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1274 Words
Filipa Eu saí cedo do hospital porque eu tinha que passar em um lugar antes de trabalhar. Eu prometi pra mim mesma que nunca mais ia falar com o Tiago, prometi que nunca mais chegaria perto dele na minha vida. E o s.a.f.a.d.o do meu ex-namorado, brocha, p.a.u pequeno… mais um playboy d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o com dinheiro, que meteu tanto chifre na minha cabeça, mas tanto chifre, que tava difícil de eu passar pela porta. Então eu dei um pé na b***a dele. Ele me ameaçou, ficou me perseguindo, falando que eu era dele… mas depois que eu fui na polícia, ele desistiu. Porque é o fim da v.a.g.a.b.u.n.d.a, né? Ficar aceitando bofe de p.a.u pequeno, fino, brocha, colocando chifre na minha cabeça e ainda me ameaçando. Ele disse que eu ia voltar rastejando atrás dele… e agora eu estou indo até ele que nem uma cachorra. É muito carma pra uma pessoa só. Quando eu cheguei em frente à empresa dele, eu pedi pra falar com ele… dele não, né, do pai dele. Mas ele tem uma boa parte ali, então os seguranças me deixaram entrar. Quando eu entrei, ele estava sentado na mesa. Quando me viu, ele se levantou, dando um sorrisinho. Foi nessa hora que meu orgulho tentou sair pra fora em forma de palavrão… mas eu engoli. Tiago: Filipa… você por aqui? Justamente a mulher que falou que nunca mais olharia na minha cara, que nunca mais ficaria comigo e que, se eu me aproximasse, chamaria a polícia. O que aconteceu? Eu respirei fundo, me tremendo toda, porque talvez essa seja a maior humilhação da minha vida… mas eu faço qualquer coisa pra salvar a vida da minha mãe. Filipa: Eu preciso da sua ajuda. Tiago: Hahaha… o mundo dá voltas mesmo, né? Ontem você queria me colocar na cadeia e agora você precisa da minha ajuda. Mas você sabe que eu sempre fui muito bonzinho pra você… então me fala o que você quer. Talvez, se você pedir com jeitinho, eu te ajude — ele falou, passando a mão no meu rosto. Filipa: A minha mãe está doente. Ela está internada e precisa de uma cirurgia… só que essa cirurgia pode custar de 30 a 80 mil. E, como você sabe, eu não tenho esse dinheiro. E mesmo se eu juntar com a pensão dela, com os meus três empregos, eu não vou conseguir. Então eu lembrei que você tem bastante dinheiro… e lembrei que você gostava bastante de mim… e achei que você podia me fazer o favor de salvar a vida da minha mãe. Tiago: Hahaha… e por que eu salvaria a vida daquela velha d.e.s.g.r.a.ç.a.d.a? Me diz… ela nunca gostou de mim. Foi ela que praticamente te obrigou a me largar. E agora você acha que eu vou salvar a vida dela? Talvez o mundo fique melhor sem ela. Eu levantei a mão pra dar um tapa no rosto dele, mas ele segurou. Ele me empurrou e disse: Tiago: Pra uma pessoa que está precisando de ajuda, eu estou te achando muito agressiva. Eu acho que você não está precisando tanto do dinheiro assim. Filipa: Você vai me ajudar ou não? Tiago: Depende muito do que você esteja disposta a fazer. Sabe, Filipa… eu estou morrendo de saudade de você, do seu corpo. Eu ainda lembro do quanto você é gostosa — ele falou, se aproximando, e começou a passar a mão em cima do meu seio. Filipa: Se você quer passar uma noite comigo… eu topo. Ele começou a rir, como se eu tivesse falado a coisa mais engraçada do mundo, e eu olhei pra ele sem entender. Tiago: O valor que você está me pedindo é muito alto… então você vai ter que me fazer um favorzinho. Tem um cliente do meu pai… acho que você lembra dele, o Mário Jorge. Ele te elogiou da última vez que te viu na festa que teve na minha casa… e ele vive perguntando por você. Nós estamos querendo fechar um negócio milionário com ele, estamos negociando… mas parece que a nossa insistência não é o suficiente. Mas, como ele pergunta muito por você, se você passar uma noite com ele, eu acho que ele topa fechar esse negócio. Eu empurrei ele com raiva, porque eu sou maluca, mas nunca fui p.u.t.a. E olha que eu me acho doidinha da cabeça, mas isso já é outro departamento. Não julgo quem faz… mas eu acho que eu não faria. Filipa: Você sabe muito bem que eu não faço esse tipo de coisa. Você sabe muito bem que eu não sou garota de programa. Você está querendo me humilhar porque eu dei um pé na sua b***a, é isso? Tiago: Não, meu amor… a verdade é que você precisa salvar a vida da sua mãe, e eu preciso de um favorzinho seu. Uma mão lava a outra. Mas, se você não quiser… você pode deixar sua mãe morrer. E eu não vou sentir pena nenhuma daquela velha. Você tem 24 horas pra pensar. Se você topar, eu pago a cirurgia da sua mãe. Se você não topar… a gente deixa ela morrer, e eu te ajudo a pagar o enterro. Os meus olhos ficaram cheios de lágrimas, mas eu não chorei. Ao invés disso, eu só saí da sala dele e bati a porta. Eu saí do prédio, andei um pouco… e desabei. D.e.s.g.r.a.ç.a.d.o. É isso que ele é. Um d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o. E eu não sei onde eu estava com a minha cabeça quando eu vim atrás dele. Comecei a me recompor, porque eu não posso me dar o luxo de ficar desempregada. Voltei pro trabalho, e quando eu cheguei, a dona Lourdes já estava de pé. Eu pedi pra ela não me perturbar, porque eu não estava bem. Contei pra ela o que aconteceu… e, pela primeira vez na vida, a velha ficou calada. Eu vim direto pra cozinha pra poder ajeitar as coisas. Bia: Maluca, o que aconteceu com você? Eu pensei que aquelas mulheres iam te matar. Filipa: Eu consegui correr mais rápido do que elas… não precisa se preocupar. Bia: Que cara é essa? Filipa: A minha mãe está internada. Ela precisa fazer uma operação… e eu não tenho dinheiro. É um valor muito alto. Bia: O quanto você está disposta a salvar a vida da sua mãe? Filipa: O quê? Muito, Beatriz. Bia: Eu tenho uma amiga que faz uns jobs no morro. Eu já fui duas vezes… e teve uma noite que um cara me pagou 15.000 pra poder t*****r com ele. Eu sei que você não é garota de programa… eu também não sou. Só que eu estava precisando do dinheiro pra poder sair da casa da minha mãe. Você sabe que meu padrasto é um c.u.z.ã.o, né? Então eu fui na cara e na coragem. Amanhã é a nossa folga… e vai ter uma dessas festinhas. Eu vou porque eu quero fazer uma viagem. Se você quiser ir, eu te levo. Mas não fala nada pra dona Lourdes… ela não pode sonhar com isso, senão me bota na rua. E eu não sou garota de programa… eu sou trabalhadora. Eu olhei pra ela e passei a mão no rosto, sentindo o peso daquilo tudo cair de uma vez só. Filipa: Eu não sei… Bia: Eu só estou te oferecendo porque, quando a minha amiga me ofereceu, eu estava sem saída… que nem você. E me ajudou muito. Mas você não é obrigada. Se você quiser ir, você me avisa que eu te busco amanhã e nós vamos juntas. Mas agora vamos trabalhar, porque senão a Lourdinha, a capetinha, vai ficar pegando no nosso pé.
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