Júlia não queria voltar. Não era cansaço comum. Nem preguiça. Nem medo simples. Era outra coisa. Era a sensação exata de entrar num lugar onde alguém já decidiu que vai te ferir… e você, mesmo sabendo, ainda assim precisa ir. Ela quase ficou parada alguns segundos a mais dentro do carro por aplicativo quando o prédio da empresa apareceu à frente. Vidro. Aço. Silêncio elegante. Por fora, tudo parecia o mesmo. Por dentro, ela já sabia: nada estava. Respirou fundo antes de sair. Ajustou a bolsa no ombro. Endireitou a postura. Passou a mão discretamente pelo rosto, como se pudesse apagar o desgaste da noite anterior, do dia anterior, da semana inteira. Não apagava. Assim que entrou no saguão, sentiu. Os olhares. Não diretos demais. Não abertos demais. Mas presentes. Gente

