O quê é isso universo?
Melissa Tompson
Acho que eu nunca levei um susto tão grande quanto aquele.
Estava pálida, eu não tinha dúvidas que a minha cara estava algo como: vi uma assombração, o que de certa forma vi mesmo.
O meu coração batia uma fração de segundos um pouco mais rápido do que o normal, e pude jurar que o que estava ali parado era apenas um fantasma, porém era tão real que acreditar nessa teoria seria uma grande tolice.
Theo não estava tão diferente, quer dizer, mais ou menos.
Os anos que passaram fizeram bem a ele, não tinha mais a cara de um destruidor de corações ou a de um colecionador de calcinhas.
Tinha um olhar sério, o queixo quadrado com um pouco de barba por fazer.
Continuava alto como sempre, os cabelos estavam bagunçados já que tinha provavelmente entrado na água não fazia nem muito tempo, pois, conseguia ver perfeitamente as gotas andando pelo seu corpo.
E meu deus! Ele continuava ridiculamente gostoso.
O que por uma fração de segundos me fez pensar em ser uma daquelas gotas e várias outras coisas pervertidas.
O quê? Infelizmente o desgraçado continua lindo e eu não estou morta ao ponto de não notar isso.
O abdômen que antes dava uma ótima máquina de lavar antes agora era um tanque de lavar completo, tendo direito a alguns adereços.
Parecia que envelheceu como o vinho, quanto mais velho melhor e droga como o tempo poderia ser tão bom com alguém daquele jeito?
É, sério? Isso é totalmente injusto com nós meros mortais.
Deus de fato parece ter seus preferidos e Theo Fernandes é um deles, com toda a certeza do mundo.
Os fios de cabelo estavam mais longos, batiam em seus ombros que pareciam ter adquirido o dobro de tamanho nesses anos, com toda a certeza agora ele parecia um grande de um armário de músculos.
E isso não era nem de longe um exagero.
Meus olhos não puderam se fechar em nenhum momento naquele processo, eu tinha medo que se fizesse tal coisa o homem ali na minha frente iria desaparecer.
Não me julgue, eu tive medo por muito tempo que qualquer coisa na minha frente fosse simplesmente sumir quando fechasse os olhos.
Tive vários pesadelos com isso, até que um dia felizmente esse medo acabou.
Mesmo depois de tanto tempo chegava a ser ridículo a maneira como esse medo conseguia me perseguir.
Eu era uma tola por isso.
Como ele ainda tinha tanto efeito em mim? Deus! O quê eu fiz para merecer essas coisas?
Por anos fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido naquela noite para que Theo simplesmente sumisse do nada, sem ao menos dar uma única explicação. Agora, talvez, teria a minha explicação. O único problema é que lá, no fundo, bem lá, no fundo, mesmo… Eu já não me importava mais.
Pois, quem é verdadeiro fica com você e não vai embora.
Ainda assim, queria ouvir a verdade e eu merecia a verdade, por mais que uma parte minha acreditasse que isso poderia acabar comigo de alguma forma que eu ainda não fazia a mínima ideia.
E essa sensação era horrível.
Nem ao menos a sua mãe sabia do caso, algo que apenas serviu para me deixar ainda mais aflita na época.
Theo havia simplesmente sumido do mapa, o telefone dava sempre caixa postal e o e-mail dele já não mais existia por um tempo, foi como se ele nunca tivesse nascido.
Tentei me recompor, eu não queria mostrar o que estava sentindo, pelo menos não na frente da minha filha.
Não queria chorar, não queria surtar ou qualquer coisa do tipo; eu apenas queria desesperadamente sair dali o mais rápido o possível, pois, dentro do peito, sentia que a minha respiração estava oscilando um pouco.
Eu me sentia presa em um elevador, onde as paredes estavam se fechando e eu estava no meio delas.
Essa sensação era horrível.
O meu coração batia dentro do meu peito em um ritmo que não poderia ser considerado comum, meu corpo ajeitava se para a batalha; pronto para atacar caso fosse possível.
Não agora, em público, bem diante dos meus filhos e de várias outras pessoas.
Apesar de eu não olhar ló diretamente eu sabia que era observada pelo loiro, engoli em seco e reuni o máximo de força para conseguir puxar Aurora dali.
Infelizmente, para a minha sorte, a pequena criatura que eu carinhosamente chamava de filha parecia reunir toda a sua força agora, seu corpo ficou pesado e por alguns segundos suspirei pedindo por paciência.
Theo ficou parado, me olhando. Por um lado agradeci a falta de reação e por outro senti uma pontada de tristeza.
Afinal, o quê ele estava fazendo ali?
Por qual motivo não falava nada?
Droga! Theo.
— Filha, por favor temos que ir. — Falei, porém, a menina pareceu não me ouvir e fez o contrário do que eu queria.
Primeiro, desgrudou se de mim e caminhou até o homem e apontou a mãozinha.
— Isse é o papai mamai. — Anunciou. — É ele qui eu vi nas suas fotos.
Olhei para minha filha e olhei para Theo que parecia estar entendendo a situação.
Ri sem graça, peguei Aurora no colo e acariciei seu rostinho emburrado.
— Querida não é. — Respondi. — Ele é diferente. — Estava falando as primeiras coisas que vinham a minha cabeça, era o desespero falando enquanto eu tentava soltar argumentos que vez ou outra não faziam sentindo algum. — Ele não é o papai tá meu anjo?
Eu não esperei que Aurora pensasse na situação, não queria pagar mais mico do que eu já estava pagando e por causa disso obriguei o meu corpo a mover se na direção do carro, onde minha amiga me esperava com o meu outro bebê.
— Ah! — Disse ao me ver. — Você conseguiu achar ela, que bom.
O sorriso no rosto da mulher sumiu no instante em seus olhos puderam analisar a situação com um pouco mais de precisão.
— Falamos em casa?
Concordei silenciosamente enquanto arrumava os gêmeos no banco traseiro e ela ia no espaço livre com eles.
O lado bom de ter uma amizade de longa data era que não precisava de muito para que ela entendesse o mínimo, e era essa uma das várias coisas que eu gostava da minha convivência com Emily.
Ela percebeu o quão tensa eu estava, colocou uma de suas mãos nos meus ombros e sorriu. Um sorriso pequeno que por trás trazia muito significado.
Eu estava já sentada no banco do motorista, tentando manter o pouco de calma que eu tinha guardado no corpo.
Batuquei os dedos no volante e respirei fundo antes de dar partida e ir para casa.
Eu poderia esquecer esse dia? Poderia só fingir que foi um dia comum em família?
Sorri com os pensamentos que circulavam a minha cabeça, eu sei que talvez eu esteja sendo um pouco infantil com a situação, porém, eu não estou nem um pouco pronta para lidar com isso agora.
Virei o rosto para o lado um pouco só para ver se vinha algum carro antes de começar a dirigir de volta para casa, ao fazer isso me deparei com a figura de Theo parado na entrada do estacionamento da praia.
Os gêmeos felizmente não viram nada, estavam distraídos brincando entre si.
Emily seguiu o meu olhar e conteve um grito no garganta, pois, acabou entendendo o motivo pelo qual eu estava daquele jeito.
O que eu pedi por tanto tempo tinha finalmente acontecido, o problema? Eu não estava mais com esperanças que isso aconteceria, eu tinha seguido em frente e agora ele estava circulando, por aí, como um fantasma do natal passado pronto para me assombrar caso fosse preciso.
Isso não era justo, não mesmo.
Droga!