Pedro não estava tentando ser justo. Nem profissional. Nem coerente. Ele não estava tentando nada. Ele estava reagindo. E, pela primeira vez em muito tempo… sem filtro. Júlia percebeu antes mesmo de entrar na empresa. O corpo avisava. Aquele tipo de sensação que antecede problema. Pesado. Constante. Impossível de ignorar. — Ele já chegou. Renata disse, sem olhar muito. Aquilo bastou. Júlia sentou. Ligou o computador. Tentou começar. Tentou parecer normal. Tentou— — Júlia. A voz dele. Alta o suficiente para todos ouvirem. — Minha sala. Agora. Sem tempo. Sem espaço. Sem escolha. Ela entrou. Pedro não estava sentado. Estava de pé. Apoiando as mãos na mesa. Como se estivesse se segurando. — Fecha a porta. Ela fechou. Silêncio. Pesado. — Você acha que isso é

