Mel
Acordo com uma empregada batendo na porta, está muito escuro, isso é sinal que nem amanheceu ainda. Queria ignorar, mas não posso, estou aqui, e não quero arrumar problemas e ser punida logo no início.
Me levanto ainda sonolenta e vou até a porta, abro e vejo a empregada me olhando séria, todos aqui são extremamente sérios, isso me incomoda um pouco.
empregada —senhorita, você é bolsa de sangue do rei, é nessas horas que ele gosta de se alimentar, por favor, vá até o quarto dele e faça seu trabalho.— diz olhando diretamente nos meus olhos.
—a mordida dele vai doer?— pergunto deixando a insegurança aparecer um pouco, não consigo esconder 100% o desconforto que isso me causa.
empregada —um pouco, mas você vai aguentar, recomendo tomar um banho antes, ele gosta que suas doadoras de sangue sempre estejam limpas e cheirosas. Irei voltar daqui a pouco para te levar.— diz se virando e saindo.
Respiro fundo e tento ficar calma, nenhum vampiro nunca chegou a me morder antes, estou nervosa e com um pouco de medo também. Tento me tranquilizar ao pensar que ele só irá beber um pouco do meu sangue, nada mais além disso.
(...)
Saio do quarto depois de ter me banhado, coloquei uma roupa larga e confortável para não me sentir mais nervosa.
Vejo a empregada voltar para me buscar, ela se vira para me mostrar onde é o quarto do rei, e eu só sigo ela pelos vários corredores.
Depois de muito andar paramos em frente a uma porta enorme na cor dourada, vejo que ela bate na porta e depois sai me deixando sozinha.
Meu coração acelera quando escuto a porta abrir, Vairon está me olhando, vejo ele ir para trás para dar espaço para eu conseguir passar. Entro no cômodo tentando não demostrar o medo e aflição que estou sentindo no momento.
Vairon —não precisa ficar nervosa, seu coração está muito acelerado, se acalme um pouco— só faço um sim com a cabeça sem conseguir responder por causa do nervosismo.
Fico mais calma quando ele liga o abajur do quarto para iluminar um pouco, provavelmente fez isso para me deixar mais tranquila, pois sei que vampiros enxergam no escuro.
Vairon —senta na cama, e tenta relaxar um pouco, se ficar tranquila a mordida não irá doer.— só faço o que ele falou sem pensar muito.
Não consigo evitar meus batimentos acelerados quando ele vem na minha direção, senta na cama no meu lado e tira meus cabelos da frente do meu pescoço.
Vairon —vai sentir uma picada, mas logo irá passar.— diz normalmente e eu só concordo.
Vejo ele aproximar a boca do meu pescoço, agarro meu vestido quando sinto suas pressas entrarem em minha pele, estou sinto como se estivesse sendo espetada por uma agulha.
Meu corpo parece amolecer quando ele começa a beber meu sangue, não existe mais dor, tudo que sinto agora é algo bom que faz meu corpo inteiro esquentar, acabo tremendo um pouco quando sinto um prazer enorme me invadir, mas logo para quando ele tira suas presas de dentro da minha pele.
Vairon —foi r**m?— pergunta me olhando, só faço um não com a cabeça.
—eu senti algo bom, o que foi aquilo?— pergunto sem entender, foi por poucos segundos, mas fez meu corpo inteiro tremer.
Vairon —talvez tenha sentido felicidade, ansiedade, medo ou prazer. As pessoas reagem de forma diferente a mordida então não sei o que você sentiu, só você pode descobrir isso.
—eu já posso ir?— pergunto pois agora estou me sentindo ainda mais estranha entre as minhas pernas, parece estar extremamente quente.
Vairon —pode sim, não esqueça de beber bastante água para recompor o sangue, não quero que fique com anemia, seu sangue é bom de se saborear.— sinto meu rosto avermelhar quando ele diz isso olhando diretamente nos meus olhos.
—irei comer e me hidratar direito.— falo me levantando rapidamente.
Vairon —espero que tenha uma boa noite de sono, mel.— diz antes de eu sair pela porta.
Continuo a andar pelo corredor meio confusa com o que acabou de acontecer, coloco uma das minhas mãos onde ele acabou de me morder e sinto a marca das presas dele, dois pontinhos que ainda estão úmidos com o meu próprio sangue.
Por não estar prestando muita atenção acabo batendo em alguém e caindo para trás, bati minha b***a no chão e está doendo um pouco.
—ai....— falo olhando para cima para ver em quem eu bati, espero que não seja nenhum nobre, não quero ser punida logo de início.
Oliver —deveria olhar por onde anda garota, pode ser punida se acabar batendo em um vampiro importante.— diz o loiro me olhando sério, eu tenho a impressão que ele não foi com a minha cara, parece não gostar de mim.
—sinto muito, estava distraída, a culpa foi totalmente minha.— falo ainda no chão, eu só quero que ele vá embora logo, sinto que quer me tirar do castelo por não gostar de mim.
Vejo o loiro respirar fundo, ele estende a mão para mim, parece querer me ajudar a levantar, só aceito mesmo sendo estranho. Noto seu olhar fixo no meu pescoço, provavelmente está olhando as marcas aparentes da mordida do rei.
Oliver —me responde uma coisa, o rei gostou do seu sangue?— pergunta me esperando responder, isso é muito estranho.
—acho que sim, falou que tem um gosto bom.— falo normalmente arrumando meu vestido que ficou amassado..
Oliver —ele disse mesmo isso ou está inventando para ganhar regalias?— fico sem entender sua pergunta novamente.
—eu ganharei coisas se ele gostar do meu sangue?— pergunto confusa e curiosa, pois ninguém me disse isso.
Vejo que o loiro fica me encarando por algum tempo sério..
Oliver —vem comigo, irei passar uma pomada na mordida, vai se curar na hora.— como assim irei me curar na hora?
—essa pomada é milagrosa para curar na hora?— pergunto e ele se vira e olha para mim sério, parece estar me olhando como se eu fosse burra.
Oliver —é feita com sangue de vampiro, então irá te curar na hora.
Vejo que o loiro para em frente a uma caixinha de primeiros socorros e pega uma pomada dentro, ele abre o frasco e passa o gel no meu pescoço com uma delicadeza que me faz tremer inteira, seu toque é bem suave, sempre achei que todos os vampiros fossem brutos, arrogantes e mimados.
Quando ele termina de passar me entrega a pomada e coloca um curativo.
Oliver —daqui a 5 minutos seu pescoço estará sem nenhuma marca, fique com a pomada.— vejo que depois de falar ele se vira e vai embora, é arrogante, mas não parece ser m*l, espero que pare de me ver como um problema no futuro, provavelmente só não confia em mim ainda, mas tentarei mostrar que pode.
O dia está sendo tão estranho, não sei se conseguirei me acostumar com isso, as mordidas que me causam arrepios bons e o braço direito do rei que parece não gostar de mim, mas ao mesmo tempo me trata bem.