Mercado

1508 Words
Melissa Tompson Quando eu imaginava que seria mãe, não me passou pela cabeça que seria tão difícil assim. Por mais que eu tivesse ajuda com a babá e os tios das crianças ainda parecia não ser o bastante, pois, ainda tinha que lidar com algumas coisas extras, por exemplo, a professora dos meus filhos que não ia nem um pouco com a minha cara e procurava motivos para expulsar os gêmeos da escola. Aguentei a bronca calada, pois, sabia que estava errada infelizmente tinha passado do horário e não percebi isso o que me levou a uma conversa totalmente constrangedora de uma hora e meia com a professora Marlene. Era uma senhora rancorosa, beirando a terceira idade e também não gostava nem um pouco de pessoas o que me faz perguntar como raios ela era uma professora do fundamental. Depois de deixar os gêmeos no colégio segui direto para o supermercado, tinha que fazer algumas compras para o restaurante e estava na minha vez de fazer isso. Não era pelo fato de ser chefe da cozinha como também uma das chefes do lugar que não estava sujeita a outras obrigações, muito pelo contrário, eu mesma disse que faria algumas delas e que não era diferente de ninguém só por ser chefe. Quando construimos nosso restaurante conversamos que os funcionários deveriam ser respeitados, pois, afinal de contas já passamos muito tempo na mão de vários patrões chatos e abusivos. Só de me lembrar dessa época um calafrio percorreu o meu corpo, me dando temporariamente uma sensação r**m. O mercado era no caminho para o trabalho, por consequência achei que seria uma ótima ideia ir andando do que pegar uma carona. E também eu poderia dizer que acabei fazendo a minha caminhada do dia, não seria ótimo?Unir o útil ao agradável? Ri baixo, movendo o rosto para os lados em uma breve negativa. Demian iria falar um monte no meu ouvido e Emily provavelmente iria apoiar ele. O mercado em questão era daqueles vinte e quatro horas, onde você poderia encontrar tudo o que estava procurando em um só lugar o que era bastante útil uma vez que muitas vezes ao dia eu e os demais funcionários íamos frequentemente naquele lugar. Por causa da frequência também acabamos fazendo um cartão fidelidade. Então tínhamos cinquenta por cento de desconto na maioria das compras. Era um lugar mediano, paredes pintadas de amarelo vivo com alguns letreiros espalhados pela área da entrada. Um pouco ao lado na área esquerda víamos o vidro dividindo o lado de dentro e o lado de fora,além disso, conseguíamos ter uma visão privilegiada de algumas áreas do mercado como a parte de doces. Algo que devo dizer era uma completa maldade com algumas pessoas. Tinha nove corredores, todos eles divididos por prateleiras e gêneros, tipos. Ao fundo tinha uma área para as pessoas comemorem alguma coisa enquanto fazem compras ou melhor dizendo a área da tentação, a área em que você acaba gastando um pouco mais do que era esperado. Já perdi as contas de quantas vezes já havia passado por lá e consequentemente comprado bem mais do que eu gostaria. Meu nutricionista está chorando nesse exato momento. Passei pela porta de vidro, sorri para algumas pessoas e cumprimentei outras. — Oi Mel. — Disse Declan. — É, ótimo ver você. Sorri de canto, Declan era o mais novo - gato - atendente do mercado, pele morena, sem barba com cabelo sempre bem feito e fazia toda a questão do mundo de exibir os músculos. Emily dizia que ele era afim de mim e eu dizia que era o contrato. De toda a forma eu não dava importância para isso, pois, com os gêmeos eu não tinha tempo para namoros ou ter uma vida pessoal já que o meu tempo era dedicado unicamente para os dois e eu sempre procurava trazer o máximo de mim. — É? — perguntei aproximando me do caixa onde ele estava, vi o homem sorrir de canto. — Sim. — Retrucou. — Chegou uma carga de mercadoria e é claro que eu guardei o melhor para melhor chefe de LA. Sorri em ouvir aquilo. Quando você é chefe de cozinha ter um bom relacionamento com comerciantes é algo que querendo ou não você tem que ter, ou não vai acabar tendo os melhores produtos. — Onde estão? — questionei. Ele não respondeu exatamente com palavras e sim com um breve aceno feito com a cabeça, onde