Ruby estava empolgada. Tinha acabado de sair do purgatório sem avisar ninguém, pois queria lutar um pouco, sem sua mãe surtar de preocupação.
Já tinha virado rotina fugir de casa sem sua mãe saber, ela não gostava de mentir ou esconder coisas dela, mas sabe que Eliza está frágil e se preocupa muito.
O inferno era um local brutal, mas também era um lugar de desafios, e ela adorava desafios. Seu arco e katana estavam firmemente presos ao seu corpo enquanto ela se preparava para entrar na arena do torneio.
A plateia gritava animada enquanto os competidores se enfrentavam. Ruby observou algumas lutas antes da sua vez, analisando os estilos de combate dos outros guerreiros. Quando seu nome foi chamado, ela entrou na arena com um sorriso confiante.
Seu primeiro oponente era um demônio musculoso, com pele escura e olhos vermelhos. Ele atacou primeiro, tentando esmagá-la com pura força bruta. Ruby esquivou com leveza, movendo-se como uma dançarina. Com um salto ágil, disparou uma flecha certeira no ombro do oponente, o que o fez urrar de dor. Antes que ele pudesse reagir, ela deslizou por baixo de suas pernas e cortou-lhe a perna com sua katana. A luta terminou rapidamente.
Assim seguiram-se várias lutas. Ruby enfrentou inimigos cada vez mais poderosos, alguns com habilidades mágicas, outros com pura ferocidade. Mas ela era rápida, inteligente e determinada. Suas flechas encontravam os pontos fracos, sua katana cortava com precisão, e seu corpo ágil permitia que ela se esquivasse dos ataques mais mortais.
Quando chegou à luta final, Ruby sentiu a energia da plateia vibrar. Seu oponente era Orion, um dos dez pilares do inferno, conhecido por sua brutalidade e habilidade inigualável. Ele era alto, imponente, com chifres pretos e olhos azuis puxado para um roxo. Ruby sabia que esta luta não seria fácil.
O combate começou, e Orion atacou com uma velocidade surpreendente. Ruby bloqueou seu golpe inicial com a katana, mas a força do impacto quase fez seus braços tremerem. Ela saltou para trás e disparou uma flecha, mas Orion desviou facilmente e avançou sobre ela. Em um piscar de olhos, ele a atingiu com um golpe certeiro, lançando-a para o outro lado da arena.
Ruby sentiu a dor latejar em seu corpo, mas não desistiria. Ela se levantou rapidamente e continuou lutando, tentando encontrar uma brecha em sua defesa. Mas Orion era simplesmente forte demais. Ele a derrubou novamente, e dessa vez, ela não conseguiu se levantar a tempo. A luta estava encerrada. Ruby havia perdido.
Apesar da derrota, um sorriso surgiu em seu rosto ao ouvir os aplausos. Ela tinha chegado até a final, e isso por si só era uma vitória. Asura, o rei do inferno, e sua esposa, Scarlett, aproximaram-se para parabenizá-la.
— Você lutou bem, Ruby — disse Asura, seu olhar analítico, mas respeitoso.
Scarlett sorriu para a sobrinha. — Estou orgulhosa de você. Cristal teria ficado feliz em ver como você cresceu.
O nome da irmã falecida trouxe um aperto no coração de Ruby. Ela olhou para Scarlett e percebeu a tristeza oculta nos olhos dela.
Mais tarde, Scarlett a convidou para o castelo principal. Lá, junto com Asura, elas conversaram sobre as lutas, sobre a força que Ruby demonstrou e sobre as aventuras de Cristal. Scarlett contou histórias sobre a irmã de Ruby relembrando os momentos que passaram juntas e como ela era destemida e cheia de vida.
— Ela sempre queria proteger todo mundo — disse Scarlett, sorrindo nostalgicamente. — Mas, no fim, foi ela quem precisou ser protegida.
Ruby sentiu um nó na garganta. A ausência de Cristal era uma sombra em sua vida, mas também uma fonte de motivação. Ela queria se tornar tão forte quanto a irmã, queria trilhar seu próprio caminho, provar que era digna do sangue que corria em suas veias.
Durante o jantar Asura apresentou seu filho, Vayron a Ruby, ele tinha acado de chegar de um treinamento. Estava sem blusa, coberto de sangue e suado, então ficou meio sem jeito em cumprimentar a ruiva a sua frente. Scarlett vendo o desconforto de seu enteado mandou ele subir para se arrumar antes de falar com eles.
Ruby ficou sem entender a situação, não sabia por que o moreno tinha saído sem ao menos cumprimentar ela.
—tem algo de errado com meu rosto? Ou eu não parece ser da realeza?— pergunta a ruiva sem entender por quê o príncipe Vairon se retirou sem falar com ela.
Asura —acho que ele só não queria que chegasse a ver ele daquele jeito— fala e logo depois come um pedaço de coração.
Scarlett —tenho certeza que só não quer dar uma m*l impressão a você, cerejinha.
Ruby ainda fica sem entender, pois ver demônios sem camisa e cobertos de sangue é normal para ela, e talvez até um pouco interessante em sua percepção, já que no purgatório homens não podem ficar sem blusa.
Não demorou muito para Vairon descer com os cabelos pretos molhados, tinha achado de se banhar.
Ele sentou em sua cadeira e logo Ruby puxou assunto, começaram a conversar por um longo tempo. Scarlett apenas ficou observando enquanto pensava no quão fofo eles seriam se fosse um casal, mas logo tira isso de sua cabeça ao lembrar que mesmo que muito distante eles tem algum parentesco.
Asura apenas ficou observando as expressões de Scarlett e até sabia o que ela estava pensando, mas decidiu deixar para lá, achava a amizade de Vayron e Ruby interessante por serem de certa forma príncipes, por poderem se ajudar sempre que precisarem.
A noite avançou, e a conversa se tornou mais descontraída. Falar sobre o passado ajudava a curar as feridas de Ruby, mesmo que um pouco.
Quando Ruby finalmente deixou o castelo, sentia-se renovada. Havia perdido a luta, mas ganhara algo mais valioso: conhecimento, experiência e o reconhecimento de sua família.
E ela sabia que essa era apenas uma batalha. Muitas mais viriam, e ela estaria pronta para enfrentá-las.
Queria brilhar mais que qualquer outra estrela no céu, seria um comenta ☄️.