Lá estava Anna em frente ao espelho, com os cabelos caídos em ondas cascatas por seu ombro até a sua cintura, seu corpo sendo desenhado no vestido comprado no dia anterior, apertados na cintura e solto na saia, saltos altos carmusa da mesma cor do vestido de tecido divino, olhos marcados perfeitamente com lápis preto, destacando os olhos azuis.
Suas bochechas estavam rosadas, mas não por blush's e sim por culpa da timidez absurda que lambia seu corpo, se sentia em outro corpo que não a pertencia, estava tão mulher que se sentia estranha, mas estava muito, muito, linda.
Despertou assustada do seu transe quando escutou a campainha tocar, sabia que era Maria, mas mesmo assim seu coração palpitou forte, desequilibrando a menina.
Respirou fundo uma última vez antes de sair do quarto, deixando ali a menina tímida e meiga que ela é, para provar a amiga que conseguia ser alguém despojada como ela, sabia que isso era uma mentira que estava contando para si mesma, mas acreditava que repetir isso iria fazê-la se tornar real.
O ecoar de seus saltos é alto, apesar disso Anna sabia que isso não era problema por que aquela casa inteira estava exclusivamente com sua presença e apenas com isso. Todo mundo que trabalhava lá tinha recebido folga, e Anna preferia assim.
Chegou a porta principal e logo a abriu, porque se não o fizesse em segundos a menina do outro lado, que vestia o vestido longo de seda e tinha os cabelos cacheados preso em um coque alto e profissional, calçando um salto de altura média, iria derrubar em breve.
– Você sabe que eu ode.. - Ia começar a dizer assim que a amiga abriu a porta mas as palavras lhe pararam na garganta, quando encarou a menina que estavam um mulherão.- p.orra, Anna.
– Maria! - repreende a amiga, tímida e com a voz esganiçada de vergonha, se sentindo vulgar diante a escolha de palavras da amiga. Geralmente ela não se importava do linguajar da amiga mas não estava acostumada com palavrões.
– Desculpe amiga é que.. uau. - Disse mais uma vez fazendo-a sorrir e revirar os olhos, por ser um ato rotineiro de convivência.
– Você que está linda, como sempre! - Tenta desviar o assunto de si. - Adorei o colar. - Aponta para as pedras no pescoço da menina.
– É o colar da sorte. - Maria cai na armadilha da amiga desviando o assunto e puxando o braço da menina para tirar ela dali e ir logo. - Porque eu tenho certeza que teremos pelo menos uma pitada de sorte.
– É. - Anna murmurou hesitante.
*
A tal festa estava completamente cheia e ao chegar na entrada Anna sentiu total arrependimento de ter aceitado vir com Maria. Aquele lugar não era para ela, não era o tipo de lugar que ela gostava de estar.
— Caramba estou tão animada. - Os olhos de Maria vibravam enquanto elas desciam do carro. Anna soltou um sorriso sem muito ânimo mas assentiu.
— Demais! - Anna fingiu empolgação, chamando atenção de Maria.
— Ei! Nada de desânimo, cara.
— Olha pra esse lugar, Maria. Não é lugar para mim. - Ela apontou para a estrutura chique, onde várias pessoas visivelmente muito ricas entravam a todo momento. Maria juntou as sobracelhas e cruzou os braços, brava com ela.
— Anna, você é filha de Anabel D'santis, você sem dúvidas tem mais dinheiro que muita gente reunida aqui. Para de graça. - Isso não deixava de ser verdade mas não era no sentido financeiro que Anna estava se referindo.- Agora vamos, antes que eu precise te levar a força.
Anna suspirou mas acabou por seguir Maria mansão a dentro, afinal, ela não tinha escolhas, havia prometido á amiga que viria e não podia ir embora assim que chegasse.
Em algumas horas quem sabe...
Anna nunca gostou de esbanjar dinheiro, luxo, nunca gostou de ostentar o dinheiro da família. Claro, ela vivia com coisas que pessoas sem condições nunca sequer sonharia em ter mas não era como Maria que se enchia de roupas, bolsas, sapatos e carros caros. Sempre foi uma menina simples.
Talvez isso fosse por causa de seu pai, que abandonou ela e sua mãe muito cedo para viver a vida livremente com sua amante mais nova, que adorava o dinheiro, o luxo, que adorava fazer o seu pai lhe dar joias caras. Mas Anna não gostava de pensar muito sobre isso então nunca chegou á uma conclusão. Gostava de pensar que seu pai havia morrido, assim era melhor.
O lugar realmente era espetacular, estrutura antiga com pinturas e artes muito valiosas, de artista que não estavam na terra á muitos anos.
Anna sorriu. Talvez ela pudesse gostar de estar ali.
— Drinks? - Um garçom perguntou assim que colocaram os pés no grande salão. Não precisava oferecer para Maria, ela logo alcançou uma taça e bebeu grandes goles. Anna por sua vez pegou uma taça de vinho na bandeja e resolveu que não deveria encher a cara.
