pov. Eris
Ao corrermos para fora da sala novamente sou atingida pelas vozes ao meu redor, meu corpo se choca contra a parede em um desespero palpável. Luiz segurou meu rosto entre suas mãos tentando me acalmsr, segundo ele meus sentimentos são gatilhos ruins.
- Eris, se concentra em apenas uma coisa. Vamos Toquinho, você consegue. - a dor quase me fez desabar mas como se voltasse a superfície depois de um quase afogamento meus sentidos voltaram ao normal expulsando as vozes. - Muito bem, vamos lá.
Os alunos estavam sendo contidos pelos professores, o tumulto estava nítido em todo o lugar. Antes de conseguirmos chegar as portas da frente fomos interceptados por Ruby que corria desesperado e quase tromba com Luiz.
- Onde vocês estavam? Eu fiquei louco procurando essa garota! - ele estava suado e ofegante parecia irritado com o Luiz e preocupado com outra coisa ao mesmo tempo.
- Desculpe, Ruby. eu e Eris estavamos treinando na sala das específicas. - Luiz era um poço de paciência que nem de longe deixa claro o quão intenso ele é.
- Desculpas aceitas, agora voltem lá para dentro e se protejam. - isso foi uma ordem que nenhum de nós dois obedeceria, Luiz me encarou como cúmplice e nós passamos por Ruby indo em direção a porta.
Ruby vinha em nossa cola gritando algo que eu aprendi a iguinorar com sucesso. Luiz driblou os guardas abrindo caminho para todos que vinham atrás, a platéia nada fazia, ninguém ousava torcer ou falar alguma coisa o clima aqui estava ficando pesado.
No canto da rua Victor estava estirado no chão respirando com dificuldade, meu coração apertou ao vê-lo daquela forma. Em minha cabeça Victor era invencível, um herói inabalável mas eu me enganei, tentei correr em sua direção sendo impedida por Luiz e Ruby.
- Está ficando doida?! - Ruby gritou apontando para o outro lado onde um show de luzes em rons de roxo estava acontecendo. Tavarres e Garcia estavam lutando como loucos, era difícil ver seus movimentos mas a tensão em todos era palpável.
- Precisamos tirar o Victor de lá, ele precisa de cuidados! - gritei sobre o barulho que os elementos causavam, tentei me desvenciliar de Ruby mas Luiz me colocou contra a parede.
- Não, é perigoso Eris! - ele me olhou mostrando que eu estava chegando ao fim desse poço e não iria gostar de esvair toda a sua paciência.
- Eu não vou ficar aqui enquanto ele está machucado! Se você não quer me ajudar eu vou sozinha! - tentei me soltar mas ele me esmagou novamente contra a parede.
- Uma ova que você vai sair daqui! - sua voz já começava a se alterar, Leticia se afastou quando viu o estado do irmão e Ruby parecia desesperado.
- Eu vou sim! - o empurrei sem ter o resultado que eu queria, cada minuto perdido nessa discussão i****a poderia salvar a vida de Victor.
- Eu já disse que não! - ele estava se controlando mas eu sentia sua raiva pulsando em meus punhos como onda elétrica. Ele fechava os olhos com força procurando a paciência que tanto esbanjava.
- Não estou nem ai para o que você diz! - existe momentos na vida que você enxerga o seu fim nitidamente, era o que eu estava vendo refletido nas íris de Luiz.
Juro que minha vontade agora é te dar umas boas palmadas!
Você é violento e irracional!
Sou mesmo? Presta bem atenção, não sou eu que estou querendo meter o nariz no meio de uma luta entre eletrons!
E o que você tem a ver com as minhas decisões?
Não quero ninguém tentando me matar porque você arriscou a vida!
O Victor está machucado! Eu vou lá você querendo ou não!
Estou começando a odiar você, pentelha!
Não pedi que gostasse de mim!
Foda-se
- Ruby, segura ela. - ele praticamente me empurrou para Ruby que segurou meus dois braços com força. Antes que eu pudesse questionar ele ergueu um escudo de terra e se aproximou devagar do local onde Victor estava. Leticia se chegou devagar e segurou em minha mão.
