**Fenrir**
Quando retorno para a alcateia, vou direto para casa e, assim que entro, ouço a risada de Zara encher o ambiente. Olho para Sam, Ethan e Dante, que estavam ao meu lado, e vejo a mesma expressão confusa nos seus rostos.
Vamos para a cozinha e encontramos o conselheiro Isacar sentado à mesa com Zara, Diana e Any. Elas conversavam com ele tranquilamente enquanto comiam.
— Alfa, por favor, junte-se a nós — diz ele, levantando-se quando me vê na porta.
— Espero não estar atrapalhando nada — digo, indo até Zara e lhe dando um beijo na testa.
— Não mesmo, acabámos de nos sentar — vejo todas tranquilas ao lado de Isacar, e isso me deixa curioso.
— Fenrir, foi o Isacar quem cozinhou para nós — diz Zara sorrindo. — Divertimo-nos bastante.
— Fico feliz com isso, pequena — digo, sorrindo.
— Amor, tem que aprender algo com o Isacar; ele é ótimo — diz Any, estendendo a mão para Sam.
— Não gosto muito disso — diz ele, sentando-se.
— Desculpe se fui indelicado, guerreiro. Estava cozinhando para a Zara quando Any e Diana apareceram, então não vi problema nenhum em cozinhar para elas — Isacar tinha uma tranquilidade de dar inveja, não se incomodando com o rosto hostil de Sam.
— Está tudo bem, conselheiro, perdoe-me se fui rude — diz ele.
— Nada disso, sente-se e vamos jantar.
Nós nos sentamos ao lado das nossas companheiras. O cheiro da comida estava maravilhoso, e surpreendeu-me que Isacar soubesse cozinhar.
— Soube que tiveram um imprevisto, Alfa Fenrir. Está tudo bem? — pergunta ele enquanto abre uma garrafa de vinho.
— Lobos Belmonte. Sempre temos problemas com eles — bufo, lembrando-me do olhar de interesse de Lorcan em Zara.
— Sinto o teu ciúme a quilômetros de distância, Fenrir — diz Zara, com um sorriso de canto.
— Vai ser difícil guardar segredos de você, minha Luna — vejo o sorriso dela aumentar com as minhas palavras.
— É só não guardar — diz ela, sorrindo. — Mas por que está com ciúmes?
— Ao que parece, ganhou um admirador — digo, frustrado.
— Não entendi.
— Alfa Lorcan deu uma surra no beta dele quando ele ousou te desrespeitar, Luna. Nunca o vimos agir daquela forma — diz Ethan, explicando a Zara o que vimos.
Vejo um sorriso abrir-se no rosto da minha companheira, e aquilo incomoda-me profundamente; os seus sorrisos eram só meus, e saber que estavam sendo dirigidos a outro homem só fazia a minha raiva aumentar.
— Eu disse que ele era bom, Fenrir, mas você não acredita em mim — diz ela. Olho no seu rosto, permitindo que ela veja toda a minha inquietação. — E não fique bravo com isso.
— Impossível, quando te vejo sorrindo dessa forma por causa de outro homem — digo entre dentes. Para minha surpresa, Zara levanta-se e vem na minha direção, sentando-se no meu colo. Arregalo os olhos com aquilo, pois não era um comportamento habitual dela.
— Sabe que só amo você, senhor Alfa. Não fique bravo comigo — diz ela, segurando o meu rosto e dando-me um beijo nos lábios. As minhas mãos envolvem a sua cintura, pressionando-a mais contra mim.
— Parem com isso, ainda estamos aqui — diz Ethan.
— Então feche os olhos — digo-lhe e volto a beijar Zara novamente. Ela interrompe o nosso beijo rindo e volta-se para o meu prato à sua frente.
— Alfa Lorcan não é r*im, Alfa Fenrir; o conselho tem olhado com atenção para aquela alcateia — diz Isacar, e aquilo faz-me lembrar de algo.
— Não sei se concordo com você, mas há algo que eu gostaria de tentar — digo, chamando a sua atenção.
— Diga, se estiver ao nosso alcance, ajudaremos.
— Quero um encontro com o Alfa Lorcan, num lugar neutro onde possamos resolver as nossas diferenças sem entrarmos em guerra. Gostaria que um representante do conselho estivesse por perto para mediar a discussão — com a presença de Isacar ali, parecia perfeito um encontro entre mim e Lorcan.
— A sua ideia é boa, Alfa Fenrir; também desejo que essas tensões terminem rapidamente, afinal, elas já duraram muitos anos — eu também desejava aquilo. Viver em constante apreensão não estava sendo fácil; era cansativo e desgastava-me mais do que nunca.
— Vou conversar com ele amanhã mesmo, Alfa Fenrir, e marcamos esse encontro, já que estou aqui poupamos tempo.
— Obrigado por isso, conselheiro Isacar. Só quero que tanto a minha matilha quanto a minha companheira fiquem seguros.
— É o que queremos também, Alfa Fenrir. E agora que, segundo você, Alfa Lorcan tem demonstrado uma amizade com Zara, tudo pode ficar mais fácil — diz ele. Olho para Zara e vejo um sorriso no seu rosto; a minha companheira estava radiante nos últimos dias, e isso fazia o meu coração aquecer por dentro.
— Eu também desejo que isso termine. Tenho alguns parentes naquela alcateia que desejo visitar, mas com tantas tensões, nunca pude — diz Any.
— Posso conversar com Lorcan, Any. Quem sabe ele não permita que entre — diz Zara, visivelmente animada.
— Isso seria ótimo, Luna — diz ela, rindo.
Vejo o brilho nos olhos de Zara ao falar com Any e percebo que ela é uma pessoa que gosta de se doar pelos outros; ela seria uma Luna maravilhosa para o meu povo.
— Vamos resolver isso para podermos marcar a sua cerimónia de Luna, querida — digo e vejo a sua surpresa.
— Cerimónia de Luna? — pergunta.
— Sim, já era para termos feito isso, mas como estavas machucada, adiamos. Mas não podemos adiar mais, precisamos marcar o baile.
— Isso vai ser incrível! Posso te ajudar com o que precisar, Luna. Conheço tudo por aqui e o que não conseguirmos, sei que o Alfa pode dar um jeito de encomendar — diz Any, animada.
— Tudo o que te faça feliz — digo, dando-lhe um beijo na bochecha.
— Eu também quero ajudar — diz Diana, com um olhar triste.
— Mas é claro, Diana! Vamos precisar de muita ajuda; tenho muitos planos… — Any falava sem parar e, a cada palavra dela, eu via Zara arregalar os olhos com as suas ideias. O clima era agradável enquanto jantávamos, e, claro, a comida estava divina. Olhava para o conselheiro com um misto de emoções, sabia que ele estava a esconder-me algo, mas não era o momento certo para falar sobre aquilo.