— Olha o tanto de gatinho que tem nesse lugar, Anna. - Maria estava maravilhada com tantos herdeiros bonitos tinha no salão. Anna só conseguiu rir com a reação da amiga. - Sem dúvidas minha noite vai ser quente.
Maria fez uma dancinha sensual por alguns segundos, arrancando uma gargalhada de Anna.
— Meu Deus Ma. Você poderia sossegar o que tem no meio de suas pernas uma única vez?
— Ah minha doce Anna, se você soubesse o quanto é bom, não estaria perdendo tempo.
Anna revirou os olhos, tomando um gole do seu vinho.
Ela sabia o que era sex0, não era uma menina inocênte como Maria descrevia. Não, nunca tinha ficado com um homem dessa maneira, e muito menos beijado com intensidade mas ela não era inocente que sonhava com um conto de fadas.
— É algo muito valioso para dar assim á um desconhecido.
— Tem razão, deveria leiloar. Com sua beleza isso deve valer milhões. - Anna abriu a boca, desacreditada com as palavras de sua amiga, que por sinal não parecia estar brincando nenhum pouco.
— Maria! - Ela repreendeu a amiga com um tapa leve no ombro.
— O quê? É verdade. - Anna apenas balançou a cabeça, sem acreditar muito como podia ser amiga de uma criatura como ela.
— Com lincença. - Um rapaz, moreno, apareceu na frente de ambas, com um sorriso elegante e um olhar intenso para Maria. - Está acompanhada?
— Não mas poderia ficar. - Maria respondeu á investida do rapaz com um olhar sedudor e Anna deu uma risadinha, se afastando devagar da sua amiga pra lhe dar privacidade. Ver Maria flertando não era um dos seus hobbies favoritos.
Aproveitou a deixa para admirar as obras de arte que seriam leiloadas para a arrecadação para a caridade. Sem dúvidas eles desviariam muito dinheiro dessas negociações por que haviam quadros que valiam milhões, e os ricos sempre tinham ganancia de ter mais dinheiro. Todos velhos, ranzinzas, arrogantes e sem dúvidas com muita ganancia.
Anna percebeu que havia um segundo andar naquele lugar e que sem dúvidas estava mais vazio que o primeiro andar. Ela procurou Maria ao seu redor mas a menina já tinha sumido então não tinha como avisar a sua localização. Ela subiu as escadas minunciosamente para que ninguém prestasse muita atenção nela e por um momento se perguntou se estar ali em cima era proibido por que realmente estava vazio.
Ela se debruçou no parapeito e passou a observar as pessoas no andar de baixo, conversando animadamente. E até ficou contente em ter conseguido um lugar quieto, pelo menos assim poderia dizer que frequentou uma festa que gostava.
— p***a, Nico, eu te dei uma única tarefa essa noite! - Anna deu um leve sobressalto de susto quando ouviu a voz de um homem atrás de si, dentro de alguma sala, num tom alto e com certeza cheio de raiva. Mas não era nada com ela. - Eu quero que resolva isso essa noite, se não eu vou ficar muito, muito, p.uto.
"Que arrogancia" - Anna pensou consigo mesma antes de voltar sua atenção para o andar de baixo. Ela não deveria estar ouvindo a conversa dos outros.
Ouviu a porta se abrir e então os passos atrás de si soaram alto até chegar um momento em que deixaram de tilindar no piso de madeira. Anna não deveria estar prestando atenção nos passos de outra pessoa, mas não podia deixar de pensar que deveria ser um velho rico e arrogante atrás de si, com um terno caro e uma personalidade horrível. Era previsível esse tipo de pessoa m.al educada.
— Quem é você? - A voz soou rispidamente pelo andar e todos os pelos de Anna se arrepiaram. O seu tom era grave, rude, lambendo toda a sua espinha.
Ela girou os calcanhares para encarar quem quer que estivesse ali e diferente do que pensava encontrou um homem jovem, parecia poucos anos mais velho que ela, não um velho ranzinza que aparentava ser por ser tão arrogante. Seu coração bateu um pouco mais rápido quando notou que na verdade ele era muito bonito. Cabelos medianos penteados para trás, escuros, os olhos tão escuros quanto, a barba bem aparada e o terno parecia desenhar cada músculo de seu corpo, como se fosse um número menor.
Ela podia dizer que nunca teve um tipo de homem favorito por que nunca prestou muita atenção nisso, mas olhando aquele cara naquela distância poderia dizer facilmente que ele faria seu tipo. O ar sério, perigoso e misterioso que ele transmitia atingia uma parte dela que ela nunca sequer sentiu assim, fazendo suas pernas tremerem.
— Sou Anna. - Ela murmurou finalmente quando encontrou sua voz em meio ao caos que estava sua mente naquele instante. O homem em sua frente estava sério, não parecia nenhum pouco amigável.
— Isso é algum tipo de brincadeira? Quem mandou você aqui? - Ele perguntou colocando as mãos no bolso, e Anna se sentiu um pouco confusa, perdendo a compostura. Quem ele achava que ela era? E por que ele parecia estar enfurecido com sua presença? — Já disse á Vincet que não quero sair com p.utas.
Anna abriu a boca, surpresa, em choque e completamente ofendida com a insinuação que ele tinha feito. Como ele podia falar uma coisas dessas. Como ele podia sequer ousar pensar que ela era uma p.uta.
— Eu não sou uma... - Ela nem conseguiu terminar a frase, sentia seu sangue fervendo e por causa disso não conseguia formular nenhuma frase, sua mente virando um turbilhão palavrões. O rapaz semicerrou os olhos, desconfiado. - Como pode ser tão e.scroto a ponto de falar isso para uma garota que você nem conhece?
— Você está numa área privada, donzela, esperava que eu pensasse o quê? - Acima de tudo ele estava sendo irônico, para terminar de ferrar com o psicologico de Anna.
— Não tem nenhuma placa e muito menos algum segurança na escada avisando que esse andar é completamente seu. - Anna fechou a cara, cruzando os braços, deixando o rapaz pensativo e confuso. Talvez até um pouco desconcertado? Anna jurava que viu no seus olhos mas não podia falar nada já que ele fez questão de esconder que isso não mudou algo em sua vida.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, olhando a menina de cima a baixo. Sem dúvidas brigando com seu próprio consciente.
— Mil perdões então, Anna. — Ele baixou a cabeça, como se fosse algum tipo de reverência, seu nome dançando suavemente em sua língua e então se aproximou devagar fazendo o corpo inteiro de Anna entrar em alerta. — Deveria ter alguém na escada para não deixar ninguém subir, e meus irmãos vivem me enviando pros... — Ele pensou bem antes de continuar a falar devido ao semblante sério de Anna que não se tornava mais leve com as desculpas dele. — Garotas. — Ele corrigiu rapidamente. — Para me trazer entrertenimento.
— Graças ao bom Deus eu não sou uma delas, isso é apenas um terrível engano. - Ela respondeu, furiosa. Ainda ofendida com a forma rude que ele falou com ela. Era a primeira vez que ela se dava ao luxo de sair á uma festa vestida como Maria queria e no que isso resultou? Foi confundida com uma garota de programa, não podia ser pior.
— Eu sou Damon. - Ele estendeu a mão para cumprimentá-la mas Anna permaneceu com os braços cruzados. Ele até podia ser bonito de morrer mas era um completo idi.ota. Ele ergueu as sobrancelhas quando percebeu que ela não iria cumprimentá-lo. - Damon Corleone.
Ele intensificou o tom de voz, para dar ênfase em seu nome, quando a menina não moveu um músculo sequer quando ele se apresentou. Damon estava acostumado com a mudança de humor repentina das garotas quando sabiam quem ele era.
— É um desprazer. - Anna murmurou, dando um sorriso ácido para ele, não tendo intenções de fazer amizades. Damon guardou as mãos em seu bolso e abriu um sorriso humorado percebendo que ele não a afetava da maneira que ele estava pensando. Ela não o conhecia.
— Me deixe recompensá-la, Anna, me deixe pagar uma bebida pra você. - Ele continuou, sentindo uma pitada de curiosidade surgir em si.
— A bebida aqui é de graça, Damon, muito obrigada. - Ela ergueu a sobrancelha, desafiando-o, deixando ele ainda mais interessado na garota arisca que ela era. - Além disso, achei que não queria companhia, você deixou isso bem claro.
— Não queria companhia de certas garotas mas você não é uma delas. - Ele respirou fundo, passando a mão pelos cabelos e o jogando para trás, um pouco nervoso pelo desacato.
— Certamente não. - Ela precisou concordar. Esse tipo de garota já havia se aventurado diversas vezes com coisas que Anna ainda não experimentou e sem falar no quanto sem vergonha elas eram. Nunca se sujeitaria a vender seu corpo por dinheiro.
Até por que não precisava.
O olhar de Damon sob Anna se tornou um pouco mais peculiar, curioso, mais interessado. Ela não sabia quem ele era e sem dúvidas isso significava algo. Não que ele fosse o tipo de homem que saísse em todas as mídias todos os dias, mas qualquer ser humano que se preze sabia quem ele era.
Será que ela era de fora?
— Então me deixe me desculpar pagando uma bebida para você. Sem dúvidas você não vai se arrepender. - Ele estendeu a mão para ela, um gestão gentil e simpático que ele não costumava fazer.
Anna encarou a sua mão por um momento, depois encarou o rosto de Damon, estremecendo inteira com o olhar intenso que ele tinha. Ele era um b.abaca, sim, mas ele era gostoso e isso ela não podia negar. Sentia suas pernas vibrarem ansiosa e isso lhe despertou uma curiosidade sobre si mesma. Nunca se deu ao luxo de conhecer a si mesma, seus gostos.
Por que não dar uma chance de deixá-lo se desculpar?
Ela colocou a mão sob a dele, relutante, o que o fez abrir um sorriso quente e que sem dúvidas enviou choques por todo o corpo de Anna.
Isso seria interessante.