indicava o local silenciosamente. Soltei sem querer querendo um gritinho animado com isso, parecia uma criança feliz que havia acabado de ganhar o brinquedo que tanto queria. O homem riu baixinho movendo a cabeça em uma negativa lenta. Andei para os fundos do mercado, no canto oeste onde as verduras e frutas estavam separadas. Olhei em volta e vi todos aqueles produtos frescos e um largo sorriso cresceu em meu rosto, por alguns segundos só pensei na quantidade de pratos que poderia fazer ou até mesmo inventar, aquilo conseguiu melhorar o meu dia e muito. Não fiquei mais parada lá, comecei a juntar as coisas para poder ir logo trabalhar. Só de tocar alguns conseguia sentir um formigamento percorrendo o meu corpo, eu estava muito empolgada. Não demorei muito tempo lá, pois, afinal de contas eu já estava passando - ultrapassando - todo o meu horário de trabalho, por mais que eu fosse a chefe não quer dizer que eu tenha tantos privilégios assim. Passei no caixa depois de comprar tudo o que queria, caso tivesse esquecido algo iria voltar depois para comprar, conversei um pouco com Declan e parti em direção ao restaurante, hoje seria um ótimo dia eu conseguia sentir isso. {...} Olhava alguns pratos serem feitos ao mesmo tempo monitorava outros. A cozinha como sempre estava uma completa bagunça, com pratos indo e voltando o tempo todo junto disso ouvia se o som de panelas e pratos batendo um no outro. — Chefe tenho algo para falar com a senhora, chefe. — Falou um dos garçons, eu automaticamente me virei para ver quem era e também saber o que era. — Sim? — perguntei. E então meus olhos foram tomados para o prato nos dedos dele, um bife que eu recém havia preparado. Franzi o cenho. — Qual é o problema? — perguntei indo direto ao ponto. — Bom... — Ele procurava as palavras certas para não acabar me ofendendo no processo, torcia os dedos um no outro procurando por alguma forma de alívio . — É que... Suspirei fundo, se tinha algo que eu não gostava era de enrolação. — O quê aconteceu Arthuro? — questionei. — O cliente pediu para refazer, disse que não está no ponto. Torci o olhar. Aquele pedaço de carne estava perfeito, eu mesma o fiz e sabia bem que não tinha nada de errado com ele. Que diabos? Olhei para o bife, olhei para o pobre do garçom que não tinha nada a ver com o assunto. Tirei o meu avental e larguei o que estava fazendo para fazer depois, marchei até o freezer e de lá tirei um pedaço de carne crua média, levando a comigo com o auxílio de um garfo. Abri as portas da cozinha e olhei por todo o restaurante, é claro que tal ação chamou a atenção de muitos. — Quem pediu bife? — perguntei em voz alta para que a pessoa me ouvisse mesmo com a distância e a pouca falação do ambiente. E então logo ali perto vi uma mão se levantando na multidão e vi Theo Fernandes de olho roxo sentado em uma das mesas com um sorriso de canto. O quê ele queria? Levar um outro para combinar? Andei até lá e o olhei de cima a baixo. — Aqui está, seu bife no ponto senhor. — Ao terminar de falar soltei o pedaço de carne em cima da mesa cruzando os braços. Ele riu com a minha ação. Quanto tempo de cadeia eu pegaria se socasse a cara dele? — É bom ver você. — Falou. — Eu digo o oposto, agora com licença. A minha voz não era alta, não queria criar uma cena maior do que já estava criando. O homem pensava o contrário, agarrou um dos meus braços impedindo que eu desse mais um passo. — Vamos conversar. O olhei, era algo intenso que por alguns segundos roubou o meu fôlego. — Não aqui, e não agora. — Respondi soltando o meu braço. Dei algumas batidinhas na roupa e soltei um suspiro profundo da garganta, buscava por qualquer resquício de paciência que tivesse dentro de mim e eu torcia para ser muito caso contrário acho que seria hoje que eu dormiria em um lugar diferente para variar. — Quando eu sair, vamos conversar. — Ótimo, eu espero. Ouvi aquilo e não respondi mais nada, olhei em volta e movi a cabeça para os lados em uma negativa lenta. Deus! Você poderia me dizer o motivo pelo qual essas coisas acontecem comigo? Eu fui uma pessoa tão má na vida passada? É a única explicação.
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