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Seu Malvadão

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Suzana era uma menina do interior e tinha o sonho de ir embora para o Rio de Janeiro, ela passou em uma faculdade federal e foi pra lá estudar, se formou e começou a namorar um médico pediatra, depois de um tempo com a ajuda de sua amiga Patrícia ela conseguiu um serviço na sua área, o problema que a escola fica no alto da rocinha , lá ela vai enfrentar muitas coisas inclusive o dono do morro Malvadão.

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Capítulo 1
A Vida não é fácil pra ninguém, a não ser que você seja herdeiro, caso contrário você tem que ralar e não é pouco. Eu sempre tive vontade de morar no Rio de Janeiro, estudava e trabalhava, todo o dinheiro que eu pegava eu guardava pra poder estudar, meus pais nunca pegava o dinheiro e me apoiava muito nos meus sonhos. Xx : Vai com Deus minha filha, eu sei que você vai conseguir tudo que almeja. Xx : Se você precisa de alguma coisa pode nos ligar que o pai da um jeito. Suzana : Tá bom, obrigada por tudo que vocês faz por mim. Peguei a minha bolsa e entrei no busão, a viagem vai ser longa, mas uma passagem de avião é muito mais caro e eu não tenho condições agora. Depois de muitas horas cheguei ao tão sonhado Rio de Janeiro, fiquei deslumbrada com tanta beleza, o interior de São Paulo é bonito mas não tanto como aqui, graças ao meu esforço eu consegui entrar em uma faculdade federal e vou conseguir realizar meu sonho de ser professora. Flashback Off. Suzana On : Eu estou indo encontrar a Patrícia , hoje é o meu primeiro dia no meu novo serviço , saber que eu vou subir o morro da Rocinha pela primeira vez meu dá uma sensação estranha , eu sempre gostei de novos desafios e sempre fui muito corajosa , mas pra mim é uma experiência única subir um morro onde ainda não é pacificado , Patrícia fez faculdade comigo e por mera coincidência ela já trabalha lá já tem uns dois anos. Patrícia : E ai amiga você está animada para seu primeiro dia no serviço ? Suzana : Bom amiga eu estou sim por um lado e por outro estou receosa porque eu nunca subi em uma favela antes e ainda mais em uma que não é pacificada ainda. Patrícia : Amiga é só você ficar na sua de boa que lá é bem tranquilo. Suzana : Espero que dê tudo certo ! Patrícia : Vai dar sim amiga , já estou aqui há três anos , agora vamos porque nós vamos andar muito ainda ela diz trancando o carro. Subimos um pouco o morro e já avistei uma espécie de barreira , tinha muitos meninos armados e a maioria deles eram menores , fiquei um pouco chocada em ver aquilo mas tentei me manter plena. Patrícia: Está tudo bem? Mantenha a calma, isso logo vai fazer parte da sua rotina. Suzana: Cara isso me chocou viu, sempre observamos pela televisão, mas pessoalmente é arrepiante! Ela me olhou e sorriu isso já é algo que faz parte da rotina dela, mas a cada olhar me dava medo e parecia que nunca chegávamos ao lugar, continuamos subindo e o que tinha de caras armados e fumando sentados nas calçadas e outro em cima da laje, eu tentava me manter plena como se aquilo fosse algo normal para mim, mas algo que eu não sei disfarçar é a minha cara. Chegamos à escola e parecia que a cada passo que eu dava havia mais coisas para se descobrir, aqui é bem diferente dos lugares que eu estou acostumada, tudo é mais carente e simples, entramos na sala de aula aonde fui apresentada e pude conhecer um pouco sobre a escola e os projetos que ela tem, justo nesse dia um cara que parece ser o que comanda o morro iria o local meio que saber como andam as coisas por lá, aparentou ser bem participativo, o jeito que ele andava e até mesmo o olhar me fazia arrepiar de medo, continuamos o que estavam fazendo e comecei me apresentar para eles, contar um pouco sobre mim, acho interessante esse primeiro contato, conheci todo o espaço e confesso que até me deu uma animada para vir aqui dar aula, mesmo que seja um pouco tenebroso, na volta o meu namorado ficou de me buscar, ele estava bem preocupado pelo fato de eu ter que subir o morro, após ter ouvidos