A noite estava só começando, e a promessa de um baile no Complexo da Maré trazia uma energia elétrica no ar. Eu não me importava com nada além de aproveitar a noite do meu jeito. O morro continuaria funcionando como sempre, com os meus no comando, garantindo que tudo seguisse no ritmo certo. Segui meu caminho rumo à Maré acompanhado pelos meus aliados e, claro, pela minha segurança. Nunca saía do meu território sem proteção, e jamais deixava o morro desguarnecido. Meus homens de confiança ficavam na contenção, atentos a qualquer movimento estranho. Não era que eu confiasse cegamente em alguém isso nunca. Mas tinha uns poucos que já tinham provado serem leais, prontos para qualquer situação, p*u para toda obra. A viagem foi rápida, feita em comboio, com motos e carros dominando as ruas. Assim que nos aproximamos do Complexo da Maré, a movimentação do baile já podia ser sentida à distância. O som pesado do funk sacudia o chão, e o cheiro de álcool, cigarro e maconha pairava no ar. Quando chegamos à entrada, os caras da barreira nos pararam, postura séria, mão na arma. Mas bastou um olhar para que me reconhecessem. Cumprimentos foram trocados, e a passagem foi liberada sem demora.
Seguimos em direção à quadra, onde a festa estava acontecendo. O espaço estava lotado, a batida do som ecoando nos p****s, e as luzes coloridas cortando a fumaça que subia no ar. Mulheres rebolavam sem pudor, caras brindavam com garrafas de whisky e o dinheiro girava entre apostas e negociações. A noite prometia. E eu estava pronto para o que viesse.
Assim que o Coringa estacionou o carro, descemos, e a atmosfera pulsante do baile nos envolveu de imediato. O som do funk batia forte, fazendo o chão vibrar sob nossos pés. O cheiro de álcool misturado à fumaça de cigarro e maconha pairava no ar, enquanto o movimento intenso de gente indo e vindo tornava a cena ainda mais frenética.
Meus homens formaram um círculo ao nosso redor assim que começamos a atravessar a multidão, garantindo que ninguém se aproximasse mais do que devia. Eu, meu irmão e o Coringa caminhávamos no centro, firmes, no nosso ritmo, enquanto os seguranças mantinham qualquer um que tentasse se aproximar a uma distância segura. Não era sobre medo, era sobre respeito. Sabiam quem eu era e sabiam que, se vacilassem, a bala cantava sem piedade.
Ao chegarmos à área do camarote, um dos seguranças abriu caminho e subimos os degraus de concreto, onde Mike já nos esperava, copo na mão e um sorriso escancarado no rosto.
— p***a, achei que não viria, c*****o! — Ele esticou a mão, batendo um toque firme comigo antes de me puxar para um abraço rápido.
— Chegamos, p***a! — respondi, um sorriso no canto dos lábios.
Mike riu, cumprimentando meu irmão e o Coringa na mesma empolgação. A energia do baile estava insana, e bastava olhar ao redor para ver o ritmo frenético da noite.
— c*****o, viado, isso aqui tá frenético! — disse meu irmão, a empolgação estampada no rosto enquanto varria a quadra com os olhos.
Não demorou para algumas mulheres se aproximarem, seus corpos moldados em roupas curtas e justas, os olhos brilhando em interesse. Elas sabiam quem éramos, e a oportunidade de se aproximar não passaria despercebida.
Sorri ao ver a cena.
— Aí sim, hein, p***a. — A noite estava apenas começando, e eu já sabia que seria intensa.
O ambiente no camarote estava quente, repleto de risadas, copos sendo erguidos e o cheiro forte de perfume feminino misturado ao de uísque caro. Mike jogou um baseado na minha direção, que peguei no ar antes de levar aos lábios e tragar fundo. O efeito bateu rápido, me deixando ainda mais leve, ainda mais ligado no que acontecia ao redor.
As mulheres se aproximaram sem hesitação, colando seus corpos contra o meu e o dos meus aliados. Algumas já tinham um alvo definido, enquanto outras queriam sentir o poder de estar entre os donos da noite.