- Eu sei que ele é um pouco insensível, mas ele gosta de você. - ela sorriu acostumada com o jeito do irmão.
- Duvido muito disso. - alguns raios bateram contra o escudo do Luiz mas ele continuou firme até chegar ao lado do Victor e verificar seus sinais. Luiz o ergueu sobre as costas com dificuldade e o trouxe de volta, passou direto por nós até a enfermaria. Eu estava pronta para segui-lo quando um estouro foi ouvido, Garcia estava no chão.
Tavarres se aproxima do oponente com um olhar superior, seus raios estavam irados, revoltos e demonstravam toda a sua raiva. Ele se abaixou pegando na gola do fardamento preto que o regente usava e o erguendo.
- Nunca mais encoste em meu filho ou eu mato você. - sua voz assustou até a mim, Ruby tremeu e Leticia teve que ser amparada por Antony, ele estava irreconhecível.
- Aquele bastardo assassino não é seu filho! - dois socos seguidos acertaram o rosto de Garcia, ele ria sabendo que provocava. - Só usa ele para tapar as brechas que aquela suicida maluca deixou... Como é triste saber que a mulher se matou levando o filho junto.
- Victor não é um assassino, essa palavra se enquadra muito bem em você! Quando vai dizer ao Ruan que a mãe dele não morreu na hora do parto? Ou que ele não é seu filho? - todos ao redor pareciam não acreditar nas palavras que saiam da boca daqueles homens possessos. Garcia tentou se soltar mas Tavarres o scertou novamente.
- Cale a boca seu maldito! - Garcia estava fraco, as revelações ditas o deixaram atordoado pela raiva.
- Ao menos o filho que minha esposa levou era meu... e não do meu melhor amigo. - ele largou o rival com brutalidade no chão. - Fique longe do meu filho ou volto para terminar o serviço.
Seu olhar mudou ao se encontrar com o meu, um instinto protetor rodiava Tavarres. Ele se aproximou e me abraçou com força deixando algumas lágrimas caírem em minha cabeça, beijou minha testa e se afastou.
- Esqueçam o que ouviram. Onde está Victor? - esquecer? Essa vai ser a coisa mais difícil da vida, eu tinha milhões de perguntas para fazer ele mas no momento achei melhor ficar calada.
- Sendo atendido pelos médicos. Não foi nada sério. - Luiz apareceu dando as notícias, ele abraçou a irmã tirando-a dos braços de Antony e me encarou com raiva.
Idiota bipolar!
Odeio você, pentelha!
Por qual motivo?
A pergunta ficou no ar, ele fechou sua mente e arrastou Leticia para dentro em direção ao refeitório. Tavarres seguiu para a porta da enfermaria assim como eu e Ruby, Antony acabou ficando por algum motivo.
- O que aconteceu? - busquei minha voz assustando os dois presentes, Ruby também estava interessado em saber e eu notei isso em seu olhar para Tavarres.
- Agora a tarde encontramos outro corpo e o Ruan desapareceu. Garcia atacou Victor assim que soube e foi como tudo começou. - ele respirou pesado encarando o chão.
- Por que ele chamou o Victor de assassino? - eu sei ser inconveniente, odiava minha curiosidade.
- Sinto muito, apenas ele pode explicar isso para você. Eu não tenho esse direito. - Ruby resmungou alguma coisa e saiu pisando forte. - Eris, pode ficar com o Victor? Eu preciso resolver isso antes que vire uma bagunça.
- Eu fico. - ele sorriu e beijou minha testa saindo com pressa em direção a sua sala. Depois de alguns minutos os médicos saíram afirmando que ele estava bem e só precisaria de uma noite boa de sono.
Entrei na sala vendo Victor deitado sobre a maca, sua jaqueta estava na cadeira e sua blusa teve as mangas cortadas para colocarem os aparelhos. Me aproximei sentindo o aperto no coração se desfazer ao notar que ele estava bem, segurei sua mão com força e deitei a cabeça em seu peitoral ouvindo seu coração bater fortemente contra mim. Suspirei aliviada me levantando e tentando entender o que eu estava sentindo, o motivo para ter ficado tão desesperada. Beijei sua bochecha e me encolhi na cadeira do canto da sala.