vários boatos do que acontece ali ele não concordou um pouco com a ideia, mas eu ate entendo, ele tenta me prender muito como se fosse meu dono, e morre de medo que eu troque ele por outro, um ciúme quase sempre possessivo que me incomoda demais. Suzana: Amiga, você aceita uma carona até a sua casa? Patrícia: Aim amiga não quero te incomodar ainda mais sabendo que o seu namorado é meio estranho e não gostou nem um pouco da ideia, das vezes fiquei com raiva pelo fato de eu ter te colocado nessa. Suzana: Ai nada ver, ele é assim desde sempre o que incomodou ele é pelo meu contato com pessoas que ele desconhece sabe? Você não imagina o quanto ele é ciumento! Patrícia: dá para perceber até na maneira que ele te trata, desculpa falar até porque isso nem é da minha conta, mas como sou sua amiga tenho que te dar um alerta, homem quando tem esses tipos de ciúmes ou até mesmo medo de perder alguém é porque ele deve viu, das vezes nem chega a ser isso, mas acho estranhas certas atitudes dele, você veio a trabalho cara. Suzana: Às vezes para pensar nessa hipótese, mas como nunca achei nada e ele também nunca deixou vazar nada, então nem posso te afirmar algo, mas sempre atenta a algumas coisas, como se diz: de antenas em pé — Disse isso e logo dei risada. Eu gostei do meu primeiro dia de trabalho , demos uma carona na Priscila , Gustavo não gostou muito não , mas eu não sei muita moral pra ele não , até porque na hora que eu precisei a Priscila me deu uma carona , eu sei que ela vai dar por um bom tempo até eu pegar confiança de subir o morro sozinha , não é fácil passar perto de um monte de homens armados. Cheguei em casa super cansada , já fui tirando a roupa e fui direto pro banheiro tomar banho , assim que eu saí do banheiro tinha uma macarronada em cima da mesa , dois copos e uma coca cola que aparentemente está bem geladinha. Gustavo : Senta aqui e me conta como foi o seu dia ! Suzana : bom lá é muito diferente de tudo que a gente viu até hoje , tem homens armados por todos os lugares , muitas pessoas carentes. Gustavo : Você queria o que Suzana ? Você foi trabalhar na Rocinha e não Disney , porque você não me escuta e desiste dessa loucura ? Suzana : Eu já te disse que eu não vou desistir , você sabe que eu amo a minha profissão e não vou desistir porque a escola é no morro e outra coisa lá tem muita mais pessoas necessitadas em aprender , aposto que muitos daqueles meninos que estão segurando uma arma não sabe ler nem escrever. Gustavo : Eu não vou falar mais nada então , depois só não diga que eu não avisei. Caramba o Gustavo tem o dom de tirar a minha paz , ele faz eu me sentir m*l pelas minhas escolhas , e se tem uma coisa que eu não tenho dúvida é do amor que eu tenho pela minha profissão. ************************ Malvadão On : A favela é quase sempre vista apenas como um espaço de exclusão violência e pobreza esse estereótipos não corresponde à realidade de um espaço tão diverso, cada favela possui um nível de infraestrutura, violência e renda que a difere das outras, eu sou tipo de cara que ajudo no que posso no meu morro, aqui sou temido e respeitado pelos moradores, eles sabe do que eu sou capaz, mas também sabe que eu ajudo em tudo que está ao meu alcance. Hoje mesmo começa o ano letivo da molecada aqui, e eu consegui contratar duas professoras novas, passei lá pra dar alguns recados e uma das novas professoras me chamou atenção , morena dos cabelos longos e dos olhos meio esverdeado, ela se apresentou e falou um pouco dela, c*****o a mulher fala bem pra c*****o , falou umas palavras mó difícil. LH : Mano sucesso viado, foi muito bom a gente conseguir uniforme pras crianças. Malvadão : Cara eu queria fazer mais. LH : Pô mais duas trocas de uniforme de calor, dois de frio e a sandália já ajuda muito. Malvadão : mano eu sei , só que eu queria fazer pro pessoal do ensino fundamental também. LH : eu sei mano mas não dá pra mudar o mundo e só de conseguir ajudar os pequenos é bom pra caramba. Malvadão : Se esse governo não fosse tão filho da p**a , se ele ajudasse a gente e não discriminasse tanto a favela quem sabe as