Uma morena com curvas impecáveis deslizou a mão pelo meu peito, um sorriso malicioso brincando nos lábios.
— Tá afim de se divertir, patrão? — A voz dela saiu melosa, o olhar carregado de segundas intenções.
Passei a mão pela cintura dela, puxando-a um pouco mais para perto, sentindo o perfume doce que exalava de sua pele. Ela rebolou contra mim, me testando, e eu rir.
— Sempre tô, princesa. — Respondi no meu tom arrastado, antes de lançar um olhar para as outras duas mulheres que estavam de olho na cena. — Mas eu não curto brincar sozinho.
Elas se entreolharam, um sorriso surgindo no canto dos lábios, antes de se aproximarem. Peguei a morena pela cintura e fiz um sinal para que as outras seguissem, enquanto nos afastávamos do camarote em direção a uma área mais reservada dentro da quadra.
Não era a primeira vez que eu fazia isso, e com certeza não seria a última. Não demorou muito para que estivéssemos envolvidos, mas sempre no meu esquema: nada de beijo na boca, sempre de camisinha e sem tempo r**m. Era só prazer e ponto.
Depois do suficiente, voltei para o camarote como se nada tivesse acontecido. Meus aliados ainda estavam por lá, curtindo a noite, alguns cercados de mulheres, outros simplesmente trocando ideia e bebendo. Peguei um copo de uísque e me joguei no sofá ao lado de Coringa, que parecia estar no meio de uma conversa com Mike.
— E aí, viado, aproveitou? — Meu irmão zombou, erguendo a sobrancelha.
Soltei uma risada baixa, jogando a cabeça para trás.
— Sempre, c*****o. Mas agora é hora de voltar pro nosso território.
Mike fez um sinal para um dos seguranças na entrada do camarote, e ele logo veio ao nosso encontro.
— Vamo nessa — avisei, me levantando.
Descemos da quadra, atravessamos a multidão sem pressa, mas sempre atentos. Coringa pegou o carro e nós entramos, deixando o baile para trás enquanto cruzávamos a cidade em direção ao Complexo do Chapadão.
O silêncio dentro do carro era confortável, apenas o som do motor e da música baixa no rádio preenchiam o espaço. O uísque e a erva ainda faziam efeito no meu corpo, me mantendo naquele estado de alerta relaxado. Mas assim que dobramos a última rua que dava acesso ao morro, algo mudou.
Um estampido seco ecoou na madrugada.
Meu corpo enrijeceu no mesmo instante, a adrenalina voltando a correr pelo meu sangue. Coringa acelerou, e assim que cruzamos o portão de entrada do Chapadão, os fogos explodiram no céu.
— Porra... — murmurei, já sacando a pistola da cintura.
As cores vivas iluminavam a madrugada, mas aquilo não era comemoração. Era um alerta.
— Tão invadindo o morro, c*****o! — meu irmão rosnou, já sacando a arma também.
O carro acelerou ainda mais, e a visão do Complexo do Chapadão se tornou um borrão à nossa frente. Não era hora de hesitar. O som das explosões e os tiros que começavam a ecoar pela favela só aumentavam a urgência do momento.
— Coringa, desvia da rua principal! — gritei, o sangue fervendo. — Vamos por trás!
Ele não hesitou, girando o volante com destreza. O carro fez uma curva brusca e seguiu pelas vielas menos movimentadas, onde a visibilidade era mais limitada e a possibilidade de sermos emboscados, maior.
— Tão querendo fazer guerra no nosso território, é? — rosnou Coringa, o olhar fixo no retrovisor.
Barão, sentado no banco de trás, já estava com a pistola em punho, pronto para qualquer coisa que aparecesse à frente. Eu também estava preparado, os dedos firmes sobre o cabo da minha arma, pronto para responder a qualquer ameaça. A adrenalina estava a mil.
Quando chegamos ao coração do Chapadão, o cenário era caótico. Bandidos da Pedreira se espalhavam pelos becos e escadarias, tentando invadir as bocas de fumo e dominando o território. Mas eles não sabiam com quem estavam lidando.
