O corredor do alojamento estava mergulhado em um silêncio espesso, quebrado apenas pelo som das trancas se encaixando e pelo roçar das botas dos guardas que faziam a ronda. Algumas portas ainda batiam, outras rangiam, e o ar tinha o cheiro agridoce de ferro e desespero. Ruan caminhava devagar, o corpo rígido, o rosto pálido. Parecia alguém sendo levado ao próprio enforcamento. As mãos tremiam discretas, e o suor escorria pela nuca. O guarda o empurrou de leve, impaciente. — Anda logo. Ele assentiu sem responder. Cada passo em direção à cela parecia mais pesado do que o anterior. Quando a tranca girou, o som metálico ecoou fundo dentro do peito dele. Do lado de dentro, Celeste já estava sentada. A luz fraca do corredor entrava pelas grades superiores e desenhava linhas no chão, iluminan

