Fiquei imóvel, e apenas meu peito se elevou e caiu visivelmente. Delmom se afastou de mim e, depois de cobrir meu corpo dormente com o cobertor, ele mesmo passou por baixo dele.
Nada além do meu batimento cardíaco e da respiração calma de Delmom quebrou o silêncio. Engoli em seco e comecei a rastejar cuidadosamente em direção à beira da cama, para manter distância dele. Mas assim que tentei, a mão de Ernest debaixo do cobertor encontrou minha cintura instantaneamente e, com um único movimento, me puxou contra seu corpo poderoso.
Fiquei sem fôlego e tenso enquanto o homem me pressionava contra ele. Um arrepio percorreu minha pele, e meu coração disparou ainda mais enquanto ele sussurrava na minha nuca:
— Dormir — disse ele com um tom que não admitia objeções.
E embora Delmom tenha adormecido primeiro, levei muito tempo para conseguir “me libertar” de seus braços. Parecia que mesmo quando dormia controlava tudo e não soltava.
Mas ainda assim, no final eu também adormeci.
Sonhei que estava deitado num fogão. Era assim que tudo era quente e sufocante. Mas quando o sonho se tornou realidade, entendi que se eu estava deitado em alguma coisa, certamente não era um fogão. Levantei a cabeça lentamente e me deparei com o rosto adormecido de Delmom.
Os acontecimentos da noite anterior atingiram-me duramente e o calor espalhou-se pelo meu corpo instantaneamente. Apertei as mãos em punhos. De alguma forma, ela literalmente acabou deitada em cima dele. Mas como? Se eu não gosto de estar perto dele. É desagradável, não é?
Fiz um movimento cuidadoso para descer. Mas assim que deslizei pelo corpo dele, mesmo que por meio centímetro, congelei. Seu corpo ficou tenso. Principalmente a parte inferior, quando minhas nádegas colidiram com algo grande e duro. Minhas bochechas queimaram e meu coração começou a bater em uma velocidade selvagem, ecoando alto em meu peito.
Eu estava em cima do homem que me comprou e me forçou a me casar com ele. E precisamente aquele homem agora tinha seu pênis ereto pressionado contra minha área íntima. E se eu lembro que roupa íntima estou usando, tudo piora. Graças a Deus, a roupa íntima dele criou pelo menos uma barreira, mas não ajudou em nada.
Inalei lentamente e me forcei a recuperar o controle para tentar sair apesar de tudo. Mas assim que fiz outro movimento, os braços de Delmom me pressionaram mais forte contra ele, e não consegui conter um gemido.
Fiquei parado, com os olhos bem abertos, enquanto os olhos sonolentos do homem se abriam e encontravam os meus. Ele estreitou o olhar e vi como sua mandíbula se tensionava, marcando seus músculos.
— Por que você está fazendo isso? — A primeira coisa que me ocorreu escorregou dos meus lábios.
As sobrancelhas do homem se ergueram.
— Você quer dizer por que meu pênis está perigosamente próximo da sua inocência? Então também posso perguntar por que você está em cima de mim e esfregar nele.
Meu rosto pega fogo, e as palavras e acusações de Delmom me deixam sem fôlego.
— Eu não estava me esfregando! Eu queria sair — sussurro indignado diretamente em seu ouvido.
— Isso não torna as coisas mais fáceis para mim — ele responde, apertando as palavras.
— Me solte! —Tento manter o pouco controle que me resta, ignorando o que ele diz.
— E quem está te segurando? — Delmom pergunta ironicamente, olhando para mim com óbvio prazer pela minha vergonha.
E só então entendo que suas mãos, embora ainda na minha cintura, não me seguram mais. Sem responder nada, de repente me liberto do abraço dele e arranco o cobertor da cama, envolvendo meu corpo com força.
Meu olhar para o antebraço do homem. Aparece uma mancha vermelha no curativo e engulo com dificuldade.
—Sua ferida... — Eu digo baixinho.
Delmom olha para seu braço por um segundo, como se não se importasse nem um pouco.
— Se isso é preocupação, não se preocupe, está tudo bem. E se for esperança, me desculpe, mas está tudo bem também — responda com calma.
Meu rubor aumenta.
— Nem uma coisa nem outra — Eu murmuro, tentando não olhar para ele.
— Eu entro no chuveiro primeiro — Delmom declara e, quando sai da cama, vai ao banheiro apenas de cueca.
Quando a porta do banheiro se fechou, dei um suspiro de alívio e, caindo no travesseiro, respirei fundo. Então sentei-me rapidamente, encontrei o camarim de seda mais longo e me enrolei nele. Não saí da sala porque senti que havia alguém lá embaixo.
É melhor esperar que Delmom vá embora primeiro.
E justamente quando pensei nele, a porta do banheiro se abriu. Olhei para cima e vi Delmom. Ele saiu secando o cabelo curto com uma toalha. Seus músculos, como se estivessem cheios de metal, brilhavam a cada movimento, e as tatuagens pareciam uma obra de arte. Negei rapidamente, expulsando esses pensamentos, e imediatamente encontrei o olhar dele.
Delmom sorriu ao olhar para ele. Merda!
Sem dizer nada, ele foi ao camarim. Depois de um tempo, ele voltou vestido com calças escuras e uma camisa escura que abotoou enquanto caminhava, sem pressa. Eu estava sentado na cama, observando-o secretamente. Seus movimentos eram precisos e confiantes.
Quando ela colocou uma capa de couro, ajustando cuidadosamente as alças dos ombros e do peito, eu congelei. Delmom se inclinou em direção à cama e minha respiração parou quando ele sacou uma arma debaixo do travesseiro.
Naturalmente, como se tivesse feito isso mil vezes, ele colocou a arma no coldre e a prendeu.
Delmom olhou para mim e eu não conseguia sair dos olhos dele.
— Não estarei lá o dia todo. Kael deve estar com você sempre que você sair de casa. Não faça nada sem a aprovação dele, e se precisar entrar em contato comigo, diga a ele — Delmom disse friamente, abotoando o último botão de sua camisa.
— E o que devo fazer? Eu entendo que eles não vão me dar gadgets ou a possibilidade de sair, certo? — Perguntei com indignação m*l disfarçada.
— Darei a ordem para preparar algo para você. Minha casa e seu terreno são bem grandes, então você encontrará algo para se divertir — ele deixou escapar, baixinho, virando-se em direção à porta.
Com essas palavras, Ernest saiu da sala sem esperar pela minha resposta.