O silêncio que veio depois do clarão parecia vivo, espesso, quase material. Dante ainda sentia o gosto de Aurora na boca, a pele dela quente demais, o pulso acelerado sob seus dedos. Era um calor que não vinha do corpo, mas de algo que rasgava de dentro pra fora. O vínculo pulsava entre eles — um fio invisível, elétrico, latejando com cada batida do coração. Por um instante, tudo o que ele foi, tudo o que acreditava ser, desapareceu. Só restava ela. E aquilo o apavorou. Aurora o encarava como quem já esperava o que acabara de acontecer. Os olhos dela, prateados e fundos, não mostravam surpresa, apenas uma espécie de resignação antiga. Dante se afastou meio passo, o ar voltando aos pulmões com esforço. “Companheira.” A voz de Mael veio como um trovão na mente dele, carregada de reverê

