Século XIX,
Soluthurn, Suíça.
Ano 1880, noite do crime.
Isabelle Marrie du Boise, encontrada desmaiada na cozinha da mansão do seu noivo Giocondo Giordano Ruschel .
Segundo seu depoimento, após ter passado por exame médico; relatou que seu noivo na noite anterior, havia ingerido bebida alcoólica. Eles dormiam na mansão em quartos separados. Ela despertou, após sentir forte cheiro vindo do andar de baixo. Ao descer as escadas para ver do que se tratava, engoliu muita fumaça vindo a desmaiar próximo a entrada da cozinha. A sorte é que foi retirada pelo jardineiro que não havia saído de folga, porque residia nos fundos da Mansão.
Segundo seu relato naquela noite, houve um jantar à dois para marcar a data do seu casamento que seria em 27 de setembro do corrente ano.
O Sr. Giocondo, dispensou os poucos empregados que tinha para ter mais privacidade. Mas um deles, não cumpriu o pedido.
Consta no depoimento que, a vítima estava passando por problemas financeiros. Estava sendo roubado por algum m****o, não mencionado .
A polícia investigou a morte do Sr. Giocondo, sem encontrar indício de crime premeditado.
Sendo assim,ela teve alta e foi liberada pela justiça por não haver provas conclusivas sobre ela. Um depoente médico da vítima, esteve na delegacia informando que o Sr. Giocondo fazia uso de psicotrópicos por está com diagnóstico de esquizofrenia, podendo ter cometido suicídio indireto.
A Srta. Isabelle nunca se conformou vindo a não se casar-se mais, levando boa parte de sua vida a escrever em seus diários, que nunca foram publicados como livros. Isabelle morreu dez anos depois, vítima de uma pneumonia num hospital privado.
A mansão permaneceu sob os cuidados do sócio do Sr.Giocondo, "Josef Heringer", que tomou conta da fábrica de charutos, da coleção de carros de luxo e algumas propriedades; já que o falecido não havia deixou herdeiros naturais. Sabe-se que seus pais ainda em vida, adotou o filho da sua criada quando esta deu a luz. Esse menino após completar dezoito anos, decidiu viajar para Lucena 1871 para ajudar na Cruz vermelha, sem dar mais notícias.
Sr.Josef Heringer
Faleceu aos sessenta anos vítima de necrose no quadril por uma ferida aberta devido a permanência deitado na cama. Ele havia caído do cavalo, vindo a sofrer fratura na bacia. A fábrica já havia entrado em falência pelos desvios de dinheiro. As propriedades foram vendidas para custear o luxo de viagens e gastos com jogos nos cassinos.
Tudo leva a crer que o Sr. Heringer era o responsável pelo roubo na fábrica, mas isso não o faria suspeito do “crime no porão”,como ficou conhecido.
Um pouco sobre a Srta. Isabelle Marrie Du Boise.
Era filha de uma professora de canto e de um comerciante no ramo de tecidos. Seu pai vê-se falido com a crise política que se instalou na época entre 1876 a 1879, obrigado a se desfazer das suas propriedades, carros.
No final desse período, Isabelle conhece o rico empresário Giocondo G. Ruschel numa festa promovida por sua amiga Charlotte. Eles se apaixonam perdidamente. Ela passa a lecionar idiomas para alunos em residências. Seus pais decidem viajar para França em busca de recursos com um tio, mas no caminho sofrem um acidente fatal. Desesperada Isabelle não sabe o que fazer. Por um tempo consegue manter-se com um dinheiro que havia guardado das aulas. Precisando entregar a casa que havia sido hipotecada, não conseguindo quitar a dívida, ela passa a viver na mansão de Giocondo sem ter nenhuma relação íntima. Não quis pedir ajuda financeira ao noivo devido aos rumores de crise que estavam surgindo. Seu sócio, passou a divulgar pela cidade que eles eram amantes.
Isabelle começa a perder alunos, Giocondo começa a ficar com a saúde debilitada. Ele está a cada dia mais nervoso afirmando que vê vultos a noite e ouve barulhos vindo da parte inferior da casa. Isabelle não sabe como lidar com isso. Seu sócio constantemente chama um médico que receita fortes medicamentos, deixando-o mais agitado. Isabelle tenta amenizar de todas as maneiras seus surtos. Ela então decide não administrar a quantidade que o médico havia prescrito, ele passa a melhorar seu quadro.
Algo de muito estranho há com essa medicação. Seu sócio, vendo que Giocondo está retomando às suas atividades, arma um complô para afastar Isabelle da mansão,
mas Giocondo interfere.
Eles já estão vivendo debaixo do mesmo teto há um ano. Decidem então marcar um jantar para oficializar a data do casamento.
Durante os meses que antecedeu o pedido de casamento, Giocondo volta a Fábrica G’RUSCHEL e ao pedir um balanço das finanças, percebe que está havendo mais retiradas do que o habitual. Marca uma reunião com seu sócio e membros, esse se exalta deixando transparecer que Giocondo não está apto para decidir nada dentro da fábrica. Isso gera um desconforto. Daí em diante tudo começa a ser motivo para discussões e mais uma vez Giocondo é visto pelos outros membros e empregados como um alienado. Heringer é astuto e mantém aliados na fábrica de igual reputação duvidosa.
Isabelle é o único consolo que mantém Giocondo firme, a única que acredita nele. Seu amor é forte e ela não se deixa abater pelas más línguas que insistem em difama-lo, eles tem uma força que os une. Mesmo diante de tantos problemas, Isabelle permanece ao seu lado prometendo está sempre vigilante. Eles já não suportam dormirem na mesma casa sem viver essa tórrida paixão que seus corpos gritam, mas Giocondo persiste em preservar a noiva dormindo em quartos separados . Nesse período restam poucos empregados na Mansão. Giocondo já não confia em quase ninguém; para ele, está havendo alguma armação para desestabilizar sua condição de presidente da fábrica. Ele não está errado, uma secretária é o apoio número um do sagaz sócio Heringer. Logo tudo ficará nítido com o passar dos meses. Giocondo estará vulnerável outra vez perdendo sua posição para o inimigo sem chance de defesa, aos mostrar dificuldades de administrar seus negócios. Uma armação bem arquitetada.
Para isto, teremos que voltar algumas vezes no tempo.