Capítulo 3

1068 Words
Claire Adams. Ano de 2022 Abri os olhos lentamente tentando me acostumar com a claridade do lugar, o quarto inteiro era em tons de branco e dourado, o ar sumia dos meus pulmões gradativamente como se aquele lugar estivesse me sufocando. Minha cabeça doía, meu corpo estava extremamente dolorido e eu m*l conseguia suportar tanta dor. Sentei-me na cama lentamente e observei o que parecia ser um caderno de capa preta em cima da cômoda, no verso a capa estava escrito “Nico”. A curiosidade tomou conta de mim e por instinto eu me levantei para pega-lo, lentamente eu abri o caderno. Folheei algumas páginas e percebi ser um diário, se tratava de um adolescente pelo pouco que li. Deixei o caderno onde estava assim que ouvi passos ao lado de fora, me levantei percebendo que vestia outra roupa, agora uma camisola branca substituía o meu vestido. Observei uma mulher tão jovem quanto eu entrar no quarto e me olhar como se sentisse pena. Ela deixou uma bandeja com comida em cima de uma mesa que ficava no canto do quarto, minha confusão era gritante. — Onde estou? — Foi a única pergunta que eu fui capaz de formular neste momento. — A senhora está na sua casa, o Don pediu para que seu café da manhã fosse posto no quarto. Com licença. — A garota saiu do quarto antes mesmo que eu pudesse raciocinar e fazer uma nova pergunta. Não consegui evitar a frustração ao pensar em quem teria me trocado. Passeei pelo quarto inteiro olhando cada detalhezinho e no final de tudo voltei minha atenção para o diário, abri na primeira página que continha apenas “Diário de intercâmbio” escrito nela. Quem o escreveu resumiu os dias em basicamente quinze linhas e as vezes até menos, minha maior surpresa foi ver o nome da escola em que eu estudei no diário e justamente no meu último ano naquela escola. “A viagem até aqui foi tranquila, conheci algumas pessoas mesmo em tão poucas horas no país e minha matrícula já foi feita. Os dois seguranças não saem do meu pé, mas pelo menos não são tantos como em Moscou. Me sinto m*l por ter vindo mesmo com Nikolai tendo pedido diversas vezes para eu ficar e ajudá-lo, meu irmão é tudo para mim, somos como carne e unha e será assim até a eternidade...” Dei um longo suspiro sentindo a profundidade de cada palavra que eu lia, o garoto conseguia retratar momentos bons de uma forma melancólica. Fechei o caderno, apertei as pálpebras e olhei para a enorme janela a minha frente, estava entreaberta e o vento balançava as cortinas brancas. Me aproximei do vidro e olhei para baixo vendo o imenso jardim, algumas pessoas conversavam entre si, eu estava com uma considerável determinação em sair daqui o quanto antes e desfazer toda essa bagunça. Fui até a mesinha de canto, me sentei na cadeira e observei o prato. A comida estava bonita e eu estava faminta, eu poderia comer e talvez morrer ou não comer e morrer de fome da mesma forma, então pelo menos que eu morresse de barriga cheia. Peguei os talheres e dei a primeira garfada no bife, mastiguei lentamente apreciando o gosto, era bom, muito bom. Evy não saia do meu pensamento, me atordoava a incerteza de como ela está. Assim que terminei de comer voltei para a cama e me deitei, joguei os travesseiros no chão e encostei a cabeça no colchão sentindo um latejar na lateral da minha cabeça. Aquele i****a bateu com tanta força que eu podia sentir um pouco inchado. Olhei para o diário ao meu lado e bufei, abri na página em que eu tinha parado de ler. “Conheci alguns caras, são legais, porém fúteis. Acho que a maioria dos adolescentes daqui tem um complexo de superioridade hediondo, Nikolai odiaria a todos se bem o conheço. Vi uma garota, seus olhos turquesa me chamaram atenção assim que meu olhar pousou no seu. Não acho que eu tenha chance, mas não tentar é dizer não a sí próprio então farei dela o meu desafio pessoal.” Fiquei perplexa com as palavras e até mesmo a forma como ele escrevia, me lembrava alguém, mas memorias eram inteiramente vagas. Fechei o diário novamente, a fadiga tomava conta do meu corpo e minha cabeça não parava de latejar por conta da pancada. Nikolai era a perfeita personificação de deselegância e maldade. Ouvi o ranger da maçaneta e arrumei minha postura, agora sentada na cama, Nikolai abriu a porta do quarto e entrou com sua presença inabalável e postura altamente invejável. Não dava para um homem como aquele passar despercebido, sua fisionomia era de grande porte, as tatuagens o faziam parecer um gibi, contudo de uma forma boa, era sexy, além dos olhos... Ah, aqueles olhos castanhos. Me livrei de todos os meus pensamentos e o encarei por alguns segundos, não conseguia manter o meu olhar sobre o seu, era quase como algo impossível. Seu olhar conseguia transmitir muitos sentimentos e eu tinha certeza de que via fúria ali. Senti meu coração acelerar quando ele simplesmente andou mais cortando a distância entre nós que antes me dava uma certa segurança. — Faremos uma cerimonia com algumas pessoas importantes da máfia, quero que se comporte como a esposa de um Don. — Ele olhou para a mesa de canto onde a bandeja vazia estava. — Mandarei trazerem o seu vestido, aproveite essa fase boa, sua tormenta começara em breve. Ele saiu do quarto me deixando atordoada, eu odiava com todas as minhas forças aquela situação. Fechei os olhos com força e tentei conter a vontade de chorar, mas foi em vão, queria perguntar por Evy, queria xingá-lo de todas as formas possíveis, mas nenhuma palavra saiu da minha boca. Então era isso, se medir forças com ele seria em vão eu o daria tudo que quisesse, inclusive minha morte. Eu nunca tive uma mente tão forte, por algumas vezes na adolescência eu me vi ceder e simplesmente entrar em crises de pânico. Senti toda aquela avalanche de sentimentos retornar, quis gritar e não tive voz, eu estava prestes a explodir quando as lagrimas começaram a rolar, mas me mantive em silencio cedendo a toda dor que me consumia, a impotência de não conseguir proteger a quem eu amo. Eu estava à beira de um colapso. >>> @aut.izzamarques
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