— Desce, p***a! — gritei, já abrindo a porta do carro.
Saímos em uma corrida rápida, as botas batendo no asfalto. O som de tiros reverberava pela noite, e as luzes dos fogos ainda pintavam o céu, mas eram mais ameaçadoras do que festivas.
No topo da quadra, vi algumas figuras encapuzadas se movendo, armadas até os dentes. Estavam tentando entrar pela base do morro, mas era claro que não sabiam que já tínhamos uma linha de defesa armada.
— O que vocês tão fazendo aqui, seus filhos da p**a? — gritou Barão, já apontando a arma para o primeiro inimigo que apareceu no caminho.
Coringa e eu seguimos imediatamente para as laterais, buscando a melhor posição para neutralizar os invasores. As paredes ao redor estavam manchadas de tinta e fumaça, mas a energia do momento só aumentava a sensação de que a guerra estava prestes a se intensificar.
Eu estava no meio da ação, os tiros ricocheteando por todo lado, mas nada poderia me parar. O som da batalha era como uma sinfonia da guerra, e eu estava no centro dela, o líder, o comandante do Chapadão. A Pedreira achava que podia nos desafiar? Estavam muito enganados.
— Fica ligado, irmão! Eles estão mais perto do que a gente pensava! — gritei para Barão, que estava ao meu lado, ainda tentando encontrar um ângulo para disparar.
Mas eu não precisava mais olhar para os inimigos. Eu já sabia o que tinha que fazer. O morro não ia ceder, nunca.
Os bandidos da Pedreira estavam espalhados pelos becos e escadarias, mas a gente estava em vantagem. O Chapadão não era apenas nosso território, era nossa fortaleza. Estávamos prontos para a guerra, e o medo deles só nos dava mais força. Eu vi Coringa à minha esquerda, e Barão à minha direita, já tomando a frente, seus rostos impassíveis e suas mãos firmes sobre as armas.
— Vamos, c*****o! — rosnou Barão, disparando mais uma rajada. — Eles não vão saber o que hitou eles!
Os primeiros corpos da Pedreira começaram a cair, os gritos de desespero ecoando por toda parte. Nossos homens se espalhavam pelas ruas, avançando e semeando pavor entre os inimigos. Eu só podia ver o caos ao nosso redor, mas tudo estava sob controle.
De repente, uma rajada de tiros veio da lateral. Um grupo da Pedreira se arriscou a avançar por ali, mas meu povo estava um passo à frente. Antes que pudessem sequer reagir, nossos homens estavam sobre eles, metendo bala e fazendo eles correrem.
— Isso é o que acontece quando mexem com a gente! — gritei para todos, com raiva e orgulho na voz.
O pavor tomou conta da Pedreira. Os caras começaram a recuar, a desorganização tomando conta deles. Não estavam preparados para o que o Chapadão era capaz de fazer quando se tratava de defender o nosso terreno. Eles estavam sendo atropelados, caindo um por um, enquanto nós avançávamos com tudo.
Eu não estava mais apenas observando, eu estava no meio da luta, metendo bala e fazendo com que cada um deles soubesse quem estava no comando. Logo, os tiros começaram a diminuir. A resistência da Pedreira estava desmoronando, os poucos que restavam tentando fugir.
Era o fim. O Chapadão havia vencido.
Vimos os últimos homens da Pedreira correrem, disparando para os becos, tentando escapar do nosso domínio. Mas o morro estava fechado, e a vitória já era nossa. Olhei para os meus aliados, o suor escorrendo, mas o sorriso de vitória estampado no rosto de todos.
— Tão invadindo o morro, c*****o? Agora tão correndo do morro, p***a! — Barão riu, dando um tapa nas costas de Coringa.
Eu não precisei dizer mais nada. A mensagem estava clara. O Chapadão era nosso, e ninguém ia tirar isso de nós. A noite que começou com o caos terminou com a certeza de que, em nosso território, a palavra de comando era nossa, e os invasores... bem, não faziam parte da nossa história.