Saí dali morta de vergonha, com a cara queimando como se todo mundo tivesse aceso um isqueiro dentro de mim. Quando ele me deixou ao lado e não ficou me sufocando, eu consegui puxar um fôlego mais comprido, como se respirasse pela primeira vez depois de uma corrida. Mesmo assim, o ambiente continuava pesando: tantos corpos, tantos olhares, vozes altas que eu não conhecia — aquilo era novo demais, uma coisa que me cutucava por dentro e me deixava inquieta. Ver a Vanessa ao meu lado foi um alívio que eu não sabia que precisava. Só a presença dela já fez o nó no meu peito afrouxar um pouco. A gente começou a conversar baixo, ela puxando papo bobo pra tirar minha cabeça da aflição, me encorajando a me soltar. Quando tentei balançar o corpo pela primeira vez, o som parecia me atravessar — bati