coisas poderiam ser melhor. LH : você tá ligado que aqui é só nois por nós mesmo. Malvadão : Eu tô ligado parça por isso a gente tem que botar pra moer e fazer o nosso dinheiro se não cumpade já é , a gente fica rodado. Eu sou filho do ex dono do morro , meu pai morreu de AVC ( acidente vascular cerebral ) tem uns nove anos já , meu pai era um homem bom , ele e a minha sempre ajudou muito a população aqui na rocinha , eu tive que assumir depois que meu pai faleceu , ele tinha muitos planos para executar aqui no morro para fazer melhorias para a população , só que meu infelizmente não poder concluir todos eles , eu estou correndo atrás para montar a ONG que ele tanto sonhou , eu peguei o morro muito desorganizado , e para ONG atender aqui no morro tem que ser uma ONG bem organizada , não adianta meter os pés pelas mãos , eu estou terminando de reformar o local , e depois vou ajeitando as coisas aos pouquinhos. A minha mãe tem um restaurante aqui no morro , ela sempre amou cozinhar para família , e depois que meu pai faleceu ela não queria ficar dentro de casa sem fazer nada , então ela resolveu montar um restaurante aqui no morro assim ela faz o que gosta , e eu creio que cozinhar para ela é uma forma de escape. Estou esperando uma carga de drogas , daqui 15 dias vou realizar um baile aqui no morro e eu preciso desse carregamento para poder fazer uma grana em cima , vocês pensam que é só o pessoal da favela que usa droga ? se vocês pensam assim vocês estão completamente enganados , o que mais tem é playboy e patricinha que sobe o morro para poder encher o ** de drogas , e muitas meninas sobem aqui pra sentar pra bandido , eu já comi várias Paty , tem umas mina que parece boneca de tão bonita que é , mas o favelado ele sempre será discriminado mesmo sendo ele trabalhador e honesto. Meu morro está sob ameaças, os bota preta estão querendo invadir e eu estou aqui pronto esperando , mas enquanto isso não acontece eu vou fazendo grana. Já é final de tarde e por aqui está tudo bem, as vendas estão a todo vapor e quando começa a anoitecer o fluxo de vendas aumenta muito mais , sai da boca principal e avistei a professora se despedindo e entregando os alunos para o país. LH : Bonita né ? Malvadão : Achei ela bem sem sal , prefiro as minha putas. LH : Ela é Bonita mas não tem cara de ser boa de cama não. Malvadão : Eu não quero nem saber ela não faz meu tipo , e chega de ladainha e vamos logo beber uma cerveja que eu estou com a boca seca. Vou ter que fazer uma reunião com o meu pessoal , eu preciso aumentar a segurança na barreira para que se caso aconteça alguma invasão , quanto menos os cana subir no morro é melhor para mim , quando os canas sobe eles ficam analisando tudo para quando voltar saber por onde passar e tudo mais , eu sei que o comandante Almeida está me investigando isso não me intimida nenhum pouco já que eu sou procurando e tenho uma ficha extensa de crimes nas costas , mas eu me preocupo eu não quero morrer e deixar a minha mãe sozinha , ela já perdeu o meu pai e se acontecer alguma coisa comigo eu acho que a minha coroa não aguentaria, então eu tenho que me cuidar o máximo para não ir preso e nem ser morto. Cheguei em casa o dia foi corrido, tive que ir na escola, depois tive que resolver algumas coisas sobre essa carga de drogas , hoje eu dei uma g****a se tão corrido , acendi um baseado e sentei na sacada do meu quarto , o Rio de janeiro fica ainda mais lindo a noite com todas essas luzes acesas , e aqui na minha sacada que eu relaxo , é aqui que eu penso na minha vida e nas decisões que eu vou tomar , eu sou impulsivo para muitas coisas , mas se tem uma coisa que meu pai me ensinou antes de falecer é quando eu estiver com a cabeça quente a melhor coisa é eu vir pra casa e pensar antes de agir , muitas vezes eu tento não agir por impulso mas quando eu vi eu já fiz , e isso era uma das coisas que eu admirava no meu pai , quando ele esquentava a cabeça em alguma situação ele metia o pé e depois ele resolvia , já eu estouro de uma vez só , sem pensar muito.

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