**Zara**
Estávamos sentados à mesa para o café da manhã, e, a cada olhar que Fenrir me lançava, eu corava ao lembrar do nosso tempo juntos. Me perguntava quando tinha me tornado tão atrevida.
Sinto a sua mão apertar a minha perna e dou um pulo de susto. Olho para o seu rosto e encontro um sorriso brincalhão nos seus lábios, e, ao olhar para eles, eu desejava beijá-lo novamente. Não sabia que um beijo podia ser tão bom, e as lembranças disso faziam o meu corpo aquecer.
— Vocês são insuportáveis — diz Beta Ethan, sentando-se à mesa. — Vão procurar um quarto.
— Estamos na minha casa; os incomodados que se mudem — diz Fenrir, ignorando-o.
— Sim, mas qualquer um que passar vai sentir o cheiro que ela está exalando. É isso mesmo que quer? — Aquilo me deixa confusa. Olho para Fenrir e vejo o seu sorriso brincalhão.
— Do que ele está falando? — pergunto em voz baixa.
— Lobos exalam um cheiro específico quando desejam acasalar, Luna — diz o conselheiro Isacar, entrando e sentando-se à mesa. — Bom dia.
Olho para eles à mesa, tão envergonhada que só queria desaparecer dali. Levanto-me rapidamente, mas a mão de Fenrir puxa-me para o seu colo.
— Não fique envergonhada e não ligue para eles; isso é entre eu e você apenas — diz ele, sorrindo.
— Isso foi maldade sua, Alfa — digo, segurando a sua orelha com força.
Antes eu estava envergonhada, mas, ao saber que ele tinha feito aquilo de propósito, só queria arrancar-lhe a orelha como castigo.
— Zara! — reclama ele, mas no seu rosto havia um largo sorriso.
— Para mim, chega — diz Beta Ethan, pegando o seu café e saindo.
Para minha surpresa, Fenrir apenas ri. Eu percebia que ele estava mais leve, descobrindo um lado dele que eu não imaginava que existisse. Lembro-me bem do meu desespero na primeira vez que o vi. Os seus olhos intimidavam-me de tão intensos que estavam sobre mim; o seu rosto era sombrio, e eu temia que, no fundo, ele só quisesse me causar dor.
Mas ali estava o meu terrível alfa, rindo do seu beta por um motivo que eu desconhecia; o seu rosto estava suave e os seus olhos tinham um brilho de alegria que eu ainda não tinha percebido nele.
Observo a sua pele morena, assim como a forma como os seus músculos estavam marcados na camisa de botões que ele usava. Fenrir era um homem grande e atraente, e os seus olhos verdes eram apenas o golpe de misericórdia na sua beleza.
— Se quiser, podemos ir para o quarto. Eu tiro a roupa e você pode me olhar melhor — diz ele, piscando para mim.
Arfo em choque; não tinha percebido que ele tinha me pegou o encarando. Olho rapidamente para o conselheiro Isacar, mas ele apenas ri da nossa interação.
— Não se preocupe comigo, pequena Luna; essas brincadeiras são naturais entre companheiros — diz Isacar, voltando a comer como se nada tivesse acontecido.
— Viu, você não precisa se preocupar com os nossos convidados — diz Fenrir, oferecendo-me um pedaço de bolo. Dou uma mordida e vejo o seu sorriso aumentar.
Era para eu me sentir estranha com tudo aquilo, mas não era isso que acontecia. Eu gostava de estar no colo de Fenrir enquanto ele me alimentava; parecia natural, como se aquele sempre tivesse sido o meu lugar. Perguntava-me se aquilo era a paz que eu tanto desejava na minha vida. Estava tudo tranquilo; eu tinha um companheiro atencioso e não poderia desejar mais nada na minha vida.
— Zara! — grita Diana, correndo na minha direção com lágrimas nos olhos. — Fiquei com tanto medo, Zara.
— Estou bem, Diana — digo, abraçando-a enquanto ela chorava. — Não chore mais.
— Achei que poderia te perder. Você é a única família que eu tenho; não quero ficar sem você — diz ela, olhando-me nos olhos.
— Não vai ficar sem mim, e agora também tem uma família — digo, apontando para Dante, que estava mais atrás dela. Era nítido o desconforto dele ao vê-la chorar.
— Eu sei, mas você sempre será o primeiro m****o da minha família — diz ela, abraçando-me novamente.
— Fico feliz que esteja bem, Luna — diz Dante, quando Diana me solta.
— Obrigada, Dante, e estou aliviada por ter cuidado dela esses dias.
— Não fiz mais que a minha obrigação, Luna — diz ele.
— Sentem-se e tomem café conosco — diz Fenrir, puxando-me de volta para o seu colo. — Ainda não terminou de comer.
— Mandão — digo, mas aceito o copo de suco que ele me oferecia.
Assim que Dante se vira para puxar a cadeira para Diana, ele vê o conselheiro Isacar tomando o seu café calmamente. Vejo a expressão dele mudar e a sua postura tornar-se mais rígida.
— Perdoe o meu descuido, conselheiro Isacar; não notei a sua presença — diz ele rapidamente, fazendo uma reverência.
— Não se preocupe com isso; dadas as circunstâncias, entendo a sua distração — responde ele.
— Obrigado, conselheiro — diz Dante.
— Seja bem-vindo, conselheiro — diz Diana, imitando a reverência de Dante.
— Obrigado, minha jovem, mas não se preocupem comigo e continuem o que estavam fazendo — diz ele, com um gesto das mãos.
— O que o trouxe aqui, conselheiro? — pergunto.
— Você, pequena Luna — vejo nos seus olhos um brilho de curiosidade, e isso confunde-me um pouco.
— Acho que não entendi — digo, confusa.
— Ele deseja te ouvir sobre tudo o que viveu na alcateia do Alfa James, querida — diz Fenrir, e, pela forma como os seus olhos se escureceram, percebo que ele não gostava daquele assunto.
— Isso mesmo. Quando tiver um tempo, gostaria de te ouvir.
— Não gosto de me lembrar daqueles dias — digo, apoiando-me em Fenrir.
— Também não gosto de te ver lembrar dessas coisas, mas é a única forma de fazer justiça por você, querida — diz Fenrir.
— Tudo bem — digo, puxando uma grande lufada de ar. — Eu conto tudo o que aconteceu.