— Anna! - A voz alta e animada de Maria ecoa pelo corredor da faculdade, fazendo Anna respirar fundo para ouvir mais um dos planos da sua amiga com paciência. - Annaa !
— Eu já ouvi, Maria. - Anna diz, se virando para encarar a sua amiga frente a frente e não se surpreendendo com o grande sorriso que ela esboçava em seu rosto. - Não precisa ficar gritando pelos corredores, já disse.
— Eu estou empolgada, desculpe. - Maria encolhe os olhos, sem perder o ânimo. Anna não sabia como elas conseguiram se tornar amigas no ensino médio, eram tão diferentes uma da outra, em absolutamente tudo. - Descobri uma festa para irmos que aposto que você vai adorar.
— Não. - Anna se vira imediatamente para fechar seu armário e andar para a aula, que por sinal deveria chegar cedo pois a professora não tolerava atrasos.
— Ah por favorzinho, Anna. - Maria fez um bico, como se fosse uma criança de cinco anos pedindo um doce para os pais.
— Você sabe que eu não gosto dessas coisas, Maria. - Anna suspirou, tentando não ser uma má amiga. Maria sempre fazia isso, sempre ficava insistindo para que ela fosse em festas, mas a loura não sabia como isso iria mudar a sua vida.
— Você nunca aceita ir comigo, como sabe se vai gostar ou não?
— Por que todas essas festas são a mesma coisa. Adultos que não cresceram e fingem que ainda são adolescente para ficar bebendo até perder a consciência em algum lugar nojento. - Maria fez uma careta feia para a amiga. Anna era completamente sem graça.
— Você está sendo preconceituosa. - Ela cruza os braços, fazendo Anna revirar os olhos.
— Eu estou mentindo?
Maria hesitou por um momento, sabendo que ela tinha completa razão. Mas nunca daria o braço a torcer.
— Essa festa não é assim. Na verdade é um evento de "caridade", só vão pessoas com muito dinheiro nesse lugar, não vai ter nenhum adolescente bêbado.
Anna semicerrou os olhos.
— E você tem interesse em ir por quê...?
— Por que eu quero conhecer um cara rico e bonito. - Maria deu de ombros como se fosse um motivo plausível, fazendo Anna revirar os olhos mais uma vez naquele dia. Ela perdia as contas de quantas vezes fazia isso por dia perto de sua amiga. Tinha até medo de seus olhos virarem de uma vez por tanto fazer.
— Você já é rica, Maria. - Anna falou o óbvio.
O pai de Maria era um grande publicitário e a mãe ajudava ele na empresa. Os dois viviam ocupados, viajando, e por isso tentavam recompensar a menina com rios de presentes caros, davam tudo que ela queria, e por Deus, ela queria o mundo. Talvez ela fosse amiga de Maria pelo simples fato das condições financeiras de ambas serem parecidas, por que de resto...
— Mas eu não vou viver com meus pais pra sempre.
— Se depender deles.. - Anna murmura, começando a andar pra sua sala tentando fugir desse assunto. Maria a acompanha.
— Ah por favorzinho, Anna. - Maria junta as mãos, como se estivesse rezando e entra na frente de Anna, fazendo a loura pausar os passos mais uma vez. - Só essa vez, você nunca concorda em ir comigo, e eu sempre faço as coisas que você gosta.
Maria estava apelando para a consciência de Anna, tentando mostrar que ela estava sendo uma péssima amiga nesse ponto, e bom, estava conseguindo. A loura respirou fundo, derrotada. Pela primeira vez em muito tempo ela estava finalmente concordando em sair com Maria.
— Eu espero que você esteja falando a verdade e que seja um evento de caridade. - Anna murmurou, ameaçando sua amiga que nem sequer se sentia ameaçada. Anna podia parecer brava mas a loura tinha um coração bom, e era uma garota meiga.
— Eu juro, não estou mentindo. - Maria deus alguns pulinhos em sua frente, com um sorriso de orelha a orelha, fazendo Anna até mesmo soltar um risinho de tão rídiculo que ela estava parecendo. - Obrigada, obrigada, obrigada.
Maria abraçou Anna enquanto pulava, realmente feliz com sua conquista.
— Agora eu preciso ir. Srta. Ava não tolera atrasos. - Anna fez uma careta, afastando a amiga para sair de seu abraço.
— Podemos ir comprar roupa depois da aula? - Os olhos de Maria chegavam a brilhar de tão feliz que a menina estava. E Anna não queria ser a corta prazeres, então assentiu.
Antes que Maria pudesse tagarelar mais uma vez e entrerte-la em mais algum assunto, Anna apressou os passos para ir á aula. Estava quase no fim do semestre, para finalmente se formar, mas ela não queria finalizar a faculdade de uma maneira ru.im. Não queria se desleixar e manchar seu currículo.
Mesmo que no fim das contas ela soubesse que isso não mudaria o fato de que ela herdaria a empresa da mãe.
Anna respirou aliviada quando entrou na sala e a srta.Ava ainda não tinha chego. Então se apressou e se sentou no seu lugar de costume, aguardando a aula começar. Precisava ocupar sua mente, odiava pensar sobre seu futuro.
***
Apesar de ter um temperamento de uma criança, Maria era uma mulher que chamava muita atenção por ter um corpo esbelto. Não que Anna tivesse inveja, sempre se alimentou bem e se exercitou para se manter em forma, mas Maria era tão naturalmente bonita que chegava a ser rídiculo.
Ela tinha cabelos cacheados, escuros, na altura do ombro por causa do bla.ckpower, a pele morena e os olhos verdes marcantes deixavam seu rosto ainda destacado. Por onde ela andava, chamava atenção.
O que era o total oposto de Anna.
Anna era Loura, os cabelos longos iam até a cintura, sempre gostou de cuidar do cabelo. Era alta, tinha um metro e sessenta e oito. Tinha um corpo bonito mas nunca gostou muito de exibir, sempre vestia calças largas e camisetas grandes. Os olhos azuis eram a coisa mais marcante em seu rosto, sempre passava um ar de menina frágil.
— Acho que se eu for de branco, irei chamar atenção demais. - Maria murmurou se olhando no espelho, com um vestido justo, curto e branco, completamente. - Não acha?
— Claro. - Anna murmurou, sem prestar muita atenção, enquanto lia mais um trecho de seu livro.
— tsc. - Maria estalou a língua, chateada com a falta de atenção de Anna. - Você deveria prestar mais atenção aqui, e deveria vestir algo também. Ou pensa que vai de jeans?
Anna respirou fundo, fechando o livro.
— Você fica explêndida em qualquer vestido que vestir, Maria. Você é uma deusa. - Anna tratou de dizer para amaciar o ego da amiga. - E eu não vou de jeans, só estou com preguiça.
A loura encarou a pilha de roupas que Maria tinha pego para provar. Era o puro exagero.
— Anda logo, Anna. Se não isso vai demorar ainda mais tempo do que deveria.
Anna assentiu, até por que fazer compras não era de seu feitio então quanto mais rápido, melhor.
— Preto, talvez? - Anna encostou um vestido próximo á seu corpo e se olhou no espelho, e depois para Maria, esperando sua opnião.
— Você precisa provar. - Maria murmurou, cruzando os braços. - Precisa fazer isso direito, amiga, por favor.
— É você quem vai encontrar um pretendente, não eu. - Anna bufou, levando o vestido até o provador para se trocar.
— Bem que podia, pra ver se perde essa boca vir.gem. - Anna olhou para Maria com a boca aberta, surpresa com a ousadia da morena em comentar sobre isso.
— Sou boca vir.gem por que não quero beijar qualquer um. - Rebateu a loura, se sentindo ofendida. - Já você...
— É claro, eu sou uma grande va.dia. A vida adulta vai começar, baby, acha mesmo que quero perder a melhor fase da minha vida?
Anna revirou os olhos e soltou uma risada enquanto fechava a cortina para tirar a roupa.
— Como se isso fosse mudar alguma coisa pra você, Maria. Nunca irá trabalhar.
— Cuidar desse corpinho já é um trabalho e tanto.
As duas deram mais umas risadas e então Anna se permitiu relaxar ao lado da amiga. Ela precisava disso também..
***
Anna se jogou no balcão da cozinha e deixou as diversas sacolas de compras no chão ao seu lado, enquanto observava sua mãe, Anabel, fazer um chá.
— Parece que teve um longo dia. - A mais velha disse, sorrindo e se divertindo com a expressão da filha.
— Maria me fez ir as compras. - Resmungou Anna. - De novo.
Anabel apenas soltou um riso, colocando o sashê de chá no copo e logo despejando á agua quente.
— Você deveria sair mais com ela.
— Ela é uma má influência, mãe, como pode dizer isso? - A mais nova juntou as sobrancelhas.
— Você vai perder a juventude, Anna, deveria estar curtindo a vida também.
— Então preferia que eu fosse baladeira?
— Não disse isso. - Ela negou, com o dedo em riste. Soprou o vapor quente de seu copo para tomar ujm gole do chá. - Mas você vai se arrepender depois.
— Eu dúvido muito disso. - Anna deu de ombros. - Mas se muda algo, eu vou numa festa com ela.
— Ah é? - Anabel ergueu as sobrancelhas, curiosa.
— Um evento beneficente.
— Claro. - Anabel riu. Ela deveria imaginar que a filha nunca iria em alguma festa adolescente do campus ou organizada por alguem do campus. - Aproveita e faça alguns amigos.
— Eu tenho amigos. - Anna se levantou do balcão, buscando suas sacolas no chão para levar para seu quarto, com o rosto emburrado.
— Sim, eu sei. - Zombou a mais velha, fazendo Anna a encarar com as sobrancelhas erguidas, desacreditada que até sua mãe fazia chacota com ela. - Eu vou viajar amanhã.
— Está mudando de assunto. - Anna deu as costas para a mãe, para ir para seu quarto. Anabel apenas deu risada, sabendo o quanto sua filha ficava brava quando mencionava o quanto antisocial ela era. — Boa viagem, amo você.
Anabel apenas assistiu a filha subir os degrais da escada a caminho do quarto e pedia que ela pudesse mudar um pouco mais. Ela se sentia tão culpada que Anna cresceu tão rápido, ficou responsável a ponto de não se permitir curtir nada na vida.
Esperava de verdade que Anna curtisse um pouco mais.