Pedro não dormiu. Não por falta de tempo. Mas por excesso de pensamento. A imagem não saía da cabeça. A porta aberta. O olhar dela. O outro homem ali. No espaço dela. Pedro não acreditava em “coincidências”. Nem em “aconteceu”. Aquilo tinha sido escolha. E, pior— ela não tinha escondido. Ela sustentou. Isso foi o que mais incomodou. Não o fato. Mas a forma. Quando chegou à empresa, o ambiente estava igual. Funcionários entrando. Rotina começando. Normalidade. Mas nele… nada estava normal. Júlia chegou alguns minutos depois. Tentando parecer igual. Tentando manter o padrão. Mas o corpo não obedecia completamente. Ela sentia. O peso. Antes mesmo de vê-lo. — Júlia, ele quer você na sala. Renata disse. Sem olhar muito. Como se já soubesse. Júlia respirou fundo

