Visitante Noturno

1036 Words
**Lorcan** A cada dia que passava, eu ficava mais curioso para saber quem era a mulher que tinha domado o poderoso alfa Fenrir. Eu queria entender isso, mas não conseguia; apenas sabia que precisava conhecê-la, e aquilo estava me fazendo revirar na cama à noite — não que eu fosse assumir isso, é claro. A guerra, para mim, tinha sido relegada a segundo plano. Isso não queria dizer que eu estava perdoando as coisas que Fenrir fez, mas sim que eu manteria um nível aceitável de convivência com ele até sanar as minhas dúvidas quanto à sua companheira. Eu não a tinha visto, mas sabia, por alguns dos meus espiões, que ela era linda e de aspecto doce. Fenrir era um cara de sorte, isso eu tinha que admitir. Ele também era fiel aos seus princípios, algo que estava se tornando raro no nosso meio. Chego a pensar que gostaria dele se as circunstâncias fossem outras. Ele também era um bom alfa; eu podia perceber isso pela forma como a sua alcateia estava crescendo. O homem tinha um tino perfeito para os negócios. — Deixe-me adivinhar — diz o meu avô, Corin, entrando no meu escritório. — Está pensando na companheira de Fenrir? — Esperto como sempre, avô — digo com um sorriso de canto. — Estou apenas curioso. — Realmente espero que seja só isso. Sabe que os companheiros são sagrados para os lobos — alerta-me ele, como sempre, como se eu fosse esquecer isso. — Eu sei, e já disse que não farei nada com ela, não faltarei com a minha palavra. — Todos que me conheciam sabiam que, se eu dissesse algo, eu cumpriria. Então, se eu resolvesse avisar que arrancaria a sua cabeça, você estaria sem ela no dia seguinte. Sou um alfa de palavra e não volto atrás no que digo. — Confio em você, meu neto, e sei que não o criei para ser sem coração. — Ele estava certo. Ele fez de mim um bom alfa; eu apenas aperfeiçoei as coisas que ele me ensinou ao longo dos anos. Talvez por isso o meu nome fosse tão temido. Apesar de que acho que vovô sabe bem do que acontece no meu porão com os meus inimigos. A minha alcateia prosperava nas sombras; poucas pessoas se aventuravam pelas minhas terras, todos me temiam. Os negócios estavam se desenvolvendo bem, e o meu povo vivia de forma confortável. O mais importante para mim era a lealdade deles a mim. Não importava o que os outros dissessem; eles mantinham-se leais ao seu alfa, e eu os recompensava sendo um governante justo e honrado. Era assim que as coisas funcionavam. — Você tem visitas — diz o meu avô. Agora eu entendia o motivo da sua presença no meu escritório tão tarde. — Quem? — Um enviado de Isacar — diz ele. Olho nos seus olhos e não vejo nada; assim como eu, ele sabia bem que certos assuntos era melhor manter em sigilo. — Mande-o entrar — digo, e vejo-o abrir a porta. O mesmo mensageiro de sempre entra. — Saudações da parte do senhor Isacar, alfa Lorcan — diz ele, fazendo uma reverência. — Não esperava vê-lo por aqui tão cedo, Alberto — digo, apontando a cadeira à minha frente para que ele se sentasse. — Imagino que sim, alfa, mas o senhor Isacar mandou que eu viesse lhe informar algo. — Aquilo era interessante. Isacar nunca compartilhava informações; era, no mínimo, curioso ele estar fazendo isso naquele momento. — O que ele descobriu? — pergunto, indo direto ao ponto. Ao meu lado, o meu avô mantinha os olhos fixos no homem à sua frente. — Ele está na alcateia Presa Branca — diz Alberto. Trinco os dentes; eu sabia que ele teria de ir até lá, só não imaginava que fosse tão cedo. — O que mais? — Ele não teria arriscado vir até aqui apenas para me dizer isso. Não era do feitio de Isacar agir dessa forma; devia haver mais nessa história. — Ele descobriu que a companheira do alfa Fenrir é um lobo dourado, alfa Lorcan. — Sinto as minhas garras projetarem-se, cravando-se no tampo da mesa à minha frente. O meu lobo agita-se, e sabia que, naquele momento, os meus olhos deviam estar dourados. — Explique — peço de forma ríspida, tentando controlar o meu lobo. — Ele foi à alcateia para pegar o depoimento de Luna Zara sobre os maus-tratos que sofria com o alfa James, mas, quando chegou, ela estava no meio do processo de transformação, então ele a ajudou. Se não fosse pelo senhor Isacar, a pequena Luna não teria sobrevivido à transformação — diz ele rapidamente. Agora eu entendia a gravidade da situação. No mínimo, Isacar queria que eu ficasse de olho na menina; no nosso mundo, um lobo dourado era muito procurado, ainda mais sendo uma fêmea, e, se havia algo que eu sabia, era que Fenrir mataria qualquer um que se aproximasse da sua companheira. — Mas por que ela não conseguia se transformar? Sei que o processo é lento, mas somos capazes de passar por isso — digo. — Ao que parecia, ela era torturada na sua alcateia, alfa Lorcan. Alfa Fenrir estava a mantê-la viva com a sua energia, por isso ela estava fraca para a transformação. — Sinto a fúria tomar conta de mim. Não sabia o motivo, mas entendia que eu precisava dar um jeito no alfa James por tal afronta a uma Luna. — Eu vou matar aquele m*ldito! — digo, ficando de pé. As minhas garras afundam-se na mesa, arrancando nacos da madeira. Vejo Alberto se levantar e afastar-se de mim, os seus olhos arregalados de medo. — Controle-se, Lorcan. Deixe que ele termine — diz o meu avô de forma ríspida. Eu rosno para ele, mas obedeço; o meu lobo respeitava muito o meu avô e não negaria um pedido dele. — Continue — rosno para Alberto. — O senhor Isacar está preocupado. Ele descobriu que a menina faz parte da sua família, por isso ele me enviou até você hoje. — Eu travo, olhando para o homem à minha frente, mas, nos seus olhos, não havia qualquer traço de dúvida. — Como?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD