Mel
A carruagem começa a parar em frente ao castelo, estou bastante ansiosa, pois não sei como será minha vida aqui. Não posso criar muitas expectativas, pois estou no meio de vampiros, e eles são seres maus e maliciosos.
servo —vamos senhorita. Irei te mostrar o seu quarto, vai precisar se arrumar para ficar na frente do nosso rei.— diz entrando no castelo, só sigo ele enquanto vejo os guardas me olharem de forma estranha, parecem estar olhando para uma sobremesa ou comida muito gostosa. Estou me sentindo insegura e desconfortável, pois sei que qualquer um deles pode me m***r só com a força.
Fico confusa depois de passar por vários corredores e escadarias, eu com certeza irei me perder aqui, nem vou saber como descer de andar.
—eu vou ter que usar uma roupa específica? Uniforme de empregada ou algo do tipo?— pergunto um pouco curiosa.
servo —provavelmente vai precisar usar roupas azuis e pretas para ser identificada como empregada, vermelha e azul para serva de sangue, ou roxo e vermelho serva de sangue do rei. Só ele poderá dizer o que fará no castelo.
—acho que entendi, vai demorar muito para chegarmos ao meu quarto pois parece que estamos andando sem parar a meia hora.— falo já com as pernas doendo, vejo que ele me olha sem entender, para ele deve ser super normal já que pode fazer isso direto sem se cansar por ser vampiro.
servo —estamos chegando, só mais um andar e estará no seu quarto.— diz normalmente subindo mais uma escadaria, só caminho mais rápido para tentar alcançar ele.
—espera um pouco, estou exausta já, meu quarto é no décimo andar?— pergunto enquanto tento recompor o fôlego.
servo —é no décimo quinto, mas já estamos chegando, se quiser parar um pouco, mas vai precisar subir e descer escadas todos os dias já que o quarto do rei é no último andar.— eu não imaginei que o castelo fosse tão alto assim.
Depois de muito caminhar chegamos em uma porta cor de madeira com alguns desenhos em formado de linhas.
servo —chegamos senhorita, esse é o seu quarto, tome um banho e se arrume rapidamente, pois iremos a sala do trono, irá falar com o rei, ele que decidirá suas funções aqui dentro. Já tem algumas roupas e vestidos nós armários, use o que achar mais adequado para a ocasião, recomendo uma roupa formal. Irei te esperar aqui fora.— diz me olhando, só respiro fundo e entro no quarto, ligo o interruptor na parede e vejo o quanto o cômodo é enorme, tem uma cama de casal, parece que será só meu, não precisarei dividir.
fico sem entender quando vejo duas porta no quarto, vou até uma delas e abro curiosa, tem um cômodo só para roupas, acho que é isso que a pessoas chamam de closet. Vou até a outra porta e vejo um banheiro enorme e com banheira, tem vários cremes, entre outras coisas que não consigo indentificar.
Já ia esquecer, preciso me arrumar logo, não posso deixar o rei esperando, as vezes fico muito impressionada com as coisas já que nunca tive nada para chamar de meu, tudo no orfanato tinha que dividir, pelo menos podia escolher a pessoa que eu iria precisar compartilhar, sempre era minha melhor amiga.
Ligo o chuveiro que estranhamente sai água quente, nunca vi algo assim antes, será que é algo mágico? Se existe vampiros também deve existir magia, bruxas entre outras coisas.
Começo a tirar minhas roupas que estão imundas por causa da viagem, fiquei dias naquela carruagem sem poder lavar ou trocar muito de roupa, me sinto horrenda, devo estar cheirando a carniça em decomposição.
Pego um sabonete que parece ter pedaços de rosas e um creme que está escrito para passar no cabelo, entro na água e começo a me ensaboar, só começo a relaxar pois a água morna e o sabonete com cheiro doce me deixam extremamente tranquila.
Quando termino de limpar a minha pele começo a cuidar do meu cabelo, pego uma escova e começo a desembaraçar.
Saio do banheiro depois de me cuidar direito, me sinto tão limpa a cheirosa, meu cabelo está tão brilhante e maravilhoso.
Vou até o closet de toalha mesmo e começo a escolher as roupas, escolhi em vestido muito lindo na cor azul escuro que vai até o meu joelho, tive que colocar um espartilho e um bermuda branca também, estou me sentindo muito nobre usando essas coisas, também tem algumas jóias que imagino ser falsas, mas não gosto de usar.
Levo um susto quando vejo uma empregada entrar no cômodo sem avisar.
Empregada —estou aqui para te ajudar a se arrumar senhorita, tem levas no gaveta, recomendo usar.— só faço o que ela falou meio desconfortável.
Noto que ela fica me analisando por um tempo, parece querer ver se estou bem arrumada para ocasião.
Empregada —esta aceitável para falar com o rei, vamos senhorita, nosso mestre não pode esperar mais que isso, é extremamente ocupado.— diz séria, só fico em silêncio, pego um sapato azul na cor do vestido e sigo ela para fora do quarto.
(...)
Depois de novamente andar pelas centenas de corredores e escadarias chego até uma porta enorme que parece ter dois metros de altura. Fico paralisada, pois parece ter detalhes em ouro e diamante, é muito bela.
Noto que os guardas saem de seus postos para abrir a porta gigante que faz um som muito alto na hora de ser aberta.
Fico sem palavras ao ver a sala do trono pela porta, parece ter o tamanho de um bosque só que com cadeiras, bem no final tem o trono de ouro e diamante, o rei não está usando coroa, eu imaginava que todos usassem.
Empregada —entre na sala de cabeça erguida, não olhe para os lados, mantenha a postura reta, não tire os olhos do rei.— só faço um sim com a cabeça enquanto ela olha para mim séria, parece querer que eu entre logo.
Só entro de uma vez, caminho devagar e na postura certa enquanto vou em direção ao trono do rei.
Vejo que tem algumas pessoas na sala fazendo seus trabalhos, parecem conversar sobre um assunto importante.
O rei está logo a frente assinando alguns papéis enquanto um homem loiro está falando com ele, noto que eles param ao me notar. Quando estou bem próxima do trono faço uma referência abaixando a cabeça.
Vairon —pode levantar a cabeça.— só faço isso depois de ele dizer.
—meu senhor, qual será meu trabalho no castelo.— falo evitando olhar para ele, estou um pouco apreensiva.
Vairon —vai ser minha serva doadora de sangue, não mudei de ideia sobre isso, quando dou minha palavra é difícil quebrar.— diz com sua voz firme, seu olhar sério me faz ficar meio nervosa.
loiro —será serva dele então deverá acalma-lo também, entretê-lo e informá-lo sobre tudo.— diz me olhando sério, parece não gostar de mim, ou não confia.
Vairon —esse no meu lado é Oliver, é meu braço direito, deve ter notado o mau humor dele, mas depois de um tempo você se acostuma.
Oliver —se apresente garota, seja educada plebeia.— fico sem palavras quando ele diz isso, respiro fundo pois ainda preciso manter a postura.
—meu nome é Mel, sou uma órfã.— falo tentando não me abalar com a implicância do vampiro de cabelos loiros.
Vairon —pega leve com ela Oliver, é só uma garota.— diz sério.
Oliver —farei isso, mas ela não é mais importante que as outras que trabalham aqui a anos. Mel, vai ter professores de etiqueta, esgrima, violino, piano e arpa, pois irá precisar acompanhar o rei nas viagens, bailes e reuniões pois irá alimentar ele.— engulo seco pois estou com um pouco de medo desse cara, com certeza não vai sair do meu pé.
—entendi, irei dar meu melhor para ser adequada para acompanhar o rei.— falo firme olhando nos olhos do loiro.
Oliver —ótimo, pode se retirar, sua presença já não é mais importantes aqui.— diz e eu só me viro para sair.
Quando saio da sala fico instantâneamente mais tranquila.
Parece que as coisas aqui não serão boas, ainda bem que não criei espectativas falsas. Pelo lado bom tenho um quarto, um lugar para chamar de casa por enquanto.