Nikolai Gorky
Ano de 2022
Deixei o copo cair da minha mão, instantaneamente olhei para a foto a minha frente e lá estava ela a mulher que vi atirar em Nico, ela usava um vestido justo e estava em uma boate lotada, mas em outra foto o seu vestido era longo e ela estava desfilando.
Ela pagaria por todo sofrimento que me causou, pagaria caro por ter tirado Nico de mim. Meu irmão não tinha conexão com a máfia, estava se formando em engenharia e queria seguir a vida fora dos assuntos da Bratva. Não sei o que levou a garota a matá-lo e nem quem a mandou fazer o serviço.
— Pague uma das amigas dela para a levar até o Belyi diable, anuncie a festa de noivado, me casarei ainda esta semana. — Murmurei.
—Golova, acho que isso não vai soar bem aos ouvidos da máfia. Seu casamento não seria com a filha mais nova de Damien? — Encarei Andrei admirando a sua coragem.
A Bratva não aceitaria de bom agrado o meu casamento com essa mulher, segundo o conselho eu devo me casar com a filha de Damien, o capo da máfia italiana. A garota está largada em um convento, é o destino de todas as moças da máfia. É a tradição.
— Da próxima vez se não quiser ter uma bala no meio da testa apenas faça, não quero a sua opinião. — Falei.
Me levantei da poltrona e sai da sala sendo acompanhado por ele, assim que passei pelo hall de entrada brutus, o cão de guarda correu em minha direção. A casa tinha um alto nível de segurança, capaz até de ser impenetrável pela polícia. Me abaixei e acariciei a cabeça do cachorro.
Nico o tratava como um filho, cuidava mais desse animal do que de si próprio. Quando ele morreu tive que tomar conta de suas coisas tendo o maior cuidado para zelar o que ele tanto amava, me odiei por ter que estar fazendo coisas que ele amaria fazer se ainda estivesse aqui.
Nico não era de sair muito, parecia até que tivemos uma criação diferente, todavia não. Eu simplesmente fui ensinado a não sentir, algo que não o ensinaram e talvez tenha se tornado uma fraqueza dele. Crescer indo a reuniões da Bratva, treinos, combates e tudo o que o submundo tem para lhe mostrar é algo assombroso aos olhares de qualquer criança, mas não foi ao meu.
Tive tudo o que sempre quis e sei que fui ensinado a coisas que eu já estou predestinado a fazer, é assim que tem que ser e não há escapatória.
Se o meu irmão ao menos tivesse sido treinado ele ainda estaria aqui, quando ele saiu da Rússia para o Canada eu fui totalmente contra. Meus esforços para fazê-lo ficar e me ajudar a comandar foram em vão e de certa forma eu sabia que o obrigar a ficar só o faria alimentar um ódio cego por mim.
Quando a notícia da sua morte chegou até mim eu me vi pela primeira vez sentindo algo que não fosse fúria, me senti vulnerável pela primeira vez. Nico era a única pessoa que me enxergava além do que eu parecia e tinha que ser, era o meu único amigo.
O seu corpo estava coberto de hematomas, mas ele havia sido encontrado em um hospital abandonado com uma corda no pescoço. Contratei diversos detetives, os melhores farejadores da Rússia e todos apontavam para a garota, Claire Adams, mesmo sentindo que algo não encaixava, diante de alguns fatos eu sabia que ela tinha sim algum tipo de culpa.
No diário de intercâmbio que Nico deixou ele falava algumas coisas que não batiam com o que a maioria dos meus cães diziam, os investigadores traziam provas que consequentemente não batiam com algumas coisas ditas no diário. Segundo um dos investigadores Nico e Claire não eram próximos e a garoto o desprezava, mas no diário Nico a mencionava com devoção e chegou a falar de um encontro.
A única coisa em comum que todos os investigadores afirmaram foi que Claire Adams era o motivo do suicídio do meu irmão.
[...]
Eu já havia chegado na boate, estava na ala vip. Uma das minhas putas estava prestes a tirar a roupa, mas eu acenei negando. Não que uma f**a bruta agora não animaria os meus ânimos, mas a minha mente estava focada apenas na garota a qual meu corpo todo ansiava a morte.
Deixei o copo de Whisky em cima da mesa, de relance vi Mike adentrar o local com sua postura neutra. Ele encostou em uma parede no canto, como sempre costumava fazer e observou o local milimetricamente. Pelo que eu sabia de Mike ele não tinha família e vivia para a máfia, mas desses dias para cá ele anda ausente.
— Ela já chegou, tem certeza que quer ser visto com uma p**a minutos antes disso? — Ele murmurou. A mulher me olhou com irá, provavelmente esperando uma defesa de minha parte.
— Sabe que não me importo com o que pensem, mas de certa forma você tem razão. — Eu disse por fim.
— Mas... — A mulher tentou argumentar.
— Se eu escutar mais uma palavra da sua boca, arrancarei sua língua. Saía! — Praticamente gritei.
Claire já havia chegado... Eu vi algumas fotos e vídeos dela, a filha da p**a era dona de uma beleza sem igual e isso eu não poderia negar. Sua fama na Rússia era grande, assim como em alguns lugares do mundo. Segundo os meus cães, Claire era uma modelo renomada e disputada por vários estilistas.
Todo o seu dinheiro, fama e importância não valerão de nada. Não a salvarão de mim. Claire Adams seria uma Gorky e depois disso a sua existência será insignificante, ela fará tudo o que eu mandar e como mandar. A minha mente tinha vários pensamentos sádicos do que faria com ela e nenhum deles era bom.
Sai da ala vip a sua procura, de longe a vi dançar com a amiga. Observei minuciosamente cada passo seu, a vi conversar com um homem e a cada segundo eles se aproximarem mais. Ela deveria ser uma p**a, como Nico pôde sentir algo por essa qualquer.
Havia chegado a hora. Essa seria a minha vingança.
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@aut.izzamarques