Desconhecido na Floresta

1035 Words
**Zara** Eu não queria falar sobre o meu passado. Tudo ainda era muito recente, e a dor ainda reinava no meu coração. É claro que não doía como antes, mas ela ainda estava lá. O conselheiro Isacar tinha sido muito paciente na nossa conversa, deixando que eu externasse tudo o que havia sentido nos anos de abuso com o alfa James. Às vezes, Fenrir me interrompia, rosnando, e a sua aura assassina se espalhava pelo lugar. Quando tudo terminou, eu só desejava um pouco de paz; queria ficar sozinha com os meus pensamentos e esquecer tudo o que tinha acontecido. — Tem certeza de que não quer que eu fique com você, Zara? — pergunta Diana, com os olhos marejados. Eu admirava a sensibilidade da minha amiga e podia sentir o quanto ela estava preocupada, mas eu queria apenas um pouco de paz, deixar que os meus pensamentos vagassem sem rumo. — Eu estou bem, só quero ficar um pouco sozinha — digo, apertando a sua mão. Lanço um olhar suplicante para Dante, que apenas assente mais atrás. — Vamos, querida, deixe a Luna descansar, a noite foi agitada — diz ele, já a puxando para os seus braços. — Mas... — Sem "mas". Ela precisa descansar — diz ele e acena para mim antes de se retirar, puxando Diana com ele. Respiro aliviada por ver que Diana tinha partido. Amava a minha amiga, e não queria que ela visse a minha tristeza. Diana tinha uma alma brilhante e merecia mais do que lamentar-se por meus problemas. — Tenho algumas coisas para resolver, mas posso cancelar para ficar com você, pequena — diz Fenrir, abraçando-me por trás e dando um beijo no meu pescoço. — Não se preocupe comigo, vou ficar bem — digo, apertando-me contra ele. — Importa-se se eu der uma volta no jardim? Fenrir me solta e me vira na sua direção. Os seus olhos estavam fixos no meu rosto, e pela sua expressão parecia que estava zangado. — Esta alcateia também é sua, Zara, pode ir aonde quiser. Não sou seu carcereiro para limitar os seus passos, querida — ele me dá um beijo rápido nos lábios e me abraça apertado. Eu queria ficar assim com Fenrir para sempre; o calor protetor dos seus braços era o meu melhor remédio. — Se precisar de mim, basta chamar que eu venho correndo. — Sim, senhor alfa — digo, sorrindo. — Não faz essa cara, senão te arrasto para o quarto e não te deixo sair por, no mínimo, uma semana — diz ele, puxando-me de volta para si. — E o que teria de tão bom no quarto que eu ficaria lá uma semana? — digo, provocando-o. Vejo os olhos de Fenrir escurecerem, um sinal de que eu estava brincando com o perigo. As mãos dele me apertam mais contra si, ele se inclina na minha direção, aproximando os seus lábios do meu ouvido. — Você sabe o que vai ter de bom lá! — diz, mordendo a minha orelha. Eu ofego com aquele contato. — Eu, nu, te possuindo de todas as formas possíveis. E entenda, pequena, uma semana não será suficiente para aplacar o meu desejo por você. Tudo bem, se ele queria me provocar, ele tinha conseguido. Rapidamente, me afasto dele, corando violentamente. — Não pode me dizer essas coisas — digo, de cabeça baixa. Solto um grito quando ele me puxa rapidamente contra si, a sua mão envolvendo a minha nuca com força. Olho para cima e travo; se o que eu estava vendo não era selvagem, eu não sabia mais o que era. Fenrir tinha um olhar predador sobre mim. Eu precisava inclinar-me para olhar nos seus olhos, já que ele era enorme. Ele se abaixa rapidamente e morde o meu lábio inferior. Podia sentir a intensidade que emanava dele, e aquilo me assustava, mas de uma forma boa. Quando gemo, ele choca a sua boca com a minha, a sua língua encontrando a minha com violência. Ele não estava sendo delicado; era bruto, violento e, principalmente, possessivo na forma como me beijava. Podia ouvir o ronronar de satisfação que vinha dele, e aquilo apenas me deixava mais sedenta por seus beijos. A sua mão me apertava mais contra a sua boca; era uma mistura de dor e prazer que eu não sabia descrever, só sabia que era bom. Quando ele se separa de mim, vejo a relutância nos seus olhos. — Se o que tenho para fazer não fosse tão importante, você estaria nua na minha cama agora, companheira — diz com a voz rouca, enquanto o seu dedo percorre os meus lábios. Ele se inclina novamente e me beija outra vez, mas de uma forma delicada, fazendo-me desmanchar nos seus braços. — Cuide-se e me avise se precisar de algo. — Eu ainda não tinha recuperado a voz depois daquele beijo, então apenas aceno para ele. Com um sorriso de canto, Fenrir parte, deixando-me só. Vê-lo se afastar era como se um pedaço de mim estivesse sendo retirado do meu peito. "Está ficando romântica", diz Nala, rindo. "Sei que não sou a única que sente falta dele", respondo. "Seria tola se não sentisse falta. Fenrir é lindo de morrer e ainda é másculo. Sei aproveitar isso em meu companheiro" — ao que parecia, a minha loba era tão apaixonada por Fenrir quanto eu. Sigo em direção ao jardim, desejando apenas sentar-me sob o sol e deixar a minha mente vagar, mas ao ver a floresta ao meu redor, sinto uma necessidade quase insuportável de estar nela. "Vamos, Zara" — diz Nala, animada. "Não sei se consigo voltar depois", respondo, preocupada. "Eu sou um lobo, Zara, consigo te guiar de volta" — diz ela. "Está bem, mas não podemos demorar muito" — podia sentir que ela se agitava na minha mente com a ideia de dar uma volta na floresta. "Isso vai ser incrível" — diz ela. Caminho lentamente até a floresta à minha frente e, quando eu já estava a uns quinze metros dentro dela, sinto uma energia diferente me impulsionando a seguir. Aquilo me assustou, mas Nala me garantiu que era seguro, então, com um suspiro, dou o primeiro passo em direção ao desconhecido.
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