Capítulo 3

1192 Words
Ruby Eu voltei para o purgatório decidida. Se quisesse me tornar mais forte, precisava do melhor treinamento, e quem melhor para me treinar do que o próprio rei do outro lado do purgatório? Meu avô era irmão dele, e ele era pai da minha falecida irmã. Seria impossível ele recusar um pedido desses... Certo? Dante me olhou por um tempo, pensativo. Seus olhos analisavam cada detalhe meu, e senti um arrepio. Por fim, ele suspirou. — Se quer que eu te treine, terá que provar que merece. Lute com meu filho, Nathan. Se conseguir ao menos empatar, eu aceitarei. Nathan. O príncipe quase invencível. Além de ser um dos homens mais bonitos desse lado do purgatório, também era forte. Muito forte. E, pelo que parecia, não gostava muito de mim. Talvez ele me culpasse por Cristal não ter decidido morar aqui nos seus últimos anos. Eu hesitei por um segundo, mas logo me recompus. Se quisesse crescer, precisava enfrentar desafios. — Quer mesmo ver seu filho batendo em uma garota? — perguntei, fazendo cara de frágil. Dante riu. — Sei que você não é nada disso. Agora vá pedir para ele lutar com você. Dependendo do que ele disser, decido se te treino ou não. Respirei fundo e segui para a sala de treinamento. Quando entrei, fiquei impressionada. O espaço era gigantesco, e no centro, Nathan lutava sem camisa contra três oponentes. Seus músculos definidos brilhavam sob a luz. Seus cabelos ondulados estavam jogados para trás, e sua expressão era de pura determinação. Ele era inegavelmente bonito, mas isso não importava agora. Esperei até que ele terminasse a luta. Como esperado, venceu sem dificuldade. — Há quanto tempo, Nathan... — forcei um sorriso. Ele me olhou, claramente incomodado. — O que quer, cabeça de fogo? Fala logo. — Sua voz carregava puro mau humor. — Quem você pensa que é pra me chamar assim?! — retruquei, chutando sua barriga e o empurrando para trás. Ele revidou rapidamente, me dando uma rasteira que me fez cair de b***a no chão. — Um príncipe ocupado. Agora me deixa em paz. — Ele disse, já se afastando. Levantei num salto, esfregando o traseiro dolorido. Não iria desistir tão fácil. — Lute comigo! — Declarei com firmeza. Nathan parou, então se virou lentamente, cruzando os braços. — O quê? — Se eu conseguir te vencer ou empatar, seu pai vai me treinar. — Expliquei. Ele arqueou uma sobrancelha e depois suspirou, como se estivesse cansado só de ouvir minha voz. — Você não tem chance, mas tudo bem. Não posso recusar um bom treino. — Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. — Vamos ver se tem o que é preciso. Nos posicionamos no centro da arena. Eu saquei minha katana, enquanto ele permaneceu de mãos vazias. Arrogante. O som de um gongo ecoou pelo salão e, em um instante, ele avançou. Desviei para o lado e ataquei com a lâmina, mas ele bloqueou com o antebraço coberto de energia n***a. Meus olhos se arregalaram. Eu sabia que ele era forte, mas bloquear uma katana com o braço? Isso era ridículo! Ele contra-atacou com um soco, e eu rolei para trás para evitar o impacto. Segurei firme minha espada e respirei fundo. Se queria ter alguma chance, precisava ser estratégica. Me movi com velocidade, tentando atingi-lo de diferentes ângulos, mas ele desviava ou bloqueava todos os golpes. Comecei a ficar frustrada. Ele estava se segurando? — Vai me levar a sério ou não?! — Gritei, atacando com mais força. Nathan riu. — Você é rápida, admito. Mas ainda falta muito pra me vencer. Ele desapareceu da minha vista por um segundo, e no instante seguinte, senti um impacto forte no meu estômago. Fui lançada para trás e bati contra a parede da arena. A dor se espalhou pelo meu corpo, e eu tossi, sentindo o gosto metálico do sangue. — Maldito... — murmurei, me forçando a levantar. Nathan cruzou os braços, esperando que eu desistisse. Mas eu não sou esse tipo de pessoa. Reuni minhas últimas forças e ataquei mais uma vez, buscando uma brecha. Consegui um corte superficial no braço dele, mas no segundo seguinte, ele me segurou pelo pulso e me jogou no chão, imobilizando-me. — Já chega. Você perdeu. — Sua voz soava calma, mas firme. Minha respiração estava pesada, e meu corpo doía, mas um sorriso surgiu no meu rosto. — Então finalmente começou a lutar de verdade... — Sussurrei, ofegante. Nathan estreitou os olhos, depois bufou e se afastou, me soltando. Caminhou até seu pai e falou sem rodeios. — Ela é forte. Não é boa o suficiente para me vencer, mas não é fraca. Treine-a. Dante ergueu as sobrancelhas, surpreso, e depois riu. — Parece que você ganhou um aliado. Está bem, Ruby. Vou treiná-la. Mas prepare-se, pois não será fácil. Um sorriso satisfeito surgiu no meu rosto. Eu havia perdido, mas essa era apenas a primeira batalha. Eu ainda ficaria mais forte. Muito mais forte. ********* Eu me preparava para o treino com Dante, sentindo a adrenalina correr pelo meu corpo. Nathan estava ali, encostado contra a parede com os braços cruzados, me observando com aquele olhar avaliador e irritante. Eu sabia que ele estava curioso para ver do que eu era capaz, mas jamais admitiria isso. Dante se colocou à minha frente, sua postura imponente e sua presença esmagadora. Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu de canto. — Vamos ver se você realmente merece meu treinamento, cabelo de menstruação. Revirei os olhos, ignorando o apelido irritante. Segurei firme minha katana, ajustando minha postura de combate. Dante não me deu tempo para pensar, avançando com velocidade impressionante. Consegui bloquear seu primeiro golpe, mas a força do impacto me fez deslizar alguns centímetros para trás. — Não baixe a guarda! — ele rugiu, vindo para cima novamente. Dessa vez, tentei contra-atacar, desferindo um golpe rápido com minha katana, mas Dante desviou com uma facilidade humilhante. Ele girou e me acertou com um chute no estômago, me fazendo cair de joelhos. Arfei, sentindo o ar escapar dos meus pulmões. Nathan soltou um assobio baixo. — Achei que fosse mais durona que isso, cabeça de fogo. Rosnei para ele e voltei a me levantar. Se ele queria me ver falhar, então eu faria questão de continuar em pé até não conseguir mais. Ataquei Dante novamente, dessa vez tentando enganá-lo com uma finta. Ele esquivou, mas não rápido o suficiente para evitar um corte superficial no braço. Ele sorriu, satisfeito. — Finalmente! — exclamou, antes de investir contra mim com uma série de golpes rápidos. Tentei acompanhar, bloqueando alguns e desviando de outros, mas ele era absurdamente rápido e forte. Em um movimento ágil, ele me agarrou pelo braço e me jogou no chão com força. Fiquei ali, respirando pesado, sentindo cada músculo do meu corpo protestar. — Já chega? — Dante perguntou, me observando com curiosidade. Nathan se aproximou, os olhos verdes brilhando com algo que eu não conseguia decifrar. — Ela ainda tem muito que aprender. Se continuar assim, pode acabar sendo uma guerreira digna de lutar ao nosso lado. Dante me analisou por um instante antes de soltar um suspiro.
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