Pedro Pedro não esperava por aquilo. Não dela. Júlia sempre foi o seu oposto: o fogo contra o seu gelo, a resistência contra o seu comando. Ele ainda conseguia ver, com uma clareza que o incomodava como um zumbido constante, a imagem dela em sua sala. Os olhos cheios, a voz falhando, o esforço enorme para se manter firme enquanto sua alma se quebrava. Júlia nunca fora de se quebrar. Mesmo quando ele a pressionava contra a parede, mesmo quando a expunha ao ridículo ou testava seus limites profissionais, ela reagia. Ela se mantinha. E, no entanto, ela desmoronara. Na frente dele. Pedro passou a mão pelo rosto, tentando organizar o caos interno que aquele choro provocara. Porque, no instante em que a primeira lágrima caiu, algo nele — algo que ele jurava ter escondido sob camadas de friez

