ao seu lado, puxando-a para mim. Ela ronronou como um gato manhoso, aconchegando-se em mim, e pela primeira vez, depois de tudo o que tinha acontecido, senti paz. No dia seguinte, sentia-me relaxado; o meu corpo finalmente tinha descansado depois de todo o stress do dia anterior. Quando olhei para o lado, encontrei Zara dormindo tranquilamente. Por instinto, toquei a sua testa para medir a sua temperatura, mas estava normal, o que foi um alívio. Olhei para seu rosto tranquilo, e um sorriso surgiu no meu rosto. Zara era linda; os seus lábios cheios e nariz fino encantavam-me. Estiquei a mão e toquei levemente a sua sobrancelha, descendo pelos seus olhos. A sua pele estava macia agora, bem diferente de dias atrás, quando havia chegado à alcateia. O seu rosto estava mais corado, o que me deixava extremamente feliz. A minha mão desceu pelo seu rosto até tocar os seus lábios. Aquilo era uma grande tentação para mim; estar tão perto dela e não poder fazer tudo o que queria era uma tortura. Os seus lábios eram macios ao toque. Assustei-me quando os seus olhos se abriram e me fitaram, confusos. Quando tentei retirar a minha mão do seu rosto, senti-a erguer a sua, um tanto hesitante, e quando tocou o meu rosto, suspirei de satisfação. Zara deslizou a mão pela minha bochecha lentamente, os seus olhos fixos no meu rosto. Havia algo diferente no seu olhar que antes não existia. Os seus dedos deslizavam pelos meus lábios, causando arrepios por todo o meu corpo. O formigamento do vínculo de companheiro estava mais forte do que antes. Surpreendi-me quando a sua outra mão também tocou o meu rosto. A minha respiração estava agitada, e sentia o coração bater rápido. Aquele momento de conexão que estávamos tendo era muito mais do que um simples carinho. Eu podia ver nos seus olhos que ela estava, pela primeira vez, a reconhecer-me como o seu companheiro. Não havia dúvidas no seu olhar, apenas um brilho de felicidade que eu nunca tinha visto antes. Arriscando assustá-la, mas sem conseguir conter os meus impulsos, inclinei-me lentamente na sua direção, sem nunca desviar os olhos dos dela, e toquei os seus lábios com os meus. Para minha surpresa, senti a suas mãos ficarem mais firmes no meu rosto, puxando-me na sua direção. Gemi de satisfação com aquele contato, algo que eu desejava fazer desde a primeira vez que a vi e que, naquele momento, se tornava realidade. Inclinei-me sobre ela enquanto a beijava lentamente, sentindo os seus lábios um pouco desajeitados sobre os meus, mas nada tiraria a minha alegria naquele momento. Zara era doce, como sempre soube que seria, e a forma como se agarrava a mim apenas dizia que estava a aproveitar aquele momento tanto quanto eu. Deslizei a mão pelo seu rosto enquanto a beijava lentamente, e quando a minha língua adentrou a sua boca cálida, foi como se o mundo parasse, e só existisse ela. O calor e o sabor dela incendiavam-me, fazendo-me querer mais. As mãos de Zara mergulhavam nos meus cabelos, enquanto pequenos gemidos deixavam os seus lábios. Nenhum de nós dois queria parar, não queríamos quebrar aquele momento, e a necessidade um do outro apenas crescia. Eu podia sentir o vínculo a puxar-me mais para ela, desejando mais da minha companheira, mas queria apenas aproveitar aquele momento, sem pressioná-la para algo que sabia que aconteceria mais cedo ou mais tarde. Quando me afastei dela, vi o seu rosto corado a olhar para mim com fascinação. Acariciei a sua bochecha e dei mais um beijo nos seus lábios. O sorriso no meu rosto não podia ser escondido, nem se eu quisesse. Sentia como se as coisas finalmente estivessem a entrar nos eixos novamente, como se a minha companheira finalmente estivesse a permitir-me aproximar-me mais dela. — Me desculpe — ouvi-a dizer, e vi uma sombra nos seus olhos castanhos. — Por que me pede desculpa? — perguntei, ainda acariciando o seu rosto. Sentia uma necessidade enorme de tocá-la. — Por te afastar. — disse ela com a voz embargada. — Escuta, Zara... — comecei a dizer, mas ela colocou uma das mãos nos meus lábios, impedindo-me de continuar. — Tens sido bom para mim, Fenrir, e durante todos estes dias, eu só te afastei. — começou ela, com lágrimas descendo pelo rosto. — Estou tão acostumada a sofrer sozinha que nem pensei que isso também te afetava. Ontem, quando te vi dormindo na porta do quarto, percebi o quanto estava te magoando com o meu comportamento, e isso não é o que eu queria. Eu podia ver o arrependimento nos seus olhos e sabia que estava custando muito para ela dizer-me tudo aquilo. Zara sempre foi desconfiada, recusando-se a confiar nas pessoas, e eu podia entender isso. Sabia que as palavras que dizia agora lhe custavam muito. — É meu companheiro, tem cuidado de mim durante todos estes dias, me dando a tua energia e sendo compreensivo. Eu não quero ser alguém r*im para você; não merece isso, Fenrir. Merece alguém que te ame com tudo o que é. — Limpei as lágrimas que desciam pelo seu rosto, emocionado com as suas palavras. — Posso não sentir o nosso vínculo por completo, já que ainda não passei pela minha transformação, mas posso sentir o quanto se preocupa comigo em tudo o que faz. Prometo que vou tentar ser melhor para você. — Você já é tudo o que preciso, Zara. Jamais amarei alguém na minha vida como amo a você. Sei que as coisas que passou não foram fáceis, mas estou aqui por você, sempre estarei. — disse, e senti-a puxar-me para si, me abraçando. Zara chorava agarrada a mim, e eu sabia que aquele choro era libertador. A minha companheira finalmente estava tentando deixar o passado para trás.
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