Ele Não Era Tão Cr*el Assim

1163 Words
**Zara** Tudo para mim era maravilhoso; eu sentia-me feliz ao entrar na floresta. Era como se aquele lugar fosse o meu lar, a minha verdadeira casa. Em meio a tudo isso, seguia na direção para onde aquela força me atraía. Nala tinha-me garantido que tudo estaria bem e que eu poderia confiar na pessoa que estaria lá. Assim que chego ao rio, não resisto a tirar os sapatos e colocar os pés na água. Aquilo era uma delícia, e permito que as lembranças que me atormentavam venham à tona. Sinto as lágrimas descerem pelo rosto enquanto pensava que tudo poderia ter sido diferente se o alfa James fosse mais humano. "Isso não iria acontecer, Zara. Ele era cr*el", diz Nala, tentando consolar-me. "Eu sei, Nala, mas se ele sabia que eu não era sua filha, podia ter-nos libertado, não nos obrigado a viver o horror daquele lugar." Aquilo era o que me deixava com ódio: James sabia que eu não era sua filha, e, ao invés de nos libertar, fez questão de vingar-se da minha mãe através de mim. "Não pense muito nisso, Zara; ele era uma pessoa r*im", diz Nala. "Eu sei, e espero que apodreça no inferno por tudo o que me fez passar", digo, sentindo o meu peito encher-se de ódio. "Ele chegou", diz Nala, chamando a minha atenção. Concentro-me e sinto a energia que me atraía aproximar-se. Não olho, apenas espero que ele se aproxime. Por mais que eu sentisse medo, confiaria em Nala. Quando ele me chama, olho nos seus olhos e surpreendo-me ao ver que são tão dourados quanto os meus. Ele tinha os mesmos cabelos castanhos e a pele morena, mas era forte e tinha um olhar sério que se suaviza ao observar-me. Pela aura que o rodeava, sabia que ele não era um simples soldado ou Beta. À medida que a nossa conversa flui, vou sentindo-me mais confortável perto dele. De certa forma, Lorcan trazia-me paz, algo que eu não esperava. Não foi surpresa ele dizer-me que era um Belmonte, embora isso me assustasse no início. Não podia ignorar as tensões que havia entre as nossas matilhas, e eu não desejava trazer problemas para Fenrir. – Diga-me, pequena Luna. Por que estava chorando quando eu cheguei? – olho nos seus olhos dourados e encontro apenas a tranquilidade de alguém que não entendia o que estava acontecendo. Suspiro. Não deveria falar sobre aquilo com ele, mas algo me dizia que, assim como eu guardaria os seus segredos, ele guardaria os meus. – Recentemente, descobri que a pessoa que dizia ser meu pai não era meu pai de verdade – não vejo mudanças na sua expressão com aquela revelação. – E está chateada com isso? – pergunta calmamente. – Não! Estou aliviada por aquele monstro não ser nada meu – digo, passando a mão pelo rosto. – Então não entendo – diz ele. – Ele abusava de mim na minha alcateia, torturava-me e fazia-me muito m*l. Quase morri por causa daquele inútil – digo, sentindo uma força dentro de mim agitar-se. – Mas ao falar sobre isso, parecia reviver tudo o que tinha passado, e isso só me faz ter vontade de matá-lo da pior forma possível! A fúria domina-me, sinto aquela força dentro de mim crescer e expandir-se à minha volta. Quando olho para Lorcan, ele está tranquilo, sentado na sua pedra, como se o que acontecia à nossa volta não tivesse importância. – Agora entendo – diz ele calmamente. Concentro-me e começo a relaxar, sinto a minha energia diminuir, como se encolhesse dentro de mim novamente. – Mas como se sente em relação à sua mãe? Paro. Nunca tinha pensado muito nisso, pois nunca a conheci. Olho fixamente para Lorcan, entendendo o que ele dizia. – Nunca parei para pensar sobre isso. Não a conheci, mas, sabendo como era o alfa James, posso entender por que eu não era filha dele, e não a culpo – aquilo era apenas a verdade. A minha mãe devia ter sofrido muito mais do que eu nas mãos de James, e jamais a culparia pelo meu triste destino. Ela era apenas mais uma vítima das suas crueldades. – Faz bem em pensar assim. Nunca sabemos o que os outros passaram, então seria injusto julgar – diz ele tranquilamente. – Então, não sabe quem era o seu pai, nem a sua mãe? Pela forma como ele falava, parecia algo estranho, mas, na época, James não me deixava ter nada dela. A única coisa que eu já tinha visto eram algumas fotos dela a sorrir, e ela era linda. Sempre me perguntei quando aquelas fotos tinham sido tiradas, pois não parecia ser na alcateia de James. – Você é bem diferente do que os outros dizem – digo, olhando nos seus olhos, e surpreendo-me quando ele ri, o seu rosto suavizando. – Não se engane, pequena Luna. Eu sou bem pior do que os outros dizem, mas você não tem por que me temer. Jamais a machucaria – eu acreditava naquilo. Podia ver a verdade nos seus olhos e aceitava aquelas palavras no meu coração. – Diga-me, por que odeia tanto Fenrir, alfa Lorcan? – pergunto, curiosa. – Pode me chamar apenas de Lorcan, Luna. Acho que já nos conhecemos o suficiente para deixar as formalidades de lado – diz ele, sorrindo. – E, respondendo à sua pergunta, anos atrás perdi os meus pais numa disputa entre alcateias. Tudo indica que os pais de Fenrir estavam envolvidos nisso. Quero apenas justiça pelos meus. – Não acha que tudo isso é, no mínimo, estranho? – pergunto. Tantos anos tinham-se passado que qualquer informação poderia ter sido adulterada, e os meus instintos diziam-me que havia algo errado em tudo aquilo. – Acho que não; o corpo deles foi encontrado na matilha de Fenrir, o que prova o envolvimento deles em tudo isso. – Qualquer um poderia fazer isso para incriminá-los. Isso me parece muito estranho – vejo os olhos dele observarem-me de forma diferente, e não entendo o que ele está a pensar. – Já pensei nisso, mas nunca investiguei a fundo – diz ele. – Se fosse você, investigaria, Lorcan – digo, tirando os meus pés da água e calçando os meus sapatos. – Pense: Fenrir e a sua matilha são fortes. Poderiam ter entrado numa guerra com vocês há muito tempo, mas ainda não o fizeram. Isso, por si só, já significa muito, vindo de alguém como ele. – Você é esperta, pequena Luna. Vou verificar o que disse – diz ele com um sorriso de canto. – Apenas Zara, Lorcan – digo, sorrindo. – Zara – diz ele, sorrindo. – Cuide-se – digo, virando-me para partir. – Zara? – chama ele. Viro-me na sua direção e vejo o seu rosto sério. – Evite andar na floresta sozinha. Nem sempre sou eu a coisa mais perigosa por aqui. Apenas aceno para ele, me viro e parto. As palavras de Lorcan estavam firmes na minha mente, e acelero o passo para casa.
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