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Domínio e Desejo: O Jogo do Controle

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"Alguns perdem o controle. Outros... descobrem que nunca o tiveram."

Para Júlia Andrade, o controle não era apenas um hábito; era sua armadura. Como uma executiva impecável que nunca permitiu um deslize, ela tinha um plano perfeito para chegar ao topo. Mas planos são ilusões, e Pedro Villaça é a realidade mais perigosa que ela já enfrentou.

Ele é o CEO que não aceita nada menos que a rendição absoluta. Frio, impenetrável e com um olhar que parece ler os segredos que Júlia jurou esconder, Pedro inicia um jogo onde as regras são ditas entre sussurros e os limites são testados a cada encontro.

O que começa como um duelo de mentes no escritório se transforma em uma obsessão que ameaça destruir tudo o que ela construiu. Entre segredos de um passado sombrio e o desejo que queima a lógica, Júlia descobrirá que, no tabuleiro de Pedro Villaça, não existe empate.

No jogo do controle, quem se entrega primeiro... perde tudo. Ou ganha o que nunca ousou desejar.

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Capítulo 1 — A Mulher Que Nunca Perde o Controle
Júlia Andrade acreditava que o controle não era uma escolha, era o que a mantinha viva. Para ela, a vida não era algo que simplesmente acontecia; era um plano que precisava ser seguido à risca. Ela não buscava a felicidade, porque achava essa palavra muito vaga e instável. Ela não buscava a liberdade, porque para ela, liberdade era apenas um nome bonito para a bagunça. O que ela queria, acima de tudo, era ordem. Talvez por isso os seus dias fossem tão organizados que pareciam seguir um roteiro de filme. O despertador não tocava, ele dava um aviso de que o dia tinha começado exatamente às seis da manhã. O café, puro e sem açúcar, ficava pronto seis minutos depois. Suas roupas eram separadas na noite anterior, sempre combinando cores neutras para evitar perder tempo pensando no que vestir. Até o seu silêncio parecia calculado. Júlia não falava por falar; ela observava tudo ao redor antes de abrir a boca. As pessoas no trabalho admiravam esse seu jeito. Ou, pelo menos, era o que diziam para serem educadas. — Você é tão focada, Júlia — dizia uma colega de mesa. — Queria ter a sua disciplina — comentava outra, sempre correndo com prazos atrasados. — Você nunca perde a cabeça, parece que nada te abala — brincavam os amigos. Sempre que ouvia isso, Júlia dava um sorriso discreto, daqueles que não mostram os dentes e nem chegam aos olhos. Era apenas um gesto social. Se as pessoas soubessem que essa "disciplina" toda era a única coisa que impedia um incêndio dentro dela, talvez por medo. O controle era a armadura que Júlia usava para não desmoronar. Naquela manhã, São Paulo acordou debaixo de um céu cinza e pesado. O ar estava carregado, aquela umidade típica que avisa que a chuva pode cair a qualquer momento, travando a cidade inteira. O apartamento de Júlia era limpo e silencioso, exatamente como ela gostava. Diante do espelho, ela deu o toque final no coque do cabelo. Não havia um único fio fora do lugar. Ela olhou para o próprio reflexo com a frieza de quem avalia um relatório. Blazer bege, camisa branca impecável, uma maquiagem leve que escondia qualquer sinal de cansaço. Ela parecia perfeita. Intocável. Era exatamente essa a imagem que ela precisava passar para o mundo. Era assim que ela mantinha as pessoas longe do que ela realmente sentia. Seu celular vibrou na bancada de mármore. O nome na tela fez seu rosto relaxar por um segundo. Rafael. — Você já saiu de casa, não foi? — a voz dele veio baixa, ainda com sono, do outro lado da linha. — Ainda não — mentiu Júlia, dando uma olhada no relógio de pulso. — Mentira. Eu te conheço. Você deve estar pronta, com a bolsa no braço, esperando o segundo exato para abrir a porta. Júlia deu uma risada curta. Com Rafael, ela se sentia um pouco menos rígida. — Isso se chama ser responsável, Rafael. Você deveria tentar de vez em quando. — Isso se chama ser viciada em horários — ele brincou. — Eu acordei faz quinze minutos e já sinto que fiz muito. — Impressionante — disse ela. No fundo, Júlia sentia uma ponta de inveja de como Rafael levava a vida de um jeito leve, sem se prender a regras. Ele era o oposto dela: ele deixava as coisas acontecerem, enquanto ela queria mandar em cada detalhe. A voz dele trazia um conforto estranho, um lembrete de que existia vida fora das planilhas. — Você vai almoçar comigo hoje? — ele perguntou, mudando o tom de voz para algo mais sério. Júlia pensou na sua agenda: três reuniões complicadas e dois relatórios enormes para entregar. — Depende de como for a minha manhã, Rafael. Você sabe como as coisas ficam loucas na empresa. — Isso é um "talvez" ou um "não"? — É um "vamos ver". Eu trabalho com fatos. — Fria. — Realista — ela corrigiu. — Sabe que um dia eu vou cansar dessa sua mania de ser uma máquina, né? Vou te levar para uma praia sem sinal de celular. Júlia sorriu, sentindo o coração acelerar de um jeito diferente. — Você é dramático demais. — E você controla tudo demais. É o seu maior vício. Aquela frase bateu forte. "Você controla tudo". Por que aquilo soou como algo r**m? Rafael percebeu o silêncio dela na hora. Ele tinha uma sensibilidade que às vezes a irritava. — Ei — ele disse mais baixo. — Foi só uma brincadeira. — Eu sei. Mas preciso ir agora. O trânsito na Marginal deve estar um horror com esse tempo. — Tá bom. Me manda uma mensagem quando puder? — Vou tentar. — Júlia? — O quê? — Não esquece de respirar fundo hoje. De verdade, não só no automático. Ela desligou o celular e o silêncio tomou conta do apartamento de novo. "Controla tudo". Ela ficou com aquela frase na cabeça. Talvez ela controlasse mesmo. Ou talvez precisasse acreditar nisso para não surtar. O trânsito em São Paulo estava, como sempre, um caos. A garoa fina fazia os carros andarem devagar e o barulho das buzinas deixava qualquer um estressado. Júlia detestava atrasos. Para ela, chegar um minuto depois do combinado era passar um atestado de que não era capaz. Eram 07:42 quando ela finalmente parou o carro na garagem do prédio comercial. Ela estava no limite do tempo. Atravessou o saguão de mármore com passos rápidos, o barulho do seu salto alto ecoando como se estivesse em uma marcha. Ela cumprimentou o segurança com um movimento rápido de cabeça e seguiu em frente. O elevador estava quase fechando quando uma mão forte segurou a porta. Júlia deu um passo para trás, indo para o canto da cabine, enquanto o homem entrava. Ele era alto, usava um terno escuro muito bem cortado que passava uma imagem de poder sem esforço. Ele tinha uma postura muito reta, quase assustadora. A presença dele parecia ocupar todo o espaço do elevador. Júlia apertou a bolsa contra o corpo, sentindo um desconforto que não sabia explicar. As portas se fecharam. Silêncio total. O elevador começou a subir. Júlia ficou olhando para o painel de luzes, vendo os números dos andares passarem. Dois. Três. Quatro. Foi então que ela sentiu. Ela não precisou olhar para saber: ele estava encarando ela. Não era um olhar comum de quem olha para o lado por acaso. Era um olhar pesado, que parecia analisar cada detalhe dela. Devagar, Júlia virou o rosto para encarar o estranho. Ela encontrou olhos escuros e muito frios. Não era a arrogância que ela estava acostumada a ver em homens ricos e poderosos. Era algo diferente: era uma atenção absoluta. Ele olhava para ela como se pudesse ler o que ela estava pensando, algo que nem Rafael conseguia fazer. Júlia desviou o olhar primeiro, sentindo o coração bater mais forte na garganta. O homem não disse nada. Não deu "bom dia", não sorriu, nada. Mas o silêncio dele era barulhento. O ar no elevador parecia ter ficado mais pesado, mais difícil de puxar. Cinco. Seis. Sete. Quando ela olhou de novo, ele ainda estava lá. Imóvel. Olhando para ela sem nenhuma vergonha. Júlia sentiu que o seu controle estava começando a falhar. — Tem algum problema? — ela perguntou antes que pudesse se conter. A voz saiu firme, mas por dentro ela estava agitada. O homem inclinou um pouco a cabeça, como se achasse a pergunta interessante. — Não — ele respondeu. A voz dele era baixa e profunda, daquelas que a gente sente vibrar no peito. Era uma voz tão controlada quanto a dela, mas que passava uma sensação de perigo. — Então por que está me olhando assim? — Júlia insistiu, já começando a ficar irritada com aquele jogo. Houve um silêncio. Por um momento, Júlia achou que o tempo tivesse parado. Então, ele deu um pequeno passo na direção dela, diminuindo a distância entre os dois. — Porque você parece ser o tipo de mulher que nunca perde o controle — ele disse, com uma calma que a deixou gelada. O estômago de Júlia deu um nó. Como ele podia saber? Como um homem que ela nunca viu na vida conseguiu, em menos de um minuto, tocar no ponto mais sensível dela? Ela tentou não demonstrar nada, embora sentisse as mãos começando a suar. — Você não me conhece — ela disse, com a voz mais fria que conseguiu. — Não preciso ler o livro todo para entender sobre o que ele fala — ele respondeu, com um brilho estranho nos olhos. O elevador apitou e as portas abriram no nono andar. Júlia saiu na mesma hora, quase correndo para longe daquele homem e daquela conversa. Ela andou pelo corredor com as costas tensas, sentindo que o ar ali fora ainda estava estranho. Quem era ele? Como ele se atrevia a falar daquele jeito com ela? Ao chegar na porta da sua empresa, Júlia não aguentou e olhou para trás. As portas do elevador estavam se fechando devagar. Pelo espaço que sobrava, ela viu que ele ainda estava parado no mesmo lugar, olhando diretamente para ela, como se soubesse que ela ia olhar de volta. Aquele olhar era um aviso. Dizia que o controle dela não era tão forte quanto ela pensava. E que ele tinha acabado de achar a primeira rachadura na sua armadura. Júlia respirou fundo, tentando se acalmar. Ela tinha um dia cheio pela frente e não podia deixar um estranho tirar a sua paz. Mas, enquanto caminhava para a sua mesa, ela sentia que algo tinha mudado. O controle, que sempre foi o seu refúgio, agora parecia um pouco mais frágil. E o pior de tudo: ela sentia que aquele encontro no elevador era apenas o começo de algo que ela não ia conseguir planejar. Ela sentou na sua cadeira, abriu o notebook e tentou focar no trabalho. Mas a imagem daqueles olhos escuros não saía da sua cabeça. Pela primeira vez em muito tempo, Júlia não se sentia totalmente dona da situação. E isso a apavorava mais do que qualquer outra coisa. Ela olhou para o relógio. 08:00 em ponto. O dia tinha começado oficialmente. Mas a ordem que ela tanto prezava já não parecia tão sólida assim. Algo tinha saído do lugar, e ela não sabia como consertar. Pelo menos, não ainda.

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