POV. Aurora Entrei na cela e fechei a porta com mais força do que pretendia. O som ecoou pelas paredes como uma sentença. Dante já estava lá dentro, sentado no canto, o corpo relaxado demais pra quem quase morreu algumas horas antes. Ele me olhou rápido, um sorriso torto surgindo no canto da boca. Era o tipo de sorriso que ele usava quando queria me irritar, e funcionava. Fui até o outro extremo e me sentei, de costas pra ele. O ar estava pesado, misturado ao cheiro de ferro e suor que ainda vinha das roupas. Tentei respirar fundo, mas o som da respiração dele encheu a cela antes da minha. — Você me odeia, não é mesmo? — ele perguntou, a voz rouca, preguiçosa, como se aquilo fosse uma piada particular. Virei o rosto devagar. Ele ainda sorria. O olhar fixo, provocando, como se estivesse

