**Dante**
Aquilo tinha saído melhor do que eu esperava. Podia ver nos olhos de Diana que ela havia amado os meus avós, mas como não amá-los? Aqueles dois haviam nascido para dar carinho ao próximo, e os outros membros da nossa matilha não eram exceção. Após o café da manhã, Alfa Fenrir tinha se retirado com a Luna. Ele ainda estava muito protetor com ela e não queria que ela se cansasse além do necessário.
Naquele momento, eu observava mais atrás a minha avó caminhar pelas ruas da alcateia de braços dados com Diana. Ela observava tudo com viva curiosidade, prestando atenção em tudo que a minha avó lhe dizia. Eu olhava curioso para as roupas que ela usava, me perguntando se ela as teria vestido se soubesse que eram minhas. Provavelmente não, mas havia algo muito satisfatório em vê-la com elas.
Diana não podia sentir o meu cheiro naquelas roupas, mas os outros membros da alcateia podiam, e saberiam que ela me pertencia, mantendo, assim, distância da minha pequena companheira. Eu já podia ver os olhos de alguns membros confusos ao passar por ela, mas apenas uma olhada no meu rosto os fazia desviar do meu caminho.
— São as suas roupas — diz o meu avô, sorrindo.
— Sim — respondo, não adiantava mentir. Qualquer um podia sentir o meu cheiro em Diana, menos ela mesma, é claro.
— Posso te entender, ela é uma garota maravilhosa — diz ele.
— Sim, ela é, avô, só precisa superar as coisas ruins que passou — digo a ele. Mesmo não estando mais na alcateia de Alfa James, eu podia ver a forma como Diana se esquivava das pessoas ao seu redor, como se esperasse que, a qualquer momento, alguma delas pudesse agredi-la.
— Ela vai, filho, vamos ajudá-la no que for preciso — diz o meu avô, colocando a mão nos meus ombros. Aquilo era reconfortante, era bom ter o apoio da família quando se precisava.
— Querido — chama a minha avó. Aproximo-me dela lentamente, vendo Diana se encolher ao seu lado. — Poderia levar Diana até a sorveteria da alcateia? Lembrei que tenho um compromisso com o seu avô.
Olho para meu avô, que apenas arqueia a sobrancelha para mim. Aquilo era apenas um ardil da minha avó para que Diana passasse um tempo comigo.
— Tudo bem, vovó — digo, dando de ombros. Antes que Diana pudesse protestar, a minha avó já tinha se despedido e arrastado o meu avô com ela.
Olho para Diana, encontrando os seus olhos assustados. Ela segurava a camisa com força contra o seu corpo pequeno. Não queria que ela se sentisse desconfortável perto de mim, mas não havia outra forma de ela perder um pouco o receio que tinha.
— Vamos, você vai gostar de lá — digo, colocando-me ao seu lado. Começo a andar devagar e espero que ela me acompanhe. Percebo quando, um tanto hesitante, ela me segue. — Já foi a uma sorveteria antes?
— Não, Alfa James não permitia essas coisas — diz ela com a voz baixa, sem sequer se atrever a olhar nos meus olhos.
— Ele devia ser terrível — digo com um suspiro, sem querer alimentar velhas memórias dolorosas nela. — Mas isso não vai acontecer aqui. Alfa Fenrir é justo, e os seus membros podem escolher o que querem fazer sem impedimentos.
— Estou aprendendo isso. m*l pude acreditar que ele paga as ômegas que limpam a casa da matilha — diz ela, com os olhos brilhando.
Aquilo não devia me surpreender. Muitas alcateias desprezavam os ômegas por sua pouca força e, na maioria das vezes, os tratavam como simples escravos.
— Sim, e não só isso. Tem algumas delas que fazem faculdade, e o Alfa financia os seus estudos — digo, e vejo os seus olhos se arregalarem. Ao que parecia, eu tinha conseguido distraí-la um pouco.
— Elas estudam? — pergunta.
— Sim, e você também pode, se quiser. O Alfa jamais proibiria algo que pudesse te ajudar no futuro — digo, parando mais à frente.
— Eu gostaria. Nunca estudei. Alfa James dizia que a escola era apenas para os altos membros da alcateia — diz ela, com o semblante triste.
— Ei, não fique triste — digo, e, sem perceber, acabo tocando o seu rosto. Uma corrente elétrica passa pelo meu corpo, me fazendo arfar. Se antes eu tinha dúvidas, naquele momento tive completa certeza de que ela era minha companheira.
Diana dá um pulo para trás com aquele contato, e, pela forma como os seus olhos me olhavam, eu sabia que ela tinha sentido o mesmo que eu.
— Me desculpe, não quis ser inconveniente — digo, virando-me e começando a andar. — Vamos, estamos quase chegando.
Ela me segue um tanto relutante. Após alguns minutos, ela estava mais relaxada ao meu lado e, quando avista a praça principal da alcateia, vejo os seus olhos brilharem. Eu a entendia bem. Havia uma estátua da deusa da lua ao centro com um lindo chafariz, rodeada por um gramado, e ao lado havia um parque com alguns bancos. Sigo em direção à pequena sorveteria que havia ali, e, assim que entro, vejo um sorriso se formar no rosto de Natália, a atendente.
— Dante! — exclama ela, vindo e se jogando nos meus braços. Natália sempre fazia isso, mas o que me surpreendeu foi o rosnado que ouvimos. Quando me viro, encontro o olhar furioso de Diana.
Eu não sabia o que fazer. Orgulho enchia o meu peito por saber que a minha companheira sentia ciúmes de mim, mas, em seguida, vejo o seu olhar confuso e ela rapidamente tapa a boca com as mãos. Natália me solta rapidamente, mantendo uma certa distância, envergonhada com a sua ação.
— Me desculpe, Dante. Não sabia que tinha encontrado a sua companheira — diz ela antes de se voltar para o balcão. — Por favor, aceitem um sorvete como pedido de desculpas.
— Não é isso... — começa Diana, mas eu apenas aceno para que ela pare.
— Isso serve de lição. Alguma hora você vai acabar apanhando da companheira de alguém — digo a ela, sorrindo.
— Sou espontânea, não fiz por m*l — diz ela, cruzando os braços, chateada.
— Venha, Diana. Escolha o seu sorvete — digo, chamando-a. Eu podia ver a vergonha estampada no seu rosto, mas eu não iria desmentir o que disse, até porque era a verdade.
Vejo os seus olhos se iluminarem ao ver os sabores de sorvete na vitrine. Ela escolhe, e eu coloco num pequeno potinho para ela.
— Obrigada, Natália — digo, rindo da cara dela. Ela mostra a língua para mim e se afasta.