Filipa
Passei o dia inteiro trabalhando e pensando na proposta da Bia. No caso do Tiago, ele queria que eu dormisse com um velho. No caso dela, ela quer que eu durma com um traficante ou algo do tipo… sei lá qual é o tipo de homem que ela está se envolvendo. De qualquer forma, a minha dignidade vai pro ralo em qualquer uma das propostas. Eu posso me dar muito m*l. Só que o problema de me envolver com um homem que o Tiago quer é que ele pode usar isso pra me chantagear e me fazer t*****r com vários velhos pra conseguir vários contratos… e eu não estou nem um pouco a fim de virar garota de programa. Entre o r**m e o r**m, eu prefiro ficar com o r**m onde ninguém me conhece.
Quando o expediente finalmente terminou, eu coloquei a mão no ombro da Bia e disse:
— Eu topo… eu vou pro morro com você.
Bia: Eu vou avisar minha amiga. Faz o seguinte: vai pra sua casa, se arruma, coloca um vestido bem p.i.r.a.n.h@, bem colado no corpo e curtinho. Faz uma maquiagem bem básica, porque você é muito bonita. E, no caminho, eu te explico como funciona. Não precisa se preocupar, ninguém vai te obrigar a nada.
Filipa: Eu não tenho escolha… então também não estou podendo exigir muito.
Bia: Da primeira vez que eu fui, eu também fiquei me tremendo todinha e com medo do que iria acontecer. Só que, quando eu cheguei lá, eu peguei um homem tão gostoso, mas tão gostoso, que eu até esqueci que aquilo era um programa. Foi muito satisfatório.
Filipa: Eu vou passar no hospital e depois eu vou pra casa me arrumar.
Bia: Ótimo.
Saí do trabalho e, dessa vez, pra não ter chance de eu encontrar com a dona Vera e com as malucas, eu chamei um Uber até o hospital. Quando eu cheguei, entrei no quarto da minha mãe. Ela estava acordada, sentada na cama, mas extremamente pálida.
Fernanda: Meu amor…
Filipa: Mãe, eu pensei que a senhora ia ficar desacordada… eu já estava preocupada.
Fernanda: Eu acordei. A médica me deu algumas informações e disse que a enfermeira vai dar o medicamento, então eu vou apagar daqui a pouco. Ela me falou da operação e falou da urgência… e você lembra do que eu te falei, não lembra?
Filipa: Mãe, eu vou dar um jeito. Tenta descansar… eu não vou deixar a senhora morrer. Vamos ser nós duas pra sempre.
Fernanda: Não faça nenhuma besteira, entendeu?
Filipa: Não vou… eu prometo.
Fiquei mais um tempo até a enfermeira dar o medicamento pra ela dormir. Passei a mão no rosto dela antes de sair do hospital e vim direto pra casa. Tomei banho, verifiquei se a minha depilação estava em dia, passei hidratante, coloquei um vestido vermelho tomara que caia, curto e colado no corpo. Deixei o meu cabelo solto e fiz uma maquiagem básica, como a Bia falou.
Eu estava me tremendo toda, mas não tinha como eu voltar atrás, porque eu não tinha dinheiro. Sentei na cama e comecei a respirar fundo, com as mãos em cima da perna, me tremendo toda. Foi aí que meu celular apitou, e eu confesso que me deu um certo frio na barriga. Eu olhei pensando que era a Bia… mas era o Tiago.
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Tiago: Boa noite. Espero que você já tenha pensado na minha proposta. Acredita que eu falei com ele e ele topou na hora? Disse que assinaria o contrato se passasse a noite com você. Confesso que achei que ele ia relutar, mas pelo visto não… você estava olhando muito. Eu marquei com ele amanhã, na casa dele. O que você acha?
Filipa: Eu acho que você pode enfiar o dinheiro no olho do seu c.u. Outra coisa: nunca mais chega perto de mim na sua vida. Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando quis te namorar, quando tive alguma coisa com você. Você não é homem de verdade… você é um moleque. E a melhor coisa que eu fiz foi terminar com você.
Tiago: Perdeu a noção do perigo, sua v.a.g.a.b.u.n.d@? Você já esqueceu o motivo pelo qual veio atrás de mim? A sua mãe ainda está no hospital e ainda está precisando do dinheiro. Vai deixar sua mãe morrer?
Eu respirei fundo, mas nem respondi. Simplesmente bloqueei ele, porque, se eu respondesse, eu ia xingar mais do que já xinguei e ia chegar no local que eu tenho que ir estressada… e eu precisava ficar em paz.
Não demorou muito, e a minha campainha tocou. Eu me levantei e, quando vi a Bia, ela estava muito diferente do trabalho. Estava toda arrumada. Ela me encarou durante alguns segundos e deu um sorrisinho de lado antes de dizer:
Bia: P.u.t@ que pariu… é por isso que v.a.g.a.b.u.n.d.o fica louco. Você está maravilhosa.
Filipa: Ai, Bia… eu estou com tanto medo. Eu nunca fiz isso antes e nunca achei que eu ia precisar fazer. Eu sei que todo mundo não sabe que eu dou golpe em coroa, mas não chega nem perto disso. Eu nunca nem mandei um nude de verdade pra aqueles velhos… e agora eu vou me prostituir.
Bia: É melhor você pensar que precisa do dinheiro pra salvar sua mãe do que na prostituição. Agora vamos. Eu vou chamar um Uber que vai deixar a gente na barreira do morro e depois a gente vai subir andando pra resenha. Pode ficar tranquila… se tudo der certo, você vai sair de lá com o dinheiro que precisa e com a dignidade intacta. Se der sorte, vai até pegar um gostoso.
Ela chamou o Uber, e nós entramos. Eu fui o caminho todo me tremendo. Quando nós descemos perto do morro, ela falou que a gente tinha que subir. Eu só fui respirando fundo e tentando pensar no motivo… e não no que eu ia fazer.