Eu te odeio, eu te amo
Eu odeio te amar
Não queria, mas não consigo colocar
Mais ninguém no seu lugar
— I hate you, i love you ( Gnash)
Lyandra
Sinto algo me cutucando e apenas resmungo, sinto uma cutucada mais forte e assim que abro os olhos vejo que é a Tânia.
— Bom dia flor do dia — ela diz sorridente e já de banho tomado.
Foi nesse momento que reparei que estava deitada sobre o tapete da sala e minha cabeça estava rodando.
— Aqui — ela me estende um copo com água e um comprimido.
Aceito sem pensar duas vezes e me deito de volta.
— Não dorme, vamos sair.
— Sair?
— Isso, o Chris esqueceu um pacote aqui no apartamento e pediu para eu entregar para um amigo dele, já que ele foi viajar.
— Pacote do quê?
— Não sei, não seja curiosa Lyandra. Agora levanta — ela puxou meu braço.
Fui para banho e meu estômago estava embrulhado, nunca tinha bebido tanto igual esses dias. Sai do banho, coloquei uma calça, jeans e uma regata.
Quando desci Tânia me deu um sorriso e já se levantou para irmos. Quando entrei no carro dela coloquei meus óculos de sol e fechei os olhos.
— Lyandra — senti ela cutucar novamente, o que está se tornando uma mania irritante.
Olhei ao redor e estávamos num lugar muito afastado e em frente a uma pastelaria, abri a porta do carro e Tânia fez o mesmo.
— Tem certeza que é esse lugar? — perguntei receosa.
— Foi esse endereço que ele passou.
Uma sensação r**m de apoderou do meu corpo, estamos paradas na calçada até que um rapaz alto com a camiseta do flamengo se aproxima de nós.
— Qual de vocês é a mina do Chris? — ele perguntou.
— Sou eu — Tânia se aproximou dele.
— Burguesa — o rapaz de um sorriso mostrando seus dentes metálicos.
Olhei bem para ele e vi um volume em sua cintura. Puxei o braço de Tânia, ela me olhou irritada, mas mesmo assim sussurrei em seu ouvido “Ele está armado”.
A mesma se soltou de minhas mãos e foi para mais perto dele.
— Estou com seu pacote.
— Entrega, estou precisando dele.
Tânia abre sua bolsa e dele retira um pacote grande, mas bem nessa hora uma viatura vem em nossa direção.
— Parados, parados. Mão para cima anda.
Levantamos as mãos totalmente assustadas, o rapaz tentou correr, mas o policial conseguiu o pegar e o jogou no chão.
Uma policial nos encostou na parede e começou nos revistar, enquanto o policial revistava o rapaz, encontram uma arma e maconha. Quando ele abriu o pacote que estava com Tânia continha grande quantidade cocaína e quando ele foi até o carro revistar achou mais.
— Tânia — eu disse já com lágrimas nos olhos.
— Eu juro que não sabia, ele apenas disse que tinha deixado outros pacotes no meu carro.
— Vocês estão sendo detidas, pois, esse rapaz que se encontra com as senhoritas se chama Samuel Barros e ele já foi preso por t***************s.
Nem conseguimos falar algo, eles apenas nos algemaram e jogaram na viatura junto com o tal Samuel.
****
Tânia
Olhei para Lyandra e me arrependi amargamente da situação que nós coloquei, não sabia que nada disso iria acontecer e muito menos que naqueles pacotes continham cocaína, os olhos da minha amiga estão cheios de lágrimas, mas ela não deixa nenhuma cair, já meu rosto está vermelho de tanto chorar.
Quando o policial vem avisar que temos direito a uma ligação saio rapidamente da cela e pego o telefone com as mãos trêmulas ligando para o primeiro número que vem na minha cabeça.
Ligação on
— Alô, João Pedro?
— Está tudo bem Tânia? — a voz do meu irmão soa preocupada.
— João — digo chorosa.
— Está me assustando.
— Estou na delegacia, fui presa por associação ao tráfico.
A linha fica em silêncio por alguns segundos.
— Aposto que é essa amizade nova que arrumou.
— Lyandra? Claro que não.
— Lyandra? Esse é o nome da garota que está te levando para o mau caminho, Tânia, como você é influenciável.
— João você não está entendendo.
Quando percebi ele desligara a ligação.
Ligação off
Respirei frustrada e voltei para a cela, Lyandra me olhava.
— Perdão — fiquei de joelhos em frente a ela — Meu Deus Lyandra, eu sou uma i****a.
— Muito i****a — ela diz me abraçando.
— Não quero perder sua amizade, eu não vou fazer mais, não me deixa.
— Vai ficar tudo bem.
****
Lyandra
Acabou que passamos a noite na cadeia, Tânia dormiu abraçada as minhas pernas e eu não consegui chegar os olhos por um minuto.
— Tânia Azevedo e Lyandra Torres.
Nos levantamos assustadas.
— Estão livre, vamos, andem.
— Mas...
Antes que Tânia abrisse a boca para dizer algo a puxei da cela, indo direto para a saída. Lucca estava parado perto de seu carro e assim que nós viu veio direto em nossa direção.
— Lucca — o abracei apertado.
— Oi Lya — ele beijou meus cabelos — Tânia onde você estava com a cabeça?
— Lucca, eu sinto muito.
— Tem que sentir mesmo, olha a situação que você colocou a Lyandra e se colocou. Não sabe o quanto foi difícil convencer o João Pedro a ajudar ela, já que ele te acha uma santa.
— Eu sei que errei, mas não vai acontecer mais.
— Estou cansado de ouvir essa desculpa.
— Então talvez seja melhor a gente deixar de ser amigo Tânia.
— Melhor coisa que eu poderia ter ouvido.
— Tchau — Lucca olhou para mim frustrado — Sinto muito Lya.
Lucca entrou em seu carro e deu partida, enquanto Tânia me abraçou chorando. Com dificuldade consegui pedir um táxi e minha amiga chorou o caminho inteiro, ela e Lucca tem uma relação complicada e com certeza João Pedro não deve